Jogando com crianças em Castelo Falkenstein

“- Danação, Tom! Perdemos eles! – disse o homem de cabelos morenos e corpo nobre, vestido em roupas sóbrias que o distingia como um verdadeiro cavalheiro, ao dar de cara em um beco com uma parede totalmente lisa. – Uma perseguição cansativa e infrutífera, meus caros. Creio que a sorte nos abandonou agora.

– Deve ter alguma passagem secreta. – disse o homem de cabelos castanhos, vestido na farda dos Cavaleiros da Baviera. – Eles não podem ter desaparecido pura e simplesmente do nada!

– Até onde vejo, meu bom amigo, não tenho do que duvidar de eles terem desaparecido no nada.

Thomas Olan observava a parede do local: era sólida e feita de um mármore muito polido, que dificultava a visão.

– Eles devem ter algum truque mágico. – sussurrou Thomas – Mestre Morrolan, você consegue perceber algo estranho.

– Não, meu caro. – disse Morrolan, fazendo alguns passes diante da parede – Não há magia aqui: posso não conhecer as Doutrinas da Ordem de Rá, mas não deixaria de perceber os fluxos da energia gerada pela Arte.

– Mas como eles escaparam então? – disse a jovem vestida em roupas de hussardo – Se não o fizeram usando algum portal místico, como então?

– Marianne, o Templo de Rá é dedicado ao uso da Ciência e da Magia para trazer de volta os malignos seguidores de Set e os tirânicos Faraós. – disse Morrolan – Uma Ordem em sua origem dedicada à evolução do ser humano, foi corrompida por dentro por homens nefastos desejosos de poder, Devem ter algum Dispositivo que permite a eles iludir as pessoas ou ocultar uma porta secreta nesta parede…

– Deixe-me ver então. – disse Marianne. Ela se aproximou da parede e começou a bater na parede tentando achar algo. Alguns minutos se passaram até ela se dar por vencida.

– Se existe alguma coisa oculta aqui, desconheço… Algum tipo de magia ou sortilégio pode ser necessário para entrar aqui, embora duvide disso. A sorte deve ter nos abandonado mesmo, meus amigos.

– Moça, se ‘ocê quiser, eu boto ‘cêis lá dentro!

A voz veio de uma criança de rua, uma das muitas que se acumulavam pelas ruas mais pobres de Londres. E como elas, ela estava suja e cheirava mal. Mas ela tinha um sorriso bonito com dentes que mereciam uma bela escovada para ficarem brancos como a neve como deveriam ser, cabelos acajus encaracolados que depois de um bom banho deveriam ser belos e olhos de cor verde. Ela vestia uma jardineira de brim escuro com calças e uma camisa xadrez, encimando tudo com uma boina encardida. Ela não conseguia deixar de aparentar ser bonita e de ter um porte rusticamente elegante, mesmo parecendo ter rolado na lama e no esgoto londrino. Uma criança que, com um bom banho e roupas limpas, deveria ser um anjo na Terra.

– Qual é o seu nome, criança? – disse Morrolan.

– Jackie… Só Jackie… – disse a criança – Mamãe desapareceu quando eu nasci. Papai era malvado. Foi enforcado alguns dias atrás. Me largaram na rua. Vivia com um senhor que me obrigava a roubar. Fugi dele e um dia descobri como entrar lá dentro. Cheio de homens maus. Seqüestram crianças como eu. Ninguém ia dar falta mesmo… – disse a criança, com um cinismo quase mortal. – Eu achei uma passagem secreta. Eles deram bobeira e consegui fugir.

“É triste ver crianças abandonadas.” – pensou Thomas, lembrando de seu mundo futuro, o qual abandonou ao ser transportado por magia para salvar o Rei Luiz da Baviera e proteger o mundo das Forças do Mal representadas pelo Conde von Bismarck da Prússia e pelo Adversário Unseelie.

– Existe algo que possamos fazer por você? – disse Thomas, antes que o bom-senso agisse.

– Tô cum fome! – disse Jackie – Tem algo aí pra comê?

Thomas mexeu na sabretaché que era parte do uniforme da Cavalaria Bávara e encontrou um pão e alguns biscoitos e entregou-os à criança:

– Mas primeiro, vamos dar uma limpada nesse seu rosto… Por Deus, você está todo encardido… Ninguém deve comer com o rosto todo sujo. Não é bom para a sua saúde. – disse Marianne, sacando um lenço e limpando o rosto da criança., esfregando-o de uma forma que fez a criança recuar Foi quando perceberam.

– Por Deus! – disse Morrolan – É uma menina! Mas por que…

– O que ‘cê tem contra? – disse Jackie, enquanto ela devorava o pão e os biscoitos e falava ao mesmo tempo – Eu sou menina, mas já soquei o Big John de West End no meio da fuça, e o Lee da Casa de Ópio que tentou me estuprar, e protegi o pequeno Shaun, filho do padeiro, dos arruaceiros da gangue do Sean Olhos-de-Sangue. – completou Jackie, tão orgulhosa quanto se tivesse vencido sozinha a Batalha de Königseig.

– Uma menina corajosa, diga-se de passagem! – disse Marianne, orgulhosa de uma garota que se defende e defende os outros. Como Aventureira e mulher emancipada, Marianne Theressa Desirèe, Condessa foragida da França, sempre respeitava mulheres que sabiam se defender. – Mas por que veste-se de menino?

– Foi as roupa que consegui na Igreja, com a Madre Mirian. – disse Jackie – Só tenho isso e isso aqui.

Ela mostrou um relicário para Marianne.

– Foi tudo que consegui salvar antes de meu pai tentar me vender aos prostíbulos do Liam do Porto.

– Posso? – disse Marianne, segurando o relicário e o abrindo. – DEUS! Não pode ser!

– O que foi, Marianne? – disse Tom

– Se essa foto for verdadeira, ela é filha de Lady Órla Ni Breathgan, senhora de Caer Istare, em Sligo! Eu a conheci quando estive em Belfast, enfrentando alguns rufiões.

– ‘Cê conheceu minha mãe, dona?

– Sim. – disse Marianne – Por Deus, não sei como você veio parar aqui, menina, mas não podemos deixá-la aqui! Esse não é seu lugar.

– Como assim, dona? Cresci aqui desde que me entendo por gente… – disse Jackie, ainda receosa.

– Quer descobrir quem é sua mãe, não quer? – disse Marianne. Jackie meneou a cabeça. – Se você nos ajudar, prometo te proteger e te entregar sã e salva a sua mãe. E enquanto não a encontrarmos, vou ensinar-lhe tudo o que você precisa saber. E vamos comprar roupas novas e tudo o que precisar vestir. Irá morar conosco por algum tempo, mas terá que manter segredo sobre onde moramos. Entendido?

– ‘Tá bom, tia! – disse Jackie

– Em primeiro lugar então, não é “‘Tá bom, tia!” e sim “Entendi, madame!” – Marianne comentou entre divertida e exasperada.

– Entendi, madame! – disse Jackie, aprendendo rápido – Se eu achar minha mãe, vou ter que falar empolado que nem aquelas garotinhas mimadas da Escola St. Patrick?

– Ao menos com os outros, sim. – disse Marianne, sorrindo – Logo você vai descobrir que uma boa educação pode lhe proteger tanto quanto os punhos ou as armas. Mas, com sua mãe, ficará a critério dela.

– ‘Tá bom, tia… Ooops.. Entendi, madame!

Marianne sorriu e Jackie sorriu com ela. Ela aprendia rápido, todos perceberam. Morrolan sabia o quanto Marianne desejava ter uma família e filhos, e odiava interromper um momento belo como esse, mas…

– Detesto ser estraga-prazeres, mas temos assuntos mais urgentes a resolver. Marianne, se pretende trazer essa garota com você, espero que a proteja.

– Tio, eu sei me virar, e ‘cêis não vão conseguir entrar lá sem minha ajuda.

Morrolan observou a garota… Ela era decidida. Realmente parecia ser mais do que parte da ralé que roubava e matava e vivia na sujeira do baixo Londres. Mesmo que a alegação de Marianne fosse falsa, Jackie não parecia má como outras crianças. Havia inocência no olhar dela, e como Iluminado da Baviera, dedicado à Iluminação e Progresso da Humanidade, ele não podia deixar tal Maldade passar incólume.

– Muito bem, Jackie… Mostre-nos o caminho. – disse Morrolan, enquanto Jackie e Marianne iam em uma direção para a entrada secreta.

As crianças na Época Vitoriana eram normalmente ignoradas, tanto na história quanto nos contos. As crianças normalmente eram relegadas a segundo plano pelos adultos, seja chutando-as para as ruas e escolas, seja colocando-as nas redomas de cristal dos berçarios nos castelos. Crianças tinham horário para dormir e comer, e ai delas se desobedecessem.

Mas vários livros vitorianos foram escritos com personagens famosos crianças: O Jardim Secreto, Little Lord Fauntleroy, Oliver Twist e as Aventuras de Huckleberry Finn são apenas alguns a pensarmos. E muitos deles foram heróis de uma forma ou de outra. Para citar apenas alguns, Tom Sawyer, Mary Lennox (de O Jardim Secreto), Alice, Wendy Darling (de Peter Pan) e mais recentemente, Sally Lockhart (da série de Philip Pullman, autor de “A Bússola Dourada” e da Série Fronteiras do Universo), embora a última tenha 16 anos.

Aqui estou propondo uma mecânica de criação de personagens para crianças em Falkenstein. A diferença principal está na forma em que as Habilidades são escolhidas: considerando o fato de que crianças ainda estão crescendo, existe uma mecânica que considera essa evolução natural da criança até ela se tornar um adulto, entre 16 e 18 anos.

A Criação do personagem infantil:

Onde o anfitrião mostra que é necessário mais do que uma cinta para educar uma criança

Normalmente consideramos que Dramatis Personae criados conforme as regras do Módulo Básico de Castelo Falkenstein são considerados adultos, no máximo jovens (como Sally Lockhart). Isso deve-se ao fato de que na época vitoriana não existia o conceito de “adolescência” ou de “infância”: esse é um conceito do século XX, e a sociedade vitoriana, em sua transição da Era das Trevas medieval para o Futuro não possui ainda esse conceito. Em geral, crianças começavam a trabalhar tão logo pudessem andar e falar.

Uma criança na época vitoriana em geral não tinha muitos direitos legais: ela precisava sempre de um tutor ou parente para tudo legalmente, e a palavra de uma criança não tinha valor legal. Mas uma criança que cometia um crime pagava com a mesma pena de um adulto: existem registros históricos de enforcamento de crianças de 12 anos. A vida não era fácil para crianças, ao menos as pobres: as ricas tinha tudo do bom e do melhor, embora ainda fossem consideradas “adultos pequenos”.

A criação de um personagem criança em Falkenstein segue o mesmo sistema normal, mas adaptado: conforme a idade, muda o número de Habilidades que o personagem pode escolher. Ele ainda deverá escolher sua Habilidade em nível Fraco, mas o número de perícias em nível Bom muda. Personagens crianças não tem direito a Habilidades em nível Ótimo, EXCETO se o Anfitrião autorizar, e normalmente apenas uma. Um personagem criança não deveria ter em momento nenhum Habilidades em Excepcional ou Extraordinário. Isso visa gerar um equilibrio e respeitar o fato da criança ainda não ser um “adulto” no sentido de amadurecimento físico, mental e social (o Anfitrião, com uma desculpa REALMENTE BOA pode autorizar, todavia).

Um personagem criança tem direito a uma Habilidade Boa a cada 3 anos de idade, sendo que o mínimo são duas (6 anos), arredondado para o mais perto.

Exemplo: Cedric Errol (de “Little Lord Fauntleroy”) é um garoto de 7 anos de idade. Desse modo, ele tem direito a duas Habilidades em nível Bom e ainda é obrigado a escolher uma em nível Fraco. Desse modo, opta-se por Carisma [BOM], Aparência [BOM] e Feitiçaria [FRA] ao criar-se o personagem.

Quando o mesmo chegar aos 16 a 18 anos, ele tem direito a escolher sua habilidade Ótima. Se ele optar por transformar uma habilidade Boa em Ótima, ele pode escolher uma outra habilidade em Bom. Perceba que, por esse mecanismo, quando alcançar 16 anos (tempo de jogo), o personagem terá os mesmos níveis de habilidade de um personagem Falkensteiniano pleno deveria ter: 4 habilidades Boas, 1 Ótima e 1 Ruim

Crianças e a Feitiçaria:

Onde o Anfitrião descobre como os pequeninos desenvolvem seu talento na Arte

Não existe nenhum impedimento nesse sistema de criação de personagem em uma criança ser Magista, exceto que ele NÃO PODE ter escolhido previamente Feitiçaria como Fraco no começo do processo. Se ele não tiver isso, qualquer uma das habilidades que ele ganhou com a idade pode ser Feitiçaria. Porém, caso ele não escolha logo no começo, ele não terá uma Ordem de Magia à qual estará associado e portanto não terá nenhum acesso a Doutrinas (a não ser que o Anfitrião aceite alguma desculpa – como ter tido acesso às Doutrinas por meio de um Tutor, Mentor ou Mestre), e terá que ser aceito por uma no processo (a representação do processo fica por conta do Anfitrião). Se, no momento em que ele começar o processo, ele optar por Feitiçaria como habilidade Boa, ele poderá escolher uma Ordem e ter acesso normal às Doutrinas.

Exemplo: Leanna McDougal é uma wicca, uma crente do Culto Antigo. Tendo apenas 10 anos, ela tem acesso a três Habilidades Boas. Ao optar por Feitiçaria [BOA], ela pode escolher de imediato uma Ordem de Magia e ter acesso normal às Doutrinas da mesma. No caso, ela opta pela Irmandade Druida, tendo acesso normal a todos as Doutrinas da mesma. Caso não fizesse isso, ao optar a posteriori por ter Bom em Feitiçaria, ela não teria acesso a nenhuma Doutrina, até que um Mestre ou Mentor a indicasse para uma Ordem de Magia.

Fadas Crianças:

Onde o Anfitrião descobre que mesmo entre o Povo Gentil existem infantes

Esse sistema de regras pode ser aplicado para criar-se “Fadas Crianças” normalmente. Não existe nehum impedimento à criação de uma “Fada Criança”, à exceção de que ao menos uma das Habilidades BOA iniciais deveriam ser alocadas em Eterealidade OU Glamour OU Poderes Raciais. Obviamente, todas as fraquezas de uma Fada continuam valendo, seja o Ferro Frio, seja as Fraquezas específicas do tipo. O que dissemos aqui sobre Fadas também se aplicam a Anões (sendo que eles não podem ter um Segundo Nome), mas não aos Dragões: existem muito poucos Dragões infantes, e normalmente eles são criados por seus papais e mamães longe do mundo até estarem prontos.

Habilidades que mudam seu comportamento com a idade:

Onde o Anfitrião é alertado que, mesmo com capacidade iguais, crianças possuem algumas desvantagens diantes de adultos

  • Aparência – Sua aparência NUNCA será considerada sensual. Nessa idade, você será visto mais como “um anjinho” do que como uma bela dama/cavalheiro. Qualquer um que considere sua Aparência Sensual, será visto com suspeita na melhor das hipóteses;
  • Compleição Física – Seu tamanho e peso é proporcional à idade, mas sua capacidade de receber dano continua a mesma (sem mudança para definir o dano que você pode sofrer);
  • Situação Econômica – O dinheiro em questão não é seu: você tem um pai/parente/tutor que te sustente e te permite um certo acesso à renda. Esse personagem deve ter Situação Econômica AO MENOS IGUAL à sua;
  • Contatos – Seus contatos podem se dividir em dois grupos: (a) um grupo baseado em seus pais/parentes/tutores e (b) um grupo de contatos seus. Em geral, seus contatos exclusivos terão mais ou menos a mesma idade. O Anfitrião pode exigir uma explicação muito boa para você ter um contato mais velho que você
  • Educação – Como você ainda não terminou seus estudos, o Anfitrião pode decidir que determinadas coisas você ainda não sabe (por exemplo, filosofia ou ciências sociais). Em compensação, acesso aos idiomas funciona normalmente, ainda que você tenha alguma dificuldade na leitura e na escrita;
  • Trato Social – Em geral, crianças não atuam em sociedade até completarem 15 anos e “debutarem” socialmente. O Anfitrião pode autorizar a presença de crianças em Bailes ou Jantares, mas sob um ótimo pretexto (muitas vezes, como motivo da festa). Normalmente, apenas pequenos talentos, virtuosos e crianças prodígio aparecem socialmente;
  • Mecânica – Crianças podem construir equipamentos com materiais simples, mas normalmente não dominam os materiais mais complexos, como Bronze, Prata Anã, Aluminio Anão ou Ferro Frio. O Anfitrião pode, em circunstâncias especiais, permitir que uma criança com altos níveis em Mecânica manipule materiais como esses, mas normalmente utilizarão materiais mais simples de maneiras mais inventivas.
  • Atletismo e Furtividade – Crianças são normalmente menores, mas isso não influencia na velocidade de corrida e afins, pois seu tamanho e “pernas curtas” são compensadas pelo fato de poderem se “esgueirar” melhor no meio da multidão e entrar em locais mais apertados que o normal;
  • Briga e Esgrima – Em termos de habilidade, uma criança pode ser tão boa em Briga e Esgrima quanto um adulto, mas o cálculo do Dano provocado é reduzido baseado no fato de ser uma criança. Considere que a criança causou um nível a menos de sucesso no seu ataque (se o Sucesso for Parcial, considere que ele é um nível mais fraco que o normal, até o limite de Fraco);

Demais habilidades do Módulo Básico não são modificadas. Habilidades específicas de outros módulos têm seu comportamento determinado pelo Anfitrião.

Experiência e Idade:

Onde o Anfitrião é apresentado aos benefícios da maturidade para os infantes

Uma criança evolui um pouco mais rápido que um adulto. Isso é representado da seguinte forma: se uma criança tiver obtido uma habilidade por experiência, ainda assim ela poderá aumentar essa habilidade quando chegar na idade de adquirir uma habilidade Boa. Nesse caso, soma-se um nível à Habilidade, representando o amadurecimento do personagem. Isso pode ser feito apenas UMA vez por habilidade, o acréscimo pela idade. Porém, na experiência normal, o personagem continua evoluindo sem problemas.

Exemplo: Imaginemos que Cedric Errol evolua seu Trato Social para Bom. Uma vez que ele alcance 9 anos, ele pode aumentar normalmente seu Trato Social devido à idade (de Bom para Ótimo). Porém, ele não poderá fazer o mesmo novamente aos 12 anos, quando deverá optar por outra habilidade, A partir de então, ele só aumentará a habilidade de Trato Social pela experiência normal.

A habilidade Fraca

Onde o Anfitirião descobrirá que, com o tempo, os pequeninos podem perder o interesse no que fazem

Uma regra especial que um personagem criança tem é relacionada à Habilidade que o personagem tem que ter obrigatoriamente em Fraco. Crianças são muito mais suscetíveis aos humores ao mudarem seus desejos e suas aptidões que um adulto. Portanto, seria previsível que um personagem criança pudesse desenvolver com o tempo interesses em áreas onde normalmente não possuem a menor aptidão.

Isso é emulado da seguinte forma: uma enquanto o personagem não se tornar “adulto” (ou seja, tiver as quatro habilidades Boas e a habilidade Ótima), ele pode, uma vez por aventura e ANTES de seu início, trocar sua habilidade Fraca por qualquer habilidade Média que ainda tenha disponível. Isso permite a ele “emular” seu crescimento, ao rever seus gostos e aptidões. Ele pode inclusive, ao receber uma habilidade Boa pela idade, escolher sua habilidade Fraca e elevá-la para Bom automaticamente, escolhendo uma habilidade Média em seu lugar. Qualquer alteração dessa fica sujeita à aprovação do Anfitrião e dependerá de uma boa explicação do jogador. Em especial habilidades como Compleição Física, Aparência, Trato Social, Situação Financeira e Carisma exigiriam uma boa explicação para uma alteração como essa, em especial se forem as habilidades a serem reduzidas.

Crianças e o Diário:

Onde o Anfitrião é apresentado aos modos como os infantes registram seus idílios e brinquedos

O diário de uma criança não é muito diferente em registro do diário de um personagem pleno de Castelo Falkenstein, conforme mostrado no módulo básico, página 155. Porém, as diferenças estão mais na forma como ele é escrito e nas perguntas e respostas.

  • Primeira coisa: todas as perguntas sobre profissão e romance não deveriam ser respondidas. Crianças ainda são jovens demais para entrar no Jogo do Amor ou envolver-se em profissões. Se o jogador desejar, deverá tomar o cuidado de manter o idílio;
  • Segundo: os diários de uma criança costumam ser mais idílicos, em especial aqueles de personagens que não viveram as agruras da vida, como o Virtuoso e a Romântica Incorrigível. Os diários de personagens que sofreram mais, como o Fanfarrão, o Lider da Turma e o Twist, tendem a ser mais rudes, e (se o Anfitrião assim permitir) podem incluir expressões de baixo calão e palavras rudes. Mas em alguns caso, como o do Twist e do Líder da Turma, essas palavras se tornam de esperança em um futuro melhor.
  • Terceiro: como são muito novas e não têm muitas experiências, os diários de crianças tendem a ser bucólicos, contando sobre as coisas simples da vida, pequenas fofocas e coisas do gênero. É importante ter isso em mente ao escrever o diário de uma criança em Castelo Falkenstein.
  • Quarto: quando uma criança escreve, normalmente tende a ser simples e idílica. Simples, pois seu vocabulário muitas vezes não é tão amplo quanto o de um adulto de mesma habilidade. Idílico, pois as visões de uma criança em relação à vida não costumam ser realistas. Em especial nos sonhos, não seria estranho diários dizendo que “desejo ser o Rei das Fadas” (um garoto humano), “quero governar a Rússia” (um plebeu) ou coisas do gênero. Por isso, o Anfitrião não deve estranhar se seus Dramatis Personae fizerem esse tipo de anotação em seus Diários. No futuro, muitos colocarão objetivos futuros mais realistas;

Personagens Dramáticos:

Onde o Anfitrião é Apresentado a alguns tipos de Heróis e Vilões de pequena idade

Note que os Arquétipos normais de Falkenstein são válidos ainda, embora seria muito estranho ver uma Cortesã de 12 anos de idade ou Médico de 9 anos. Os Arquétipos abaixo também podem ser adotados por adultos, mas também seria muito estranho ver um Twist de 20 anos.

Twist (de Oliver Twist):

Criado no meio das ruas, a sua subsistência depende de agir de maneira criminosa. Mas você não é mal… Você é tão inocente quanto qualquer criança, e espera apenas uma chance para se redimir. Você não rouba daqueles mais pobres que você e é capaz de uma série de ações boas. Mas sabe que você precisa comer, e aquela torta no parapeito da janela ao lado parece tão gostosa…

  • Naipes Fortes: Percepção, Furtividade, Atletismo
  • Posses: pequenos cacarecos, bolas de gude, produtos dos últimos roubos
  • Em seu diário: se você tiver um, normalmente terá mapas dos bares e clubes próximos; locais a serem evitados pois tem policiais ou são pontos de encontro de gangues; piadas grosseiras; listas de o que faria se tivesse muito dinheiro
  • O que você faz aqui: provavelmente perto de onde você mora outras crianças estão sendo sequestradas e você decidiu que não vai deixar ninguém desaparece; talvez uma das Aventureiras esteja interessada em um pequeno anjo para criar e você seja a escolha certa (ou assim elas acreditam); ou as coisas legais que o Agente Secreto ou Cientista carregam sejam divertidas de usar e eles sejam “patos”;

Pequeno Nobre:

Você é parte de uma nova geração da Nobreza, Em seu sangue corre a tradição de centenas de anos de uma casa nobre, com os grandes feitos do passado lhe inspirando. A situação pode não ser mais tão boa quanto foi no passado, mas você defende seu nome e a tradição do mesmo, evitando se misturar a más companhias e mantendo a decência e a honra acima de tudo. Você estuda e aprende a ser requintado, honrado e digno como se espera dos nobres.

