Olá!
Esse post recupera um antigo diário de um Dramatis Persona (PC) meu de Castelo Falkenstein. Pode servir de inspiração para quem quiser saber como escreve-se um diário em Castelo Falkenstein. Postado originalmente na comunidade de Castelo Falkenstein do Orkut.
Meu Diário – Matheus Ortiz
Ser alguém como eu, mulato, filho de uma bela mas sofrida mulher e de um pai que, mesmo alforriado enfrentou muitos reconceitos por parte dos ditos “civilizados” é uma coisa que me marca demais, ainda mais quando vejo a casa pequena, mas confortável, que consegui adquirir aqui nessa grande cidade com anos de suor e labuta…
Meu físico é de certa forma mais pendendo ao físico dos europeus, embora em minhas veias corram, com muito orgulho, o sangue africano de meu pai, conhecedor das Ervas e dos místérios das lendas. Meus olhos são escuros, com duas pedras de opala, e meu cabelo, crespo e curto, não nega minhas raízes do povo Nagô.
Meu pai, Tobias Ortiz, ao sair da fazenda aonde foi escravo, encontrou minha mãe, Graça Matias, em uma parada de boiadeiros próxima a Campinas, ponto de parada das tropas que subiam e desciam o Brasil, levando o charque e as preciosas boiadas do Sul para o Norte e vice-versa. Após isso ele, anteriormente boiadeiro, aproximou-se de minha mãe e eles se casaram, tendo dois filhos: eu e a jovem Marta.
Minha mãe morreu pouco depois que eu nasci, vítima da tuberculose, e aos quinze anos, foi a vez de meu pai perecer, ao contrair a terrível Febre do Sertão. Fomos então recebidos pelo antigo dono de meu pai, um homem mui consciente e cristão de nome Amadeu Ortiz. Marta foi para o Rio de Janeiro estudar com outras jovens (diferentemente de mim, que tenho uma pele cor do jambo, ela é alva como o leite), enquanto eu fui enviado para estudar em São Paulo.
Em Lisboa tive meus primeiros contatos com o que viria a ser conhecido como o Segundo Compacto, através de uma palestra de Lord Kelvin, conhecido físico e matemático que muito me fez pensar. De imediato, pesquisei muito sobre várias informações que o mesmo deixou escapar nas entrelinhas, e acabei compreendendo a gravidade da situação. Um de meus rivais, deveras, de nome Alexander Von Dachau, passou a me provocar com mais intensidade, o que me mostrou os perigos de uma sociedade dominada por homens como Von Dachau. De fato, acabei me tornando parte do Compacto, tendo alguns contatos aqui e ali com quem passo a saber mais sobre essa tão importante sociedade (Contatos [BOM]).
Não sou adepto de roupas caras e de futilidades semelhantes. Quando em serviço (e trabalho bastante, já que são pouquíssimos os Engenheiros de Cálculo do Império, e o Imperador vem usando nossos serviços deveras) visto-me com as roupas mais simples que puder vestir e uso boinas semelhantes às dos recém-chegados italianos, desse modo poupando custos na manutenção das mesmas: ao optar por roupas mais simples que são mais fáceis de lavar e engomar, posso me manter aprumado e ainda assim não gastar muito. Minhas roupas, mesmo fora de serviço, são espaçosas e com muitos bolsos. Porém, mesmo mexendo com todo tipo de óleos e graxas no meu serviço, procuro deveras estar sempre o mais limpo e bem-aprumado que puder. Sou uma pessoa franca e direta: talvez tenha herdado isso das minhas discussões de Marx e Engels. Tenho certa atração por suas filosofias e ideais, mas seus métodos rudes me afastam de outros com tal pensamento.
Gosto muito de ler sobre filosofia – as idéias de Marx, mesmo com sua posição radical, me atraem, devo confessar – e sou uma pessoa que não dispenso uma boa comida caseira – se posso dizer que herdei algo de minha mãe, foi a boa mão na cozinha. Respeito a honra e a franqueza, mesmo em meus inimigos. Abomino, com todas as forças, a dissimulação e o preconceito, essas coisas torpes e vis que tanto prejudicam a humanidade. Outra qualidade e defeito meu é que sou deveras prolixo, ou, no popular, sou um tagarela. Deveras, mesmo na minha infância meu pai falava que eu era igual a uma “matraca de Dia de São João”.
