O Bairro Vertical – uma adição a Rygar

Uma das visões mais estranhas quando se aproxima de Rygar é ver que, se as muralhas são altas e as pontes também, as construções ainda assim costumam revelar tetos ou até mesmo toda a construção por sobre as muralhas. Mas o mais incrível de tal visão é ver  grandes torres aparentemente feita de casas empilhadas umas sobre as outras. Esse distrito é um dos mais populosos e movimentados de Rygar, apesar de ser um dos menores em termos de espaço. O seu nome vem de sua principal característica: a esse distrito se dá o nome de Bairro Vertical.

O Surgimento do Bairro Vertical:

Originalmente, o local onde hoje encontra-se o Bairro Vertical era formado por um espaço confusamente ocupado e que se espalhava também pelo espaço onde hoje ficam o Distrito do Mercado e a Praça das Raças. Quando ficou decidida que haveria a Grande Obra, muitos de seus moradores ficaram apavorados com o que viram: uma boa parte do espaço que antes era o seu lar seria tomado pela Guilda dos Comerciantes e transformado (como foi) no Distrito do Mercado e na Praça das Raças. Seguiram-se uma série de protestos, alguns muito violentos, mas como se diz em Rygar “é mais fácil encontrar um Dragão Vermelho de boa índole do que um Burocrata de Rygar que mude de idéia“. Muitas pessoas de bem perderiam suas casas, apesar da alegação dos Comerciantes de que a região era composta por bandidos e salteadores.
Foi então que o anão Ryumar Randarstan teve uma visão mandada pelo Deus dos Anões: ele viu os antigos Salões dos Anões de sua terra natal e como eles eram escavados da terra, e viu Rygar e como torres gigantescas podiam abrigar as pessoas. Quando acordou, descobriu-se dono de uma poderosa técnica de construção, que permitiria o impossível: construir casas umas sobre as outras.
Ao apresentar essa idéia aos Comerciantes e Burocratas, muitos escarneceram dele, achando a idéia no mínimo idiota, mas foi quando Ryumar argumentou: “a milênios meu povo constrói salões com muitos níveis dentro das montanhas. Os elfos controem lares sobre as copas das centenárias árvores de sua terra natal. Deve haver uma técnica para construir-se casas humanas umas sobre as outras, onde uma sustenta os pesos da outra.”
O material para tal obra, Ryumar descobriu, viria de uma pedreira próxima a Rygar: a pedra-leve era uma pedra que podia ser lavrada como qualquer outra e tinha uma resistência enorme, como apenas os melhores blocos de mármore e pedra possuiam. Mas com uma vantagem inestimável para o projeto: seu peso era ínfimo, apesar da capacidade de sustentar muitas vezes mais seu peso sobre si.
Com a combinação de blocos pequenos de pedra-leve, argamassa e técnicas novas de engenharia descobertas por Ryumar, a primeira das Grandes Torres começou a ser construída. Inicialmente o projeto de quatro níveis era modesto, podendo hospedar apenas cem casas, mas o espaço ocupado era equivalente ao de vinte casas normais. Conforme ele foi aumentando o número de níveis, junto com os seus subordinados e aprendizes de todas as raças, que passaram a ser conhecidos como Construtores Verticais, os Comerciantes e Burocratas receberam um justo calaboca e o povo uma nova oportunidade. Quando a primeira das muralhas que isolaria o que na época era chamado de Bairro Baixo foi erguido, a Primeira Grande Torre já se erguia a mais de 100 metros do chão, com vinte e cinco níveis de casas. Muitos anões ficaram maravilhados com essa torre, e ainda mais pela resistência da mesma: vigas de adamantite especialmente construídas formando uma reforçada grade metálica oferecia a sustentação inicial, enquanto vergalhões metálicos se erguiam aos céus. Esses vergalhões ofereciam espaço para conexões em todas as direções, o que permitiu que as Cinco Torres do Bairro Vertical tivessem suas próprias Pontes (algumas ligadas às Pontes principais de Rygar), assim como ginásios, praças e bosques. A pedra-leve permite que haja ventilação e isolamento acústico e térmico na medida certa, enquanto jogos de espelhos simples fazem com que a luz seja disseminada normalmente dentro das Torres.

As cinco torres:

O projeto original de Ryumar Randarstan (chamado de Empilhalar pelos añões) projetava todo o espaço como uma construção contínua, mas conforme a Grande Obra foi acontecendo, um projeto ainda mais ambicioso foi feito: criaram-se cinco torres pelas quais as pessoas poderiam passar. Cada torre, medindo cada uma individualmente em torno de 200 x 200 metros, fica em uma direção: Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro, sendo que elas são levemente “rodadas” para o lado de modo a não interferir nas grandes avenidas e pontes de Rygar. A maior delas é a primeira, a Torre Norte. Atualmente ela possui 78 pavimentos com algo em torno de 250 lares dentro da mesma. Alguns desses lares são pocilgas divididas entre algumas dezenas de goblins, enquanto outras ocupam um pavimento ou mais só para si, como o lar de Dohemir Windwalker (Humano, Bom), ex-mensageiro e atual administrador do Bairro Vertical nomeado pelos Altos Burocratas. Alguns lares ocupam de maneira estranha a torre, como o lar da famosa mensageira Leaf Speedster, que ocupa apenas um dos lados da torre, mas por dois pavimentos. Em geral, uma residência típica tem o mesmo tamanho de uma casa tradicional.
A Torre Sul é a segunda maior, com 62 pavimentos. Também é conhecida como “Torre de Perdição”, pela fama infame de ser o local onde ficam alguns dos piores prostíbulos, tavernas e igrejas más de todo o reino. Mas em alguns pavimentos também podem ser encontrados uma série de lojas e oficinas que sobrevivem de seu trabalho sem pestanejar. A Torre Sul é residência do halfling Tyrondir Mãodemassa (Halfling, Leal), dono do “Dragão de Forno”, um dos restaurantes mais conceituados de Rygar. Apesar da infame fama da Torre Sul, ninguém ousa mexer com Tyrondir: além de ter como amiga Leaf Speedster, dizem as lendas que o pequeno cozinheiro já foi um aventureiro competente antes de chegar em Rygar.
A Torre Leste possui 50 pavimentos e tem como ponto mais interessante a loja de livros “A Memória da Esfinge”. Mantida por uma estranha gino-esfinge, Ginedine (Gino-Esfinge, Neutra), é o melhor ponto de encontro para a aquisição de tomos mágicos. Ginedine também pode trocar informações sobre o mundo exterior e sobre magia, e dizem os boatos que ela atua como uma Sábia para a Casa de Informação dos Três Irmãos. Ela pergunta bastante e responde pouco, como toda boa esfinge, mas aqueles que são seus amigos são recebidos com muito mais do que apenas chá de hortelã.
A Torre Oeste possui 46 pavimentos, sendo que os dez primeiros são dominados pelo Templo do Vento Rygariano. Formado por T’sung Han-Chi’e (Humano, Leal) essa academia de monges ensina algumas habilidades de combate desarmado para os que desejarem, mas seus maiores segredos são mantidos para os membros da Ordem. Dizem que T’sung já alcançou um tamanho grau de iluminação que até mesmo alguns raros seres de outros planos o respeitam.
A Torre Central, chamada também de Diamante Central (porque, “vista do alto”, ela tem a forma de um diamante de lados iguais, como as demais torres) é a menor de todas as torres, com “apenas” 20 pavimentos, mas neles existe um verdadeiro complexo de entretenimento, com anfiteatros, arenas e praças arborizadas (!!!) onde os moradores do Bairro Vertical podem passear.
As Torres se interligam entre si em diversos níveis, por meio de passarelas, com apenas uma exceção: os níveis só se ligam no mesmo nível uns dos outros. Portanto, a Torre Central só se liga atualmente com as demais Torres por meio do seu 20° pavimento. As demais Torres se interligam entre si por meio de passarelas nos mais diversos níveis, com a excessão de que nenhuma passarela pode passar por cima da Torre Central. Os Construtores Verticais tem projetos de ampliação das Torre Central até pelo menos o 35° pavimento, com passarelas ligando-a às demais torres. As Torres também se ligam às Pontes e Muralhas de Rygar que passam por elas em determiandos níveis.

Subindo e Descendo as Torres:

Os habitantes do Bairro vertical sobem e descem as Torres por meio de elevadores construídos nas laterais dos mesmos. Além disso, as bordas laterais das Torres possuem “ruas” pelas quais as pessoas podem caminhar. Por segurança, muitas delas são protegidas por placas de um material chamado entre os elfos de tyliandin, uma espécie de placa de metaltal, misticamente tratado para permitir que luz, calor e som trafeguem normalmente, mas para que nenhum objeto possa sair das “ruas”, evitando suicidas, embora seja conhecido que o uso de magias anuladoras de mágica inutilizam esse material. Alguns mensageiros são capazes de, usando  as práticas do displace, subirem com as mãos nuas os prédios, mas alguns preferem não o fazer por ser algo muito arriscado para a grande maioria. Pontes e Escadas devidamente posicionadas também auxiliam no deslocamento dos moradores do Bairro Vertical. Alguns mais ricos podem utilizar-se de métodos de vôo, tanto por meio de animais voadores quanto por meio de objetos. Alguns recorrem a balões, mas esses são arriscados devido às pariedes de tyliandin.


Essa é mais uma contribuição do +4 para Rygar, o cenario que está sendo criado em conjunto pela Blogosfera RPGística Brasileira. Veja também as contribuições dos Pergaminhos Dourados, do Inominattus e do RPGista.com.br, assim como as outras contribuições do +4.
Espero que seja válido para você que leu

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4 comentários em “O Bairro Vertical – uma adição a Rygar

  1. Alexandre disse:

    Gostei.
    Eu só tiraria a parte dos elevadores. Sem essa tecnologia, a vida ficaria muito mais restrita aos andares próximos. Tudo seria mais clautrofóbico.

    O que é o “Bairro Baixo”? É o bairro submerso?

    • Bairro Baixo era o nome dado originalmente ao que viria a ser conhecido como o Bairro Vertical.

      Quanto aos elevadores, eles não são tão seguros quanto aparenta. Faltou detalhar isso, mas são pouco mais que cestos reforçados por cordas. A maioria das pessoas se deslocam por escadarias amplas que ficam nos vãos e no meio das Torres, sendo os elevadores mais usados para carga ou para aqueles que têm pressa.

  2. rsemente disse:

    Muito bom, finalmente li a matéria, e fiquei só imaginando como seriam essas torres. É claro que não podem ser como simples predios modernos, e precisariam de algum extra.

    Quantos aos elevadores, basta colocar um preço elevado para a utilização dos mesmos, os tornando utilizaveis para os mias ricos (ou ignorar :P).

    • Quanto à visualização, é uma cruza de um prédio moderno, encosta de favela e dos prédios gigantes de Blade Runner.

      Os elevadores são sim mais caros: normalmente é um serviço pago e que demanda muitos alquimistas e magos para manter os mesmos funcionais. Em termos de D&D, cobraria-se 1PP a viagem, podendo chegar até 1PO dependendo do caso.

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