  • Naipes Fortes: Contatos, Educação, Carisma
  • Posses: roupas elegantes; faca, espada ou alfinete de chapéu para defesa; brinquedos caros
  • Em seu diário: notas sobre o que aprendeu na escola; percepções (muitas vezes condescendentes) sobre outras crianças; comentários sobre coisas que ouviu em casa
  • O que você faz aqui: você está observando algum dos demais pois ele pode representar um perigo para o bom nome da família; ou você pode estar ajudando um familiar ou parente ou amigo nobre como voc; ou ainda você foi salvo por esses bons homens e mulheres e sua honra lhe diz que você deve recompensá-los ajudando-os com o bom nome e o contato de sua família.

Coroinha/Noviço/Aprendiz de Feiticeiro:

Você é mais do que um desses coroinhas normais de Igreja: você tem a Visão. Você conhece a existência além da Matéria. Você ainda está no começo da sua caminhada no mundo da Alta Feitiçaria, mas todos estão de olho em você. Você é promissor e sabe disso, além de ter um apetite por conhecimento raro entre as demais crianças. Você sabe que existe um Jogo lá fora, que é mais complexo que os Brinquedos infantis: um Jogo que pode custar o próprio futuro da humanidade!

  • Naipes Fortes: Coragem, Educação, Feitiçaria
  • Posses: bastão (comum), capa com capuz, Símbolo de Poder da Ordem e um livro com preparações de magia conhecidas por você
  • Em seu diário: notas sobre conceitos e intuições arcanas; informações sobre ações de outras Ordens de Magia; informações sobre magias; tabelas e gráficos arcanos.
  • O que você faz aqui: Um dos Mestres da Ordem lhe indicou uma pessoa do grupo cujo futuro é importante para os objetivos da mesma; ou algum item de magia está para ser descoberto, e alguém com sua idade e aparência pode passar desapercebido das demais ordens de magia.

Abelhudo:

Você se considera um Jornalista, mas o máximo que sabe sobre isso é ler os jornais. Na realidade, você anota as fofocas da vizinhança na esperança de obter a Grande História, ou ao menos alguma coisa que possa ser publicada no futuro. Você não tem medo, em sua inocência, de tropeçar em Algo Que O Homem Não Deveria Saber. Afinal de contas: tudo dando errado, procure a polícia.

  • Naipes Fortes: Furtividade, Percepção, Contatos
  • Posses: bloco de notas, caneta, algumas fotos
  • Em seu diário: anotações sobre fofocas locais; endereços de locais suspeitos; nomes que você ouviu por aí e pareciam chamar a atenção; idéias para contos no futuro
  • O que você faz aqui: esse grupo de cavalheiros em um local estranho… Algo não se encaixa, e você foi atraído para isso como ursos pelo mel. Talvez um desses cavalheiros seja um jornalista de verdade, que poderá lhe abrir as portas para o mundo que você quer seguir. Ou até mesmo seja uma boa segui-los, nem que seja só para ter uma história para contar no futuro.

Pestinha:

Para que esquentar a cabeça com a vida? Um sorrisinho, uma palavrinha doce, e todos caem de amores por você. As pessoas pensam que você é um anjinho. Que tolos: você é um manipulador nato, capaz de enganar qualquer um para dar a impressão de ser um doce. Na verdade, com as outras crianças, você não tem dó: você aprendeu desde cedo que existem os que enganam e os que são enganados. Você escolheu não ser enganado.

  • Naipes Fortes: Carisma, Aparência, Trato Social
  • Posses: roupas bonitas
  • Em seu diário: fofocas gerais; comentários que ouviu os adultos e outras crianças fazerem; algum Segredo Que Você Não Deveria Ouvir; comentários ácidos sobre outras crianças e sobre adultos
  • O que você faz aqui: as coisas podem ficar interessantes aqui. Um pouco de intriga faz muito bem para você, e você sente que aqui o circo vai pegar fogo. Talvez alguns desses adultos possam lhe render alguns doces ou mesmo muitas coisas boas a mais!

Líder da Turma:

Você é o mais forte, rápido e intrépido de seus amigos. Nas lutas contra outras turmas, você é o primeiro a entrar na briga e o último a sair. Você não tem medo de apanhar, pois você é forte e durão e cresceu nas ruas sabendo se defender. Mas você sabe que existem aqueles que não conseguem ser como você. A esses, ao invés de explorar ou espancar, você protege. Você entende o seu papel no mundo: você vê as roupas dos soldados da Cavalaria e sonha com um dia vestir uma delas. Você não é apenas um Brigão qualquer; você protege o que é certo.

  • Naipes Fortes: Briga, Atletismo, Tiro (com Estilingue)
  • Posses: cabo de vassoura (que usa como espada), estilingue, pedrinhas (munição para o estilingue), alguns biscoitos que você divide com seus amigos.
  • Em seu diário: se você tiver um, anotações sobre brigas com outras turmas; nomes de rivais e o que você adoraria fazer com eles; nome de meninas que você protegeu contra fanfarrões; lista de coisas que você viu soldados fazerem e você imita; endereço de seus amigos e como chegar rápido até eles quando as coisas apertam;
  • O que você faz aqui: esse grupo pode estar tentando proteger outras crianças, e você se sente no dever de ajudá-los; talvez um deles seja um Hussardo ou Soldado Intrépido que pode ser seu Mentor e Patrono e lhe indicar para Servir a Pátria; ou talvez você siga uma Aventureira, Nobre ou Atriz pela qual você se afeiçoou.

Fanfarrão:

Como o Lider da Turma, você se cerca de pessoas. Mas diferentemente dele, você não dá a mínima para os outros. Você faz o seu caminho pela força e pela intimidação, e não importa o que esteja no seu caminho. Se você quer uma coisa, você a consegue, seja roubando, batendo nos outros… Não interessa. Você é forte, e sua posição é Liderar. Você sabe que seu futuro é glorioso, e os mais fracos que você servirão de escada para alcançar o que você quer! No fim das contas, você é um covarde, mas qualquer um que fale isso de você volta para casa todo roxo!

  • Naipes Fortes: Briga, Atletismo, Tiro (com Estilingue)
  • Posses: cabo de vassoura (que usa como espada), estilingue, pedrinhas (munição para o estilingue), pregos que você espalha no chão para as pessoas pisarem.
  • Em seu diário: se você tiver um, anotações sobre brigas com outras turmas; nomes de rivais e o que você adoraria fazer com eles; nome de Líderes de Turma que você adoraria que fossem para o outro mundo; comentários irônicos sobre como outras crianças choraram muito quando você roubou-as e as espancou;
  • O que você faz aqui: parece que a diversão está aí, e você pode conseguir alguma coisa quando a poeira abaixar; talvez um deles seja uma Dama que tem algumas coisas que você pode conseguir um dinheiro em cima; ou mesmo aquela espada do Hussardo pode ser uma boa.

Pajem/Dama de Companhia:

Você não nasceu nobre, mas sua beleza, requinte ou educação chamaram a atenção de um. Separado daqueles que ama, sabe que o que faz é pela Pátria e pela Nação, sendo educado para ser o companheiro perfeito de brincadeiras e estudos, a pessoa em quem ele vai colocar sua confiança no futuro. Mesmo muito jovem, você está sendo treinado para ajudar um Pequeno Nobre no futuro, quando ele for chamado às suas obrigações. Você é esperto e companheiro, e muitas vezes é quem realmente faz o serviço. Você sabe que a glória acaba ficando para o Nobre, mas isso não importa: você faz o que é certo para preservar o bom nome e a honra da família nobre à qual é associado.

  • Naipes Fortes: Educação, Trato Social, Briga
  • Posses: roupas que a família nobre lhe deu; alguma lembrança de sua família
  • Em seu diário: anotações sobre o comportamento do Pequeno Nobre; casos curiosos para contar em casa; anotações sobre a falta que faz sua família; lista de coisas que você quer dar à sua família
  • O que você faz aqui: você mantem o olho vivo para o comportamento do Pequeno Nobre, para que nenhuma de suas ações comprometa a boa imagem da família; você pode estar acompanhando-o em suas observações sobre o mundo, ou estar a mando do mesmo vendo se algum desses cavalheiros não poderá colocar o bom nome da família em jogo.

Escudeiro:

De família nobre ou não, você está sendo treinado para proteger a Pátria dos inimigos no futuro, acompanhando as missões de um ou mais Soldados Intrépidos ao qual você foi designado. Você é um serviçal, mas também um aprendiz: vendo suas ações ousadas e seu sabre mortal, você se prepara para no futuro ser como ele, um homem batalhando pelo Rei e pela Nação!!!

  • Naipes Fortes: Briga, Esgrima, Coragem
  • Posses: roupas militares doadas por seu patrono; sabre de treino; sacola com posses diversas
  • Em seu diário: anotações sobre as ações do Soldado Intrépido; comentários sobre os locais onde passou; registros sobre as normas militares
  • O que você faz aqui: você segue cada passo do Soldado Intrépido, e onde ele está, você vai junto. Provavelmente, ele precisará de um sabre ou pistola para um duelo, e você irá garantir que elas não estejam sabotadas. Ou então pode ser que você tenha perdido seu patrono e esteja andando sem rumo, aprendendo um pouco de tudo.

Menina Levada:

Então uma menina tem que ficar usando tutus e sapatilhas para viver a vida, né? Quão errados eles estão! Você corre mais rápido, arremessa melhor e nada melhor que a maioria dos meninos. Nenhum menino que se meteu a besta com você aguentou o tranco, e você sabe se defender muito bem sozinha. Você até mesmo sabe um golpe ou dois com uma espada, e se um estilingue cair em suas mãos, melhor eles sairem correndo!!!

  • Naipes Fortes: Briga, Coragem, Carisma
  • Posses: Vestido de dia (rasgado nas pernas para ajudar na corrida), roupas elegantes para quando você for à missa ou às festas, estilingue
  • Em seu diário: contos sobre suas peripécias; anotações sobre as bobeiras que os meninos falam; fofocas que ouviu e achou interessante; divagações românticas sobre um Lider da Turma que lhe encantou.
  • O que você faz aqui: alguém está tentando te fazer mal, e você não vai deixar barato; talvez um deles possa lhe ajudar a fazer o que você quer; ou ainda alguém fez algo muito ruim com outras crianças, e você se sente na obrigação de ajudar essas pessoas a salvá-las.

Garoto Inteligente:

Você não é tão forte quanto o Líder da Turma ou a Menina Levada, mas você é os miolos da turma. Quando as pessoas ao seu redor dependem de algo estranho sobre alguma coisa, você é a pessoa indicada. Você leu todos os livros de Júlio Verne e você é capaz de entender como o Canhão Colúmbia funciona. Seu maior sonho é ver uma Máquina Diferencial de perto, e você só é capaz de sonhar sobre  como é entrar no mundo do Realismo Virtual! Todo mundo tem medo de suas invenções, e lendas correm sobre seu Estilingue de Repetição e sobre a Catapulta de Bexigas de Água! E eles que se preparar: se tudo correr bem, seu Reciprocador de Feijão vai dar muita dor de cabeça aos seus inimigos!!