Meu maior bem são meus amigos: sou capaz de me sacrificar por aqueles a quem devoto minha amizade já que são poucos. Meus maiores inimigos são Klaus Von Tandelheim, que várias vezes tentou me tirar do meu trabalho autônomo, procurando me barrar de todas as maneiras, seja com seus contatos – tolhendo-me dos materiais que necessitava para os meus reparos – seja através de rufiões bem pagos para manterem o bico calado – e MUITO bem armados de armamentos estranhos, de uma tecnologia totalmente alienígena para mim -, e Alexander Von Dachau, que creio estar agindo em conjunto ou ser o “patrono misterioso” de Von Tandelheim.
Meus aliados, porém, sempre me ajudaram: conto com a ajuda da divina Chiquinha Gonzaga – mui linda, que balançou já vária vezes o coração desse que escreve e que já teve a honra de muitas vezes lhe fazer a corte – e do sábio Rui Barbosa – de quem, embora discorde em muitos pontos, tenho nutrido grande camaradagem. Além disso, possuo os vários contatos do Segundo Compacto e alguns amigos entre os Anarquistas – gente que não adota a metodologia mais radical dos mais jovens – e principalmente entre os recém-chegados Anarquico-Sindicalistas italianos.
Apesar do que pode parecer, o industrial que tanto me ajuda, Rodolfo Fernando Guimarães, é mui esclarecido e sabe que os Anarquistas apenas querem boas condições e emprego e salário, o que, ele sendo esclarecido, não tem dificuldades de suprir. Talvez meu mais forte amigo e aliado atual, ele é um visionário, um homem à frente de seu tempo, que a nada deve a homens como Proudhon e Owen. Sinto-me honrado em trabalhar ocasionalmente para um homem como ele, de caráter e íntegro…
Minhas metas na vida são (Profissional) ser o melhor Engenheiro de Cálculo do Império do Brasil, (Social) dar a pessoas de semelhante origem que a minha oportunidades de crescerem na vida e (Romântica) ter uma família boa e feliz, sendo um esposo adorável, justo e digno do respeito de minha esposa, como meu pai sempre foi com minha mãe.
Se posso dizer que me arrependo de algo, foi de não ter estado ao lado de meu pai no seu leito de morte: de fato, me culpo até hoje desse fato e ocasionalmente pego-me acordando de madrugada após ver o meu pai, em rigor mortis, me questionando “Porque me abandonou, filho?”.
Mas graças a meu pai ganhei o espírito de luta que fomentou meus estudos e fomenta meu trabalho, e creio que ele, na Casa do Senhor, deve estar orgulhoso de que seu filho, mulato como era, brasileiro, pobre, estudante bolsista, conseguiu notas altas ao ponto de ser escolhido, entre os de sua turma, para ser Orador de sua formatura como Engenheiro Mecânico em Lisboa. Claro que esse espírito de luta é uma das coisas das quais mais me orgulho, e tal evento serviu apenas para que eu tivesse mais orgulho de ser o que sou.
E claro, se isso for verdade, não vou deixar pulhas como esses dois utilizar a maravilhosa descoberta de Babbage e Lady Lovelace para provocar o mal e tirar das pessoas a liberdade! Por isso mesmo, já estou empacotando meus pertences para me mudar para o Rio. Minha irmã, agora casada com um comerciante bom de vida, já providenciou uma casa aonde poderei morar e manter meus estudos. Além disso, terei meu próprio telégrafo particular, o que será útil, ainda mais agora que Von Dachau e Von Terlenheim decidiram mexer seus pauzinhos.
E que Deus me ajude nas minhas empreitadas que virão, pois creio que elas serão deveras tortuosas..
ATENÇÃO: O sobrenome desse personagem vitoriano (Matheus Ortiz) deve-se ao fato do pai ter recebido o sobrenome de seu antigo dono.
Inimigos
Engenheiro de Cálculo e Agente Prussiano
Carismático, mas frio como o gelo, não permite que nada e nem ninguém interfira em seus objetivos.
Nobre Prussiano, Magista do Templo de Rá
Por fora, um nobre e galante cavalheiro… Por dentro, um homem sem escrúpulos, embora não consiga agir quando a situação aparenta ser ruim para ele.
Aliados
Industrial, Embaixador
Um articulador de forças, um dos poucos homens capazes de unir “os homens de boa vontade” em um momento difícil como esse. Realista e dedicado à sua causa de paz, jamais empunhou uma arma.
Fazendeiro Falido, Comerciante, Nobre
Apenas uma sombra do que já foi, mas ainda contando com alguns bons amigos que o ajudam não importa o que aconteça, é um homem vivido, sábio e esclarecido. Sua perdição: o jogo.
Irmã de Matheus, Nobre
Uma das aias da Rainha, Marta é também um dos mais fortes contatos de seu irmão na corte. Delicada e requintada, porém capaz de lançar bravatas tão venenosas quanto as presas de uma cascavel.