  • Naipes Fortes: Educação, Mecânica, Percepção
  • Posses: cópias surradas de contos de ficção e histórias diversas; uma Diversão Mecânica com os discos de diversão mais recente; cacarecos úteis que podem virar invenções improvisadas; talvez uma invenção feita com caixotes de madeira e elásticos que impressiona pela sua eficiência;
  • Em seu diário: anotações e desenhos diversos sobre trens, carros a vapor e outros inventos; rabiscos de projetos que você pensou (que apenas você entende); cálculos para melhorar os discos de diversão; anotações divagando nas histórias de Júlio Verne; gramáticas e códigos de pseudo-idiomas e cifras que você inventou;
  • O que você faz aqui: você imagina que este grupo tenha coisas interessantes que você pode aprender com eles; um deles pode ser um Cientista (Louco ou não) ou Engenheiro de Cálculo, e você está apostando na chance de tornar-se seu assistente; e se o Líder da Turma ou a Menina Levada estão nessa, podem precisar da sua ajuda com os neurônios;

Romântica incorrigível:

Você é uma sonhadora incorrigível. Você acredita no que é certo e para você O Bem Sempre Vence! Você é doce como o mel e totalmente incapaz de fazer alguém chorar. Seu rostinho angelical é de fazer o coração de qualquer um virar manteiga, e seu sorriso faria até mesmo o Conde von Bismarck vacilar.

  • Naipes Fortes: Carisma, Aparência, Trato Social
  • Posses: roupas fofas, bonecas diversas, livros de fábulas
  • Em seu diário: rimas infantis que aprendeu; histórias de aventuras que viveu; redações infantis sobre pessoas que admira
  • O que você faz aqui: uma aventura está acontecendo e você sabe o que acontece, mas você não tem medo. Essas pessoas ao seu redor irão lhe ajudar e lhe proteger, e você sabe que no fim O Bem Sempre Vence.

Virtuoso:

Desde a primeira vez que você tocou em um piano ou subiu em um palco você soube: sua vida seria a arte. A vida do virtuoso não é fácil: muitos imaginam que você sacrificou os brinquedos da infância pela arte, mas na verdade o palco, o piano são seu brinquedo. E o mundo precisa de mais beleza.

  • Naipes Fortes: Educação, Atuação, Trato Social
  • Posses: instrumento musical OU roupas espalhafatosas, textos teatrais, operas e partituras, roupas elegantes para a Corte
  • Em seu diário: críticas e fotografias de suas apresentações; opinões sobre outros artistas; apontamentos para a Corte; endereço de seu Patrono;
  • O que você faz aqui: o mundo é um palco, e sua arte é mais importante que tudo. Provavelmente um deles seja um nobre ou cavalheiro que pode vir a ser um Patrono; ou simplesmente uma aventura pode aumentar sua inspiração para a temporada.

Dramatis Personae Famosas:

Onde o Anfitrião conhece algumas criança famosas de histórias

  • Cedric Errol, Lord Fauntleroy: Carima[BOM], Aparência[BOM], Situação Financeira[BOM], Trato Social[MED], Coragem[BOM]
  • Huckleberry Finn: Atletismo[BOM], Situação Financeira[FRA], Educação[FRA], Atuação[MED], Furtividade[BOM]
  • Tom Sawyer: Educação[BOM], Contatos[BOM], Trato Social[MED], Aparência[BOM]
  • Mary Lennox (Jardim Secreto): Educação[BOM], Atletismo[BOM], Lendas Indianas[OTI]
  • Wendy Darling (Peter Pan): Trato Social[BOM], Aparência[OTI], Educação[BOM
  • Sally Lockhart: Educação[OTI], Trato Social[MED], Atletismo[BOM], Tiro[BOM]

Exemplos de diário infantis:

Onde o Anfitrião é apresentado à pequena Sabine Füllfederhalter, a seu irmão Werner e a seus amigos Roland Westendorff e Ludwiga von Katzwein

“München, Baviera

15° dia do mês de Março

Ano de Nosso Senhor de 1870.

Hoje estou fazendo 9 anos e, como presente de aniversário, recebi de meu papai esse diário, o qual estou começando. Nele vou falar da minha vida aqui em Alt München, capital do Reino da Baviera, sob o auspicioso reinado do Rei Luiz Segundo da Linhagem dos Wittlesbach.
Meu nome é Sabine Füllfederhalter… Um nome estranho, que já me rendeu muitas chacotas de outras crianças na escola onde estudo. Mas não me importo: meu nome tem um significado bonito. Em nosso idioma alemão, isso significa “caneta tinteiro”, e gosto de pensar que é um sinal de que meu destino quem escreverá sou eu.
Sou a caçula de uma família de sete homens, fortes e de cabelos escuros e bigodes fartos… Não acredito que vá ter bigodes, mas se os tiver, a cor será diferente, pois meus cabelos são muito louros, sendo que puxei para mamãe nesse quesito, como em muitos outros. Tenho um físico um pouco mais frágil que o normal para a minha idade e para a família (Compleição Física[FRA]), mas meus longos cabelos dourados e cacheados me renderam o apelido de “Cachinhos Dourados”, da história do Sir Robert Southey, cujo livro papai me deu no Natal a quatro anos atrás, quando o Rei Luiz derrotou o malvado Conde Von Bismarck com a ajuda das maravilhosas Aeronaves criadas pelo Mestre Rhyme Mestre das Máquinas com a ajuda do estranho Thomas Olan, que dizem terem vindo do futuro, e contando com a ajuda do Mestre Morrolan. de Lady Marianne e de Auberon, Rei das Fadas, ou ao menos é o que ouvi quando Herr Altermann comentou os acontecimentos uma vez que fui comprar pães para o café da manhã. Meu irmão mais velho Christoph confirma a história, mas pede para não contarmos, pois é Segredo de Estado, um Segredo do Rei.
Como disse, sou um pouco mais frágil que o normal, com cabelos longos e cacheados e muito loiros. Meus olhos são verdes e bonitos, puxando mamãe. Na verdade, pelo que vi das fotos, pareço mamãe quando mais jovem: frágil, loira de olhos verdes e bonita. Uma beleza que é ainda mais acentuada pelo fato de que gosto de usar roupas finas e bonitas (Aparência [BOM]).
Meu papai se chama Gellert Füllfederhalter, e é dono de uma pequena empresa fabricante de canetas tinteiro, o que parece predestinação se considerarmos nosso nome. Minha mamãe se chamava Martina Schaltzberg, depois Martina Füllfederhalter. Infelizmente, no momento em que eu nasci, mamãe morreu: papai me disse que ela ficou muito ruim de saúde quando eu estava para nascer e, quando eu nasci, o corpo exigiu demais e ela partiu para o Céu com o Papai do Céu. Como ela já era muito frágil, ainda mais depois de ter 6 filhos, ela já não agüentaria normalmente um sétimo parto e ela foi morar com Deus. Ainda hoje, vejo papai chorando no meu aniversário, e sei que ele se sente um pouco triste porque mamãe morreu quando eu nasci, mas ele disse que ela pediu para que não ficássemos tristes e que lembrássemos dela como ela viveu. E papai me conta todas as histórias sobre como ela era uma atriz sensacional e uma bailarina capaz de causar inveja, uma mente brilhante em um corpo de fada.
Meus irmãos se chamam Christoph, Ulf, Stephan, Ralf, Lorenz e o mais novo deles, Werner. Diga-se de passagem, ele é uma peste, mas não consigo deixar de ajudá-lo e gostar dele. Ele é meu irmão, e acho que no Céu mamãe não ficaria feliz se eu fosse malvada com meu irmão. Depois que nasci e mamãe morreu, papai ficou um pouco cabisbaixo, disse meu irmão mais velho Christoph. Diz ele que Werner ficou um pestinha depois disso, e meio que me culpava pela morte da mamãe. Apesar de tudo, gosto de todos os meus irmãos e vivemos muito bem em uma casinha que parece de conto de fadas, com paredes externas azuis pintadas todo ano, parapeitos brancos e cortinas bonitas por onde o sol brilha todos os dias, flores nos parapeitos da sala e uma lareira quentinha para o inverno. Papai não é muito rico, e já tem mais de 40 anos de idade, mas ainda trabalha com muito orgulho e consegue nos sustentar, ainda mais que agora apenas eu, Werner e Lorenz vivemos em casa. Ralf e Stephan eram mercadores que trabalham entre a Baviera e a Ruritania, e agora Ralf é um ator cômico e Stephan um assistente de cientista, e Ulf e Christoph são Capitães de tropas no 7° e 9° Batalhão de Infantaria do Reino, trabalhando diretamente para o Rei e vivendo muitas aventuras. Estiveram em Königseig e contaram para nós todas as histórias, do grito de guerra do Rei, do desespero que sentiram e de como agradeçeram a Deus quando as nossas Aeronaves destruiram as Fortalezas Móveis Prussianas. Ambos também receberam terras e títulos de nobreza, sendo Barões e podendo frequentar a Residentz do Rei sempre que desejarem. Já estiveram na Inglaterra, na França e viram o Imperador Napoleão II, e já visitaram Hong Kong, onde viram os Imperadores Dragões da China (que realmente são Dragões), e de todas essa viagens me trouxeram brinquedos incríveis movidos a vapor e bonecas lindas.
Somos todos Católicos e vamos todo domingo à missa, junto com nossa Governanta, Madame Luizanne, vinda do Reino da França, onde ela era uma Condessa que teve que fugir depois de assumir que estuda a Doutrina de Alan Kardec, que a Igreja vê com ressalvas. Apesar disso, ela é uma moça bondosa e bonita, com cabelos escuros brilhantes e olhos castanhos e bochechas rosadas, como uma Governanta tem que ser. Alguns bobos na escola dizem que ela é uma Bruxa terrível e que ela vai me matar e me cozinhar em uma Sexta Feira da Paixão às 3 da tarde, que foi quando Nosso Senhor morreu, para oferecer minha alma a Satanás. Meu papai, porém, não acredita, e se ele não acredita nessas histórias bobas dos vizinhos, e se Lorenz e Werner também não acreditam, eu também não acredito. Mais de uma vez nossa Babá e Governanta mostrou a todos que ela é bondosa e caridosa e respeita o Credo e os Mandamentos e os Ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Diz ela que ela foi uma Noviça em uma Abadia em Nonnberg, mas que depois de algum tempo decidiu seguir um caminho cuidando de crianças por toda a Baviera, até chegar aqui. Gosto muito dela, pois ela me protege quando cai raios e quando ouvimos os lobos. Ela cuida da casa e tem feito tudo que mamãe fazia antes de virar um anjo de Deus. E todos os adultos gostam delas, mesmo o pastor dos luteranos von Gratz, que oferece culto a Deus àqueles que não se dão bem com a Igreja. É um culto estranho, mas se o Rei permite, quem sou eu para questionar?
Não tenho muito o que contar, pois sou novinha, como um livro sendo escrito (de novo a caneta!), mas aos 4 anos, entrei para o kindergarten, onde aprendi o ABC e a fazer contas. Lá aprendia tudo muito, muito rápido (Educação [BOM]) e aprendi a respeitar as professoras e os demais coleguinhas. Bem, ao menos não recebi muitas palmadas da palmatória.
Depois da batalha de Königseig, meu pai voltou do local para onde fomos mandados por proteção e eu entrei para a Escola da Srta. Schnell. Lá continuei demonstrando que era esperta: aprendi matemática e latim antes de qualquer garoto e mesmo antes da maioria das meninas. Nunca me dei bem com esportes; embora não fosse um desastre total, meu corpo não me ajuda. Em compensação, outra coisa onde me destaquei foram as aulas de piano, violino, música e teatro (Atuação [BOM]). Embora não consiga tocar as peças mais complexas, já consigo tirar algumas partituras de Valsas e Polcas de Herr Strauss no piano e no violino e sempre toco para as visitas em casa. Papai se esforçou bastante e junto com meus irmãos Christoph e Ulf me deram aos 8 anos um violino e um piano para poder praticar, o que faço todos os dias depois de chegar da escola e fazer minhas lições.
Uma amiga do papai, Fräulein Helga von Schnitzel, é quem me ensina o violino e piano. Ela estudou com mamãe em um colégio interno e conta muitas histórias sobre ela. Já toquei algumas vezes na igreja do bairro e as pessoas gostaram muito. Toquei também na minha Primeira Eucaristia a Ave Maria composta por J.S.Bach. Lembro de que papai chorou copiosamente de alegria e disse que mamãe estaria feliz com o Papai do Céu vendo como eu cresci.
Diferentemente de Werner, não tenho predileção pelas brincadeiras na rua, mas gosto de passear quando não estou estudando nem praticando no violino e no piano. Normalmente são Madame Luizianne e Fräulein von Schnitzel que me acompanham. Antigamente passeava sozinha, mas disse as madames que logo vou ser uma Fräulein, uma moça, e que já não cabe bem uma mocinha como eu sair andando sozinha pela cidade… Não que eu reclame: gosto de passear com elas, e sentir o cheiro dos pães da padaria de Herr Altermann, e das linguiças de Herr Bencke, e das tortas de Frau Dreher. Ainda não posso beber vinho e papai não permite que tome cerveja, mesmo as mais leves. Gosto de ver os brinquedos que Herr und Frau Franz produzem de madeira e os livros da livraria do Herr Rockenbach, onde pego as partituras que papai compra para mim quando preciso. Herr Rockenbach me deu uma vez um livro dos travessos irmãos Max e Moritz. Eu não gostei muito, mas Werner achou hilário.
Minha maior qualidade é que não sou bagunceira: Werner acha que sou certinha de mais e me chama de boba, mas não gosto de muita bagunça. Não sou toda certinha como algumas amigas minhas, que varrem o chão tão logo um grão de poeira caia nele, mas alguma ordem é importante. Além disso, sou bem-educada e não respondo com palavras chulas, como Werner, que teve a boca lavada com sabão por Madame Luizanne. Em compensação, papai me diz que eu não devia ser tão mimada, e que isso pode acabar “me estragando”. Meu humor é ótimo, mas as pessoas não devem ser más com meus irmãos e com minha família e com Madame Luizanne e com Fräulein von Schniztel, porque aí eu fico realmente brava. E quando eu fico realmente brava, faço traquinagens quase tão terríveis quanto a dos irmãos Max e Moritz!
Gosto de me vestir com roupas bonitas e que sejam confortáveis. Não preciso de roupas amplas, mas não me sinto a vontade em roupas que parecem que vão me tornar uma estátua. Se me sinto desconfortável em uma roupa, não consigo ficar quieta, então a melhor forma para eu ficar quietinha é me deixando em uma roupa que eu não fique muito apertada. Sou uma menina dinâmica e romântica, segundo papai, e pelo que Fräulein von Schnitzel e Madame Luizanne dizem, ele está com a razão.
As coisas que mais gosto são os livros que papai me comprou, como Cachinhos Dourados e as Fábulas de Esopo, meu violino e meu piano. Gosto também de Äpfelstrudel, do pão fresco do café da manhã e do cheiro de alecrim que Madame Luizanne coloca todos os dias debaixo do meu travesseiro (ela diz que é para ajudar na memória). Não gosto de pessoas malvadas (como às vezes Werner é) e nem de brigas. Fico muito triste quando vejo os outros tristes: papai me chama de “manteiguinha derretida” quando isso acontece. Gosto de viver a vida e deixar os outros viverem a vida: não sou intrometida e respeito segredos.
De tudo o que eu tenho, o que mais prezo, sem sombra de dúvidas, é o violino que papai me comprou: não é um violino muito caro, mas é muito bom, segundo Herr Schüür, o luthier onde levo meu violino. Acho o nome dele engraçado, parece que a boca da gente trava e é como se tívessemos assoviando, e Herr Schüür concorda comigo, e também acha o nome dele engraçado. Mas aí ele diz: “e quem é você, dona Canetinha, para escrever sobre mim alguma trovinha?” E nós dois rimos à bandeiras desfraldadas. Eu gosto de Herr Schüür.
Para mim, amizade conta acima de tudo: não tenho muitos amigos na escola, embora todos gostem de mim. Maria e Helga talvez sejam as melhores amigas que eu tenho: Maria é boa de esportes e muito forte, pois é filha de um ferreiro e Helga e muito, muito mais graciosa do que eu. Alguns dizem que a mamãe de Helga não é boa companhia, mas Helga não é culpada pelo que a mamãe dela faz de errado. Como disse: não se intrometam com a minha família ou com as pessoas que eu gosto mesmo. Essas pessoas são meu maior tesouro, maior até mesmo que o meu violino. Se pessoas más algum dia seqüestrarem alguma pessoa que eu gosto e me exigirem meu violino, darei de bom grado. Violinos você pode comprar quando quiser: pessoas são únicas.
Se tem um garoto que eu não consigo suportar de forma nenhuma é aquela peste que Werner chama de amigo chamada Dominic Stahl. Ele não sabe nada de nada, não estuda, chega algumas vezes até cheirando mal na escola. Ele é um capeta que não respeita ninguém, assobia na sala de aula e que chegou a colar chiclete no cabelo da coitada da Hannah Tietböhl! Deus, o que será que esse garoto tem que ele não sossega! Mesmo depois de ter levado uma sova da professora no bumbum e ter ficado com chapéu de burro o resto da aula no canto da sala, ele não sossega.
Mas tenho também bons amigas e alguns amigos, como Roland Westendorff. Ele atua conosco nas peças de teatro, e está me ensinando na escola a jogar xadrez, damas, ludo e alguns jogos de cartas. Ele também é um dos poucos meminos que conseguem colocar Dominic na linha, o que ajuda bastante para eu gostar dele.
Eu quero no futuro (Profissional) ser uma musicista famosa em todo o mundo e (pessoal) conhecer locais exóticos como o Brasil (tenho uma tia lá, que mora em um local chamado Pampas e que escreve todos os meses longas cartas para mim) e a China. Quero também me apresentar para o Rei e quero que papai seja bem rico e que Christoph e Ulf sejam generais que protejam a Baviera dos malvados que vivem nos países nossos inimigos. Quero que Stephen seja um cientista, para o que ele está estudando, e (Romântico) quero ter uma família grande e feliz como papai teve com mamãe e quero que todos sejamos muito unidos até quando todos formos para o Céu.
A coisa da qual mais até agora me arrependo é de ter machucado Werner: foi a única vez que machuquei uma pessoa e me assustei muito. Queria pregar uma peça no Werner e fiz “BUUUU!” atrás dele quando ele estava sentado no parapeito da janela do quarto dele! Ele caiu pela janela e se esborrachou no chão e gritou muito de dor… Eu chorei muito e pedi desculpa, desculpa sem parar! Papai viu e ficou muito assustado e nervoso e me deixou de castigo por uma semana e Madame Luizanne me fez usar chapéu de burro o resto do dia e fiquei chorando muito o dia todo, preocupada com Werner e com medo de ter aleijado meu irmão. Não fui desobediente e aceitei os castigos que papai e a Madame Luizanne me impuseram: eu fui malvada e mereci o que recebi. Meu maior medo era que Werner tivesse realmente se machucado gravemente. Graças a Deus, Werner teve apenas o braço envolto em gesso e não teve problemas maiores, exceto ficar alguns meses com o braço daquele jeito. Mas ainda choro muito quando Werner me lembra daquilo, e ele depois pede desculpa, pois eu não queria mesmo que ele se machucasse. Ele sabe que eu jamais faria algo de propósito para o machucar. Até hoje, para lembrar o que eu fiz aquele dia e nunca mais fazer, guardo aquele chapéu de burro, e Madame Luizanne diz que eu faço certo, embora não seja fácil. Como ela diz: “uma mocinha sabe o que fez de errado, e você sabe que o que fez é errado e o fato de você guardar esse chapéu de burro, que fiz você usar aquele dia todo é sinal de que você vai ser uma Fräulein, uma mocinha digna“.
Me orgulho muito de ter tocado a Ave Maria na Primeira Eucaristia. Primeiro porque é uma peça linda e que me lembrou mamãe. Segundo, um segredo que nunca contei a ninguém: eu tenho a impressão de ter visto mamãe na forma de um anjo no meio do coral quando eu tocava a Ave Maria. Havia uma moça parecida com ela nas fotos e que me olhava com um olhar doce enquanto eu tocava. Eu não sei se isso foi verdade ou minha cabeça que ficou meio abilolada de cansaço da cerimônia, mas até onde sei, vi mamãe naquele dia.
Não tenho muito mais o que dizer nesse momento. Sou uma criança que vive em Werlangstrasse, número 4, perto da estação de trem Werlangbahnhof, Alt München, e que passa os dias a tocar seu violino e seu piano, passeando, jogando ludo e algumas vezes fugindo do seu irmão pestinha. Talvez um dia viva aventuras maravilhosas como as das Mil e Uma Noites e da menina Alice ou mesmo a de Wendy que voou até a Terra do Nunca com Peter Pan e enfrentou o malvado Capitão Gancho. Mas até então, vou escrever meu destino como uma caneta está escrevendo essas linhas nessee diário. Afinal de contas, como diz Herr Schüül, já que sou uma canetinha, vou escrevendo sobre minha vida um trovinha.

De sua amiga,
Sabine.


München, Baviera
5° dia do mês de Agosto, 1870


Estou escrevendo isso como tarefa de escola da professora von Hasten. Não quero usar chapéu de burro mais uma vez, e nem da motivo para a chata da minha irmã Sabine para me importunar. Além disso, se eu não fizer essa lição, vou ficar no quarto sem sobremesa por dois dias, então é melhor eu fazer isso logo de uma vez.
Meu nome é Werner Füllfederhalter. Não sei porque nossa família tinha que ter um nome bobo como esse. Todos os meus amigos caçoam de mim, mostrando as canetas tinteiro que usam na escola. Afinal de contas, esse é meu nome no nosso idioma. Somos em cinco em casa: meu pai, Gellert Füllfederhalter, meu irmão Lorenz, eu, minha irmã mais nova Sabine e a governanta, Madame Luizanne. A nossa casa fica na Werlangstrasse, número 4, perto da estação de trem Werlangbahnhof, Alt München. É uma casa comum, pintada em azul claro, com parapeitos brancos e tudo o mais. Não é legal como um castelo de um cientista maluco ou qualquer coisa do gênero. Uma casinha como qualquer outra. Eu durmo em um quarto com meu irmão Lorenz, enquanto papai dorme em outro quarto e o terceiro fica para Sabine e a governanta. Ainda tem três quartos para meus irmãos mais velhos que não moram mais em casa e dois para hóspedes. A casa é grande, mas o piano de Sabine fica na sala, o que é ruim, pois diminui o espaço para poder brincar.
Eu nasci no 4° dia do mês de abril do ano de Nosso Senhor de 1858, filho de Gellert e Martina Füllfederhalter. Meu pai, assim como meus irmãos, é alto, com cabelos morenos fartos e um grande bigode. Eu ainda não tenho barba, mas os primeiros pelos de bigode já começaram a aparecer no meu lábio superior. Tenho os mesmos olhos castanhos de meu pai, e isso me deixa com uma aparência muito comum no nosso país. Quando eu estava para completar 3 anos de idade, mamãe deu à luz à minha irmã mais nova Sabine. Porém, algumas horas depois, devido à complicações no parto, mamãe morreu. Acho que eu não consigo me dar bem com Sabine por causa disso: quando era menor, até uns 5 anos, eu a culpava pela morte da mamãe. Foi quando papai me disse que mamãe já sabia que o nascimento de Sabine seria complicado, e que as duas poderiam ter morrido no parto. E que mamãe pediu para que cuidássemos de Sabine e vívessemos de maneira boa e feliz, respeitando e amando uns aos outros como ela tinha feito. Eu passei então a respeitar mais Sabine.
Como disse, somos em 7 irmãos: Sabine, a mais nova, é uma bobona. Ela é toda cheia dos não-me-toques, como qualquer menina na sua idade. Mas tenho que admitir que ela toca muito bem o piano e o violino, e que ela me respeita como irmão mais velho: podemos não nos dar muito bem, e às vezes chegamos a brigar, mas lembro do dia em que ela falou várias palavras feias para o Rolf von Metersacher, o que por si só já era algo do seu feitio, e quase apanhou dele. Ela provou-se corajosa naquele momento, mas quase fomos surrados pelo Rolf. Quando ele ergueu a mão contra minha irmã, eu vi vermelho: peguei meu estilingue e mandei-lhe uma pedra bem entre os olhos(
Tiro[BOM])! Quando ele então mandou o resto de sua turma tentar me bater, eu parti para cima, e teria levado uma bela surra se não fosse o amigo da Sabine, Roland Westendorff ter nos ajudado. Ele é realmente corajoso para alguém gordinho como ele, e não sei que raios era aquilo que ele estava usando, mas funcionou muito bem: ele parecia uma arminha de brinquedo, mas atirava amendoins mais rápido que um dos reciprocadores dos prussianos!!! Conseguia ver a cara de raiva do Rolf e isso me fazia rir. Não suporto o Rolf.
Meu primeiro irmão mais velho é Lorenz, com 15 anos. Ele é o mais esperto entre nós que ainda moramos aqui: ele está estudando no Instituto de Ensino Científico Real, a nova escola para aqueles que querem se tornar cientistas. Ele sai todo dia cedinho e toma o bonde na frente da Werlangbahnhof e vai até o centro, passando em frente à Residenz do Rei Luiz Segundo, e passa praticamente o dia inteiro lá, estudando. Mas quando ele volta, ele conversa comigo sobre tudo, inclusive sobre como nossos vizinhos são crédulos: eles acreditaram em uma bobagem sobre a Governanta ser uma bruxa maligna que mata crianças em rituais de Magia Negra e que ela é envolvida com Satanismo. Lorenz me explicou que isso se deve ao fato de ela assumir que estuda os livros do tal Alan Kardec, e a Igreja diz que isso é ruim. Porém, a Madame Luizanne já cuidou de metade das crianças da vizinhança, e no fim das contas essas histórias são boatos das velhas que não têm mais o que fazer além de fofocar sobre a vida alheia. Diz Lorenz que viu alguns negócios que pode ser relacionado a Magia, mas ele não acredita nessas bobagens e diz que é tudo superstição de camponês. Eu concordo com ele (
Feitiçaria[FRA]), pois tudo deve ter explicação na vida, ou ao menos é o que diz Lorenz. Ele é quem me ensina a jogar damas, xadrez e whist. Ele estará começando na virada para o Outono a trabalhar no Instituto de Pesquisas Científicas do Reino. Espero que ele trabalhe em algo equivalente ao Canhão Colúmbia dos Franceses para nos proteger dos prussianos e de outros caras maus, mantendo nosso Reino da Baviera um país livre e igual, protegido por Deus e pelo Rei.
Os gêmeos Stephan e Ralf, que têm 18 anos já deixaram de morar aqui em casa, mas continuam morando em Alt München, próximo à Catedral, em um conjunto de casas chamado Schwartzhundplatz. São casas um pouco mais simples, mas os dois precisam morar mais perto de onde trabalham. Ralf é boêmio e um artista cômico que trabalha na Companhia de Teatro de Klaus Strassberg, onde atua fazendo papéis humorísticos satirizando o Conde von Bismarck. Ele até mesmo tem uma prótese falsa que emula a prótese do Conde! Eu já vi ele no palco e é uma coisa hilária, Ele sabe do talento de Sabine para a música e a estimula, mandando cópias das partituras das músicas que usam nas peças para ela estudar. Já Stephan é um auxiliar no Instituto de Pesquisa Científica do Reino. Seu ramo de atuação é a Eletricidade, em especial às teorias de Tesla. Ele me explicou por alto e não entendi muito bem, mas parece que o Rei deseja criar uma Arma Secreta que rivalizará com o Canhão Colúmbia, usando bobinas de Tesla para criar um arco de energia muito poderoso. Ele me mostrou algumas simulações que ele fez em porte muito menor: são legais, mas servem no máximo como brinquedos. Os dois atuavam como negociantes com a Ruritânia para as canetas da empresa do papai, mas com o tempo preferiram seguir seus talentos. Papai entendeu-os e deu-lhes a benção, mas ele não tem como ajudar mais que isso: ele tem que sustentar a nós que moramos com ele.
Já os meus irmãos mais velhos se chamam Ulf, com 20 anos, e Christoph, o mais velho com 22 anos. Os dois trabalham para o Rei em missões secretas. Na última vez que nos visitaram no Natal, tinham acabado de voltar de Macau, onde encontraram os Imperadores Dragões (que realmente são Dragões) para negociar uma forma de resolver em paz a Guerra do Ópio. Ele me falou de monges lutadores que voam no ar quando lutam e são capazes de pegar flechas no ar e aparar tiros com suas lâminas exóticas. Ele me mostrou uma faca estranha que ele ganhou de um desses monges que são aliados do Segundo Compacto (seja lá o que for isso): uma lâmina parecendo o rabo de um peixe, com fio em toda a lâmina à exceção de uma pequena empunhadura. Também me mostrou um bastão que pode ser separado em três partes por meio de correntes e vira uma arma muito estranha. Gosto de ouvir o que eles falam, pois alimenta meus sonhos de batalhar pelo Rei e pela Pátria, em missões pelo Bem e pela Honra. Não tenho medo dos rufiões de Bismarck e dos Lordes de Ferro da Inglaterra e nem dos taís espíritos maus da Faerie. Papai me disse para ser um bom irmão para Sabine e a proteger, e vou usar meu punhos para a proteger se isso for necessário (
Coragem [BOM]).
Sou um pouco mais baixo do que seria para a minha idade na família: minha marca de altura para minha idade fica um pouquinho a baixo das dos demais, à exceção de Stephan e Lorenz. Mas com certeza Sabine vai ficar abaixo de mim, pois ela é muidinha! Sou bem forte e resistente, aguentando muito bem as brigas com as outras turmas da escola (
Compleição Física[BOM]). E se tentam me bater, posso apanhar, mas sempre mando alguém de volta para casa com olho roxo (Briga[BOM]). Papai não gosta da idéia de eu brigar, e queria que me aplicasse mais aos estudos: ele acha que ninguém irá assumir a fábrica de canetas da família. Não que eu não goste de canetas, mas eu quero viver pelo País e pela Glória. Meus estudos não são ruins e não tenho notas vermelhas, mas não sou como Sabine ou Stephan ou Lorenz, e sim mais a Ulf e Christoph: eles me ensinam como esgrimar e lutar quando vêem em casa, e Christoph me mostrou golpes estranhos que ele aprendeu no Oriente, onde passou um ano inteirinho e aprendeu técnicas estranhas de luta com nomes como “Golpe do Deus Macaco” ou “A Dança do Senhor Louva-a-Deus“.
Gosto muito de brincar nas redondezas: existe um bosque onde brincamos de esconde-esconde e reunimos nosso clube, contamos histórias e jogamos damas e cartas. Além disso, vamos pescar no lago e brincamos muito no parque. Sou um bom pescador: toda vez que vamos no lago, trago pelo menos umas três trutas fresquinhas para o jantar, e até mesmo já peguei um belo salmão. Não gosto de ficar em casa, pois não tem coisas divertidas para fazer lá: o máximo que tem para fazer é ler as histórias de Max e Moritz e ver Sabine tocando violino e piano sob supervisão da Fräulein von Schnitzel. Não tem graça ficar lá, portanto fico passeando pelas ruas e brincando com a minha turma. A gente faz algumas traquinagens, como roubar um pão doce da padaria ou coisas do gênero, mas não somos malvados como a turma do Rolf… Talvez o mais capeta de nós seja o Dominic Stalh… Sei que Sabine não gosta dele, mas o que posso fazer? Ele faz tantas traquinagens pois dizem que ele tem ódio de meninas: dizem que ele mora em uma casa onde só tem mulheres e que elas ficam tentando fazer ele usar roupa de menina toda santa vez. Não sei se isso é verdade e prefiro não saber: os últimos que souberam voltaram para casa bem machucados, e Dominic só não mandou gente para o hospital pois nós paramos ele antes. Talvez seja por isso que ele faz tudo o que faz, como ir para escola fedendo e colocar sapos nas bolsas das meninas. Eu não aprovo o comportamento dele, mas enquanto ele respeitar as normas da nossa turma, ele fica.
Todos os Domingos vamos para a Igreja, como Católicos tementes a Deus. Papai faz questão que todos estejam muito apresentáveis, o que no meu caso quer dizer terno, gravata, calções e meias brancas bem limpas, com um chapéu encimando tudo. Não gosto muito dessa roupa, mas não me importo muito: papai não é muito rígido conosco, e se nos comportamos bem na Igreja no Domingo, passamos no Cafe do Monsieur D’arman, que fica em frente a estação Werlangbahnhof, onde papai permite que tomemos nosso café-da-manhã (a gente faz jejum antes da missa) com crepes franceses com geléia e até mesmo com sorvete quando é verão. Podemos pedir também tortas de amora, äpfelstrudel, biscoitos de aveia e café, chá, chocolate quente ou refrescos. Quando papai está de bom humor e é inverno, ele nos deixa tomar chocolate quente com uma leve dose de Schnaps que o Monsieur D’arman faz. Normalmente nosso desjejum é feito em casa, e não temos crepes, embora tenhamos pães, linguiça e queijo. Embora seja muito gostoso, acho mais divertido tomar o café-da-manhã com crepes e äpfelstrudel e café, e ver toda a movimentação dos estrangeiros que chegam até Alt München pela estação, vindos da França, da Inglaterra, do Império da Austro-Hungria e até mesmo de lugares mais exóticos, como o Congo, Macau, Hong Kong, Brasil e Estados Unidos. Todos falam muito engraçado, e às vezes é difícil entender o alemão que eles falam, quando não falam francês, inglês, ou outros idiomais estranhos, como quando alguns monges da China vieram e fizeram uma algaravia estranha de sons quando comeram nossos pratos doces. Meu irmão Christoph, que aprendeu a falar e entender o que eles falavam, me disse que eles comem arroz todos os dias pela manhã, junto com tempeiros estranhos e até mesmo coisas bizarras, como escorpiões e grilos! Talvez seja por ter tantos estrangeiros e eles comentarem sobre coisas estranhas é que gosto dos cafés-da-manhã de domingo no Monsieur D’arman, pois descubro como tem coisas diferentes no nosso mundo, como o Presidente dos Estados Unidos Ulysse S. Grant: ele não é descendente de dinastias, mas ainda assim comanda um país. E, mais estranho, foi escolhido pelo povo: desde o mais ignóbil membro da ralé até os maiores intelectuais votam e a pessoa que tiver mais votos passa a mandar! E cada um tem o mesmo valor no voto, não interessa se é um vagabundo ou um intelectual, um assassino ou um empresário, uma cortesã ou uma noviça! Que coisa estranha! Que país estranho deve ser os Estados Unidos!
Meu irmão Christoph tem me estimulado para seguir o caminho de um Soldado do Rei: ele disse para papai que tenho todos os talentos e que, quanto tiver idade, quer que eu seja seu auxiliar no Exército. Sou honrado, leal e companheiro. Para o bem ou para o mal, meus amigos e família podem contar comigo: mesmo Sabine sabe disse e respeita isso, e apesar de tudo que aprontamos um com o outro, nunca fomos longe demais, e se o fizemos nos arrependemos amargamente. Sabine que o diga: não posso lembrar ela do dia em que ela me fez cair da janela e quebrar o braço que ela chora que nem uma manteiga derretida. Nunca vi papai ou a Governanta ficarem tão bravos com Sabine como naquele dia, e ela mesma sabia que ela foi má comigo. Acho que ela apenas queria me pregar uma peça e não pensou que poderia ter um acidente. Mas doeu muito, muito mesmo, e até hoje meu braço dói de vez em quando por causa disso. Mas não fiquei aleijado, como todos imaginaram. Eu voltei para casa dois dias depois, com o braço em uma tala de gesso, e fiquei vários meses assim. A Governanta sempre me observava e fazia alguns gestos no meu braço… Ela me dizia que estava ajudando o meu braço a se curar com um Encantamento que aprendeu quando era postulante a Noviça em Nonnberg, um Encanto Mágico de Deus que ela usa até hoje. Não acredito nessas superstições, mas algo me diz que isso funcionou: quando fui ao médico dois meses depois, ele mandou remover metade da tala. Dois meses depois, coloquei uma tala diferente, com menos gesso, e duas semanas depois, meu braço estava praticamente novo em folha. Até hoje eu sei que a Sabine guarda o chapéu de burro que a Governanta fez ela usar o resto daquele dia, para lembrar ela de não ser mais malvada.
Se tenho defeitos? A Governanta diz que todos temos e que temos que melhorar continuamente, que apenas Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo foram perfeitos e santos. E santo é uma coisa que definitivamente não sou: não sou encapetado como Dominic, mas faço das minhas traquinagens. A Governanta me faz guardar cada chapéu de burro que uso, como lembrança de cada traquinagem mais série. Ela diz: “
você já é um mocinho, Werner, e mocinhos tem que aprender a se comportar e não ser como burrinhos que zurram e fazem bagunça por onde passam!” Ela também me disse que eu poderia ser mais asseado: não raro volto da rua sujo de terra e lama das lutas e fico o dia inteiro com a mesma roupa. Aí a Sabine vem e diz que estou fedido, e é eu indo para o banho. E tome chapéu de burro E sempre quando isso acontece, alguém da minha turma passa em casa. E eu fico constrangido… Se bem que acho que ela tem razão. As meninas parecem gostar mais de garotos que se cuidam: não precisa ser algo efeminado como o Johannes, mas papai diz que verdadeiros homens têm que saber o que as mulheres querem. Sou curioso pela vida e pelas coisas do mundo: não me interesso por Grandes Maquinações e Mistérios Metafisicos, como alguns de meus amigos.
Gosto de passear por aí, e de doces fritos, e das torradas da Governanta, e dos cafés-da-manhã no Monsieur D’arman. Gosto dos meus amigos, como o Hans, o Roland, o Ulf e o Schmidt… Tem até uma menina que faz parte da nossa turma, a Ludwiga von Katzwein. Ela é uma das meninas mais fortes da nossa idade e briga com qualquer garoto de igual para igual. Se ela se abaixar para pegar uma pedra, todos os garotos sabem que o melhor a fazer é correr que nem um maluco, e AI DE VOCÊ se você for visto pela Ludwiga fazendo maldades a uma menina! Ela vai fazer você voltar para casa com o olho roxo e vai contar para a Alt München inteira. Ela é quase mais menino que muitos meninos que eu conheço. Mas não pense que ela é bruta: ela pode não ser uma daminha como Sabine, mas ela é esperta e conhece as coisas. Ela nunca tirou notas ruins.
Meus melhores amigos, além da Ludwiga von Katzwein e do Roland Westendorff, é o Kaspar Löwe. Ele é meu melhor amigo e companheiro de arruaças: ele vivia nas ruas de Alt München até que foi adotado pela Fräulein Hedwig Löwe. Kaspar é alto e moreno e muito mais forte que a maioria dos meninos da nossa idade, e pratica na escola o Pankration, um tipo de luta grega que o professor Niklos de grego trouxe para a escola, sendo um dos melhores de nossa escola e já tendo vencido rapazes mais fortes e maiores que qualquer um de nós, erguendo-os do solo e os arremessando no chão. Nas lutas de torneios e exibições ele pega leve, mas já vi uma vez ele machucar um outro garoto da turma do Rolf de maneira bem feia. Kaspar não é mal, mas quando fazem algo com alguém que ele protege, como eu e Sabine, ele vê tudo vermelho!
Falando da turma do Rolf, não suporto nenhum deles, mas em especial eu odeio o Rolf von Metersacher. Filhinho de papai, o pai dele é o Condestável do Bairro, que cuida da vigilância daqui. E embora Herr Matthäus von Metersacher e sua esposa Frau Adalfrieda von Metersacher sejam realmente boa gente, o filho único é uma laranja estragada, Ele parece sempre bonzinho e tudo o mais, educadinho… Mas se estiver longe dos adultos, ele mostra suas garras, fazendo o diabo. Ele bate nos menores, rouba doces das crianças pequenas e faz outras muitas maldades. E o pior é que ele consegue sempre escapar incólume, Eu não suporto tipos como ele, e o pior é que acredito que Dominic gosta dele. Não sei dizer se isso realmente está acontecendo, mas se for verdade, eu vou acabar com nossa amizade. Posso aceitar traquinagens, mas como disse Christoph: “
Werner, um homem deve ser sempre um homem, e um homem de verdade, mesmo quando faz o que não é certo, assume seus erros. Essa é a honra e a virtude de um verdadeiro homem temente a Deus!” E acredito que Dominic deve acreditar que vale a pena aprender com Rolf como “sair pela tangente”. A turma dele acha que Rolf é incrível: mal percebe que ele está os usando. Toda vez que ele rouba doces, quem paga o pato é o Alberich ou o Adolph ou qualquer outro da sua turma (e eles são muitos). Em compensação, mais de um deles passou para o nosso lado quando percebeu quem o Rolf realmente era, como o Bodo Kaspian, que é filho de ex-Criméios que fugiram da guerra entre a Rússia e a Austro-Hungria. Quando ele percebeu que estava sendo usado e decidiu que iria contar para o pai de Rolf quem ele realmente era, tomou uma tamanha surra que, se não fosse por mim, Ludwiga e Kaspar, ele teria ido para o Outro Mundo. Sabemos até quem surrou eles: foi o Brüno Nadel, um garoto que é considerado realmente perigoso. Dizem que ele vive na região mais turbulenta de Alt München, é filho de prussianos e que queria tentar matar o Rei durante Königseig. Claro que ninguém conseguiu provar nada: tivessem provado e ele teria sido enforcado como traidor! Por se envolver com caras como esse é que acho Rolf von Metersacher realmente mal!
Se tenho sonhos para o futuro? Sim: quero (
Profissional) me tornar um Cavaleiro do Rei e proteger o nossos belo Reino da Baviera, (Romântico) conhecer uma bela moça como meu pai conheceu minha mãe e ser um marido exemplar como meu pai foi para minha mãe e (Social) ser um leal servo de Vossa Majestade, o Iluminado Rei Luiz, Segundo de Seu Nome, da Linhagem dos Wittlesbach, Rei da Baviera, Vencedor de Königseig e Líder do Segundo Compacto (ou assim menciona meu irmão em suas missivas a mim). Prezo minha família acima de tudo: qualquer um que mexa com minha família vai me fazer ver vermelho, e se algum rufião tentar alguma gracinha com minha pequena irmã Sabine, que Deus dele tenha toda a Piedade, porque provavelmente EU NÃO TEREI!
Alguma posse minha que eu preze? Talvez o meu estilingue: ele é tosco e feio se comparado com os dos outros garotos, mas tem uma coisa que me deixa feliz nele, é o fato de ele ter sido feito por mim. A Governanta, sabendo que meninos são meninos, me ensino como fazer o estilingue e até mesmo me deu os elásticos que ela usava em suas combinações que estragaram (ela pediu para eu não contar isso para ninguém, mas não creio que ela vá se ofender se eu escrever). Consegui cortar o elástico e tirar as farpas do galho que usei usando um canivete que me foi dado de presente por Christoph que o comprou quando ele foi até a Fortaleza Anã próxima, Kazak Corom, e que é feito de prata dos anões. É um canivete caro, segundo Christoph, mas que foi dado a ele de presente quando eles foram ajudar Tomas Olan e fugiram da Caçada Selvagem dos
Unseelie! Mas o estilingue acabou ficando realmente bom, e atira pedras e balões de água mais longe que o da maioria, e é tão leve e fácil de usar que posso atirar mais pedras, mais rápido e com maior precisão que o de todos os outros meninos.
E essa é a vida do futuro herói da Baviera Werner Fullfederhalter, agora um menino de 12 anos como tantos outros, que não nega fazer suas sapequices e guarda cada chapéu de burro que tem que  usar por uma delas. Um menino como tantos outros, mas que ainda vai dar muitas glórias para a Baviera.
No fim das contas… Até que foi divertida essa lição de casa da Professora von Hasten.


Alt München, Baviera
Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1870
19° dia do mês de Outubro


Esse ano temos um projeto especial na Escola que a professora van Hasten nos passou, que é manter até o final do ano letivo um diário com todas as nossas impressões da vida e com isso termos como nos avaliar depois. Como perdi o meu antigo, tenho que recomeçar…
Meu nome é Roland Mätthaus von Tandlendt Westendorff, filho do Capitão Mätthaus von Westendorff e da bela Dama Lena von Tandlendt Westendorff, filha do Conde Sebastian von Tandlendt. Sendo a segunda filha, não temos nenhum direito monástico à exceção de alguma herança que meu pai recebeu de dote e dos títulos vinculados, mas ainda assim não é grande coisa. Papai é nosso sustento, com suas atividades como Engenheiro de Cálculo a serviço do Mui Sereno Rei Luiz, o Segundo de Seu Nome, Rei da Baviera e vencedor de Königseig. Sou o terceiro e último filho, uma vez que depois que minha mãe deu à luz a mim, por algum motivo ela ficou estéril. Tenho apenas dois irmãos: Helmut, um capitão de Aerocruzador civil para o governo, com 26 anos; e Danielle, uma bailarina do corpo de Baile do
Königsballlettheather, o corpo de Baile oficial do Rei, que é uma formosa dama de 21 anos. Quanto a mim, sou o pequeno pirralho de 9 anos de idade que papai chama aos risos de “raspa de tacho”. Eu compreendo-o: fui o último dos filhos dele, e teria idade até mesmo para, dentro de certas circunstâncias, ser seu neto.
Ao nascer, já não era um bebê pequeno, pesando em torno de 3 quilos. Continuei sendo gordinho até mesmo agora aos 9 anos, o que sempre me dificultou nas corridas e nos brinquedos dos outros garotos: não por eu não ser bom nos esportes, mas minha forma física não é tão boa quanto à dos demais garotos, embora não seja muito fora da média, porém (
Compleixão Física[MED]). Em compensação, não abandono meus amigos, mesmo que isso signifique voltar para casa todo machucado (Coragem[BOM]).
Meu pai, como meu irmão, serviram em Königseig, ambos dentro do aerocruzador HMS Königseig: papai auxiliava na manutenção das Máquinas Diferenciais que faziam o cálculo para que as bombas que eram arremessadas sobre as malditas Fortalezas Móveis prussianas atingissem seus alvos, e Helmut como auxiliar de navegação do mesmo. Mamãe, eu e Danielle fomos evacuados, onde conheci Sabine Füllfederhalter e seu irmão Werner, os dois muito amigos, embora Werner às vezes seja um capeta. Sabine explicou o porquê de Werner ser assim: quando ela nasceu, a mãe deles morreu por complicações no parto.
O trabalho de meu pai nessa batalha o colocou em contato com o Segundo Compacto, uma organização secreta que luta contra os prussianos e os Unseelie para espalhar o mal e fazer com que nós seres humanos rompamos o Primeiro Compacto, onde dissemos que não iríamos atacar as fadas e que qualquer um de cada lado que atacasse o outro seria visto tão somente como um assassino, não um guerreiro. Não acredito muito nessas teorias estranhas sobre as Fadas, os Anões, os Dragões e sobre a Magia (
Feitiçaria[FRA]), mas minha irmã comentou que isso é verdade, e que ela conhece pessoas que disseram para ela que isso é verdade. Papai também já esteve em locais muito exóticos, e trabalhou por algum tempo dentro do Nautilus, o submarino a vapor do Pirata Capitão Nemo! Disse papai que os atos deles são terríveis, mas que ele é um homem honrado acima de tudo: “Um dos nossos colegas na Nautilus, um oriental de nome Sho, disse certa vez que a sina dos anjos caídos é tornarem-se demônios, e que na terra dele alguns guerreiros aceitam essa sina para protejerem suas nações. Se isso for verdade, creio que o Capitão Nemo é um homem que sabe que o que faz é errado, e que aceitou a sina de tornar-se demônio frente a Deus para impedir as guerras pela ambição desmedida do Homem.” Não sei se concordo com isso, mas se for mesmo verdade, é de se admirar um homem como Nemo, ainda que não concorde-se com seus métodos.
Desde pequeno não me adaptei aos brinquedos infantis de correr e pular corda. Mas o que Deus me negou no Corpo, me fomentou na Mente: antes mesmo dos 3 anos, já falava e garatujava minhas primeiras letras. Aos 5 comecei a ver papai consertando engenhos mecânicos e Máquinas Diferenciais, e aos poucos fui entendendo o que dizem que a língua com a qual Deus escreveu a criação foi a Matemática! Aos poucos, fui ajuntando sobras que papai abandonava e criando meus próprios brinquedos. Aos 7 anos, construí minha primeira catapulta de pulso: uma colher e um mecanismo de corda adaptados, um carretel de linha usando um fio de alumínio anão, uma chave de corda e um elástico. Rolf von Metersacher foi o primeiro a sentir isso: ele tentou me roubar naquele dia, então peguei a catapulta de pulso e usei ela para atirar uma pedra bem no rosto dele! Ele saiu chorando e isso me custou algumas palmadas em casa de meu pai: “
Roland Westendorff, você nunca, JAMAIS deve fazer o que fez! A Ciência não deve ser usada para ferir, mas para proteger. Você não é um maldito prussiano com cérebro belicoso para sair usando suas invenções para ferir. Admiro a qualidade do seu invento, mas deve ficar bem claro para você que a Ciência é para o Progresso e a Melhoria de Vida do Ser Humano, não para sua Destruição e Submissão!” Depois disso, continuei criando meus projetos, mas apenas para proteção, como fiz com o meu Reciprocador de amendoins: utilizando uma velha flauta doce quebrada, adaptei uma forma de recarregar o garrote de um estilingue com o mecanismo de uma velha pistora Derringer que achei quebrada próxima à estação. Juntando tudo, fiz um pesadelo na terra para os malvados da gangue do Rolf, quando tentaram bater no Werner e na Sabine: os amendoins acertavam eles muito rápidos e eles não podiam fazer nada, e tiveram que correr.
Meus dias são bem simples: acordo às 6 da manhã junto com o papai, quebramos nosso jejum com um pouco de pão, leite quente e mingau e então, quando papai vai para a oficina, eu vou para a Escola. Nós moramos em Lillandstrasse, próximo à Werlangbahnhof, no número 15. A casa parece muito grande, mas na verdade a maior parte da casa fica nos fundos, que entro por uma viela ao lado do 4 da Werlangstrasse, onde moram os Füllfederhalter e sua Governanta, Madame Luizanne. Ela é muito querida por todos, menos pelas velhas fofoqueiras, que dizem que é uma Bruxa que come bebês abortados. Fazer o que? O que podería se esperar de velhas que saíram dos vilarejos perto da Floresta Negra com suas histórias de terror sobre o doppelgäenger e sobre a Branca de Neve e a tal Menina do Capuz Vermelho que foi devorada por um lobo. Existe sabedoria nas coisas antigas? Existe! Mas acho que mulheres como elas deveriam cuidar mais de suas famílias do que julgar os outros pelas aparências.
Como disse antes, aos 5 anos, quando ainda estava no
kindergarten, fiz a Catapulta de Pulso para me proteger dos brigões. Mas isso não foi a única coisa que fiz: dei de presente no aniversário de Sabine uma caixinha de música ao som de polcas de Herr Strauss, utilizando componentes velhos de uma pianola, e fiz um carrinho movido a corda para dar a Werner (Mecânica[BOM]). Já fiz também um motor a vapor para um carrinho de caixote que eu experimentei no parque e me diverti muito, até ele quebrar. No kindergarten eu também tinha muita facilidade com todas as matérias, à exceção de Esportes e Artes (Educação[BOM]). Embora não seja excepcionalmente ruim nas Artes, sou levemente desengonçado (Atuação[MED], Trato Social[MED]), o que não me torna uma boa companhia ao dançar a polca e a valsa. Mas ainda assim, posso atuar de maneira razoavelmente competente nas peças da escola, e posso inclusive fazer alguns bons papéis cômicos.
Agora, na escola, tenho me saído muito bem estudando latim e matemática, e os professores têm se impressionado com meu conhecimento em geografia e história natural. Também sou bom em História e quase todas as outras matérias. O que não me torna muito querido pelos demais garotos: sou muito esperto e isso, obviamente, chama a atenção para as suas deficiências. Então todos tentam me agredir, mas isso vai mudar logo logo, quando a minha Pistola de Alfinetes Tesla estiver pronta: usando uma pequena bateria de eletricidade que pode ser carregada por um mecanismo a vapor simples, ela lançará pequenos alfinetes com uma carga de eletricidade: pequena o bastante para não machucar, mas grande o bastante para fazer doer. Minha idéia é conseguir tempo o suficiente para fugir, mas claro que estou com ela adaptada para uma segunda situação mais arriscada: mudando uma chave, ela irá disparar um arco voltaíco que irá derrubar até mesmo um adulto bem forte no chão! Vi esse projeto em uma revista de ciência e decidi fazer uma tentativa.
Quando volto da escola, fico na Oficina do meu Pai, a
Westendorff Elektrodinamik Apparat und Dampfantrieb Geräte GmbH: fico a maior parte da tarde mexendo com coisas que meu pai descarta e criando alguns brinquedos. Depois vou para o Werlangplatz testar algumas invenções, como um passarinho movido a vapor, ou um carrinho com mecanismo de corda. Alguns inventos, porém, testo perto do lago, em um local isolado, onde corre menos risco de machucar alguém por acidente. Como o que aconteceu com a minha Pistola de Bombas de Fumaça Multi-Função: quando fui testar a Bomba Fedegosa, tinha uma moça passando por perto e ela começou a passar mal do mal-cheiro da fumaça! Foi outra vez que meu pai me deu umas palmadas por ter feito bobagem. A sorte é que isso aconteceu com a Bomba Fedegosa, e não com a Bomba de Confusão: se aquela bolinha laranja tivesse estourado, estaria em sérios apuros!
Alguns dias, porém, gosto de passear e ver os outros garotos brincarem com pipas e piões e afins. Eu mesmo gosto de empinar pipa de vez em quando, mas nunca tive uma: curiosamente eu consigo fazer todo tipo de coisa estranha e maravilhosa como brinquedo, mas não consigo fazer uma mera pipa… Gosto de ver os bufões e os artistas de rua, e gosto de jogar as Diversões Portáteis que papai me deu. Curiosamente, achei um livro que explica como criar sua própria Diversão Portátil e tenho criado algumas: estou produzindo “Guerra de Mundos”, um jogo de guerra similar aos usados pelos soldados para estudo de batalha baseado nos eventos da invasão de marcianos em Londres e em outros lugares. O jogo contará com pontuações e formas de produção equilibrada de tropas. Já ando testando com alguns amigos esse jogo e eles têm gostado muito.
Diferentemente da maioria da vizinhança, no domingo não vamos para a Igreja de manhã: isso pois papai costuma voltar muito cansado no fim de semana do trabalho e ele não está muito disposto para ir à Igreja. As pessoas ficam muito receosas de conversar com a gente, embora tenhamos o hábito de ir à Igreja no horário da tarde. Normalmente de manhã vamos até o Café de Monsieur D’arman tomar café da manhã. É quando papai recebe suas novas revistas sobre invenções e manuais para Máquinas Diferenciais. Eu sempre dou uma pescoçada nesses manuais, e algumas vezes papai me dá os mais antigos. Tenho criado algumas coisas baseadas neles, mas nada ainda funcional, apenas funcionando como brinquedo.
Sou bastante esperto e determinado, o que é muito bom para o trabalho com a Ciência, segundo meu pai diz. Porém, às vezes, sofro com o isolamento das outras crianças: dá a impressão que estou pagando caro demais pelo que sei e pelo que faço. Queria ocasionalmente que as outras crianças não me olhassem como seu fosse um Servo do Adversário Unseelie. Mas estou agora conseguindo me aproximar das demais, conforme entendo que posso fazer coisas divertidas e úteis para todos: estou adaptando um projeto de um certo James Plimpton dos Estados Unidos para patins com rodas, colocadas em sapatos especiais, como nos patins de gelo, para que as pessoas possam andar muito rápido por aí. Consegui criar uma forma simples de fazer e papai fez alguns com os quais saímos por aí patinando. Sabine, Werner, eu e Ludwiga saimos patinando por aí e isso é muito divertido. Embuti também um truquezinho em nossos patins (diferentemente do que outras crianças conseguem fazer): dando uma batidinha da maneira certa, um pequeno motor à corda é acionado que permite que a força aplicada no movimento de patinar seja multiplicada, aumentando a velocidade e aceleração. Claro que isso não deve ser usado o tempo todo, pois isso pode tornar as coisas perigosas!
O que mais prezo é o uso da Ciência pelo Bem da Humanidade, o que explica meu total desprezo aos prussianos: a Ciência não é culpada pelas mazelas da sociedade, mas sim a Ambição e Prepotência das pessoas que usam a Ciência de uma maneira terrível, explorando crianças e mulheres e deixando milhares doentes e feridos! Não é para isso que a Ciência existe! A Ciência existe para amenizar o sofrimento humano, não para aumentá-lo! O que mais desprezo são as pessoas que não são capazes de fazer algo por si próprio: papai sempre me ensinou a pensar por mim mesmo, e correr, e pular, e nunca fugir de uma luta. Vagabundos e fanfarrões, pessoas que não se importam com nada a não ser aquilo que possam tomar dos outros, não são dignos de meus pensamentos. Essas serão as únicas palavras que escreverei sobre elas!
A coisa que mais me arrependo… Talvez foi quando matei um gato por acidente ao atirar uma Bomba de Borracha no teste da Pistola Multi-Função. A força estava muito grande e a bola saiu rápida demais e atingiu o gato. Ele estrebuchou e morreu. Nesse momento, chorei um pouco ao perceber o que papai fala: a Ciência existe para Proteger A Vida, e não Destruí-la. Eu me arrependo de não ter tomado os devidos cuidados, e apenas agradeço ao Senhor Deus que não foi uma pessoa ali. Não dizendo que a vida de um gato não seja importante.
O que mais me orgulho? Minhas invenções; a Catapulta de Pulso, a Pistola Multi-Função, o Estilingue de Repetição, os Patins com Acelerador e por aí afora. Papai me falou certa vez: “
Filho, aplique 100% de você ao criar algo. A função de um construtor, um Engenheiro, um Engenheiro de Cálculo, um Inventor, é criar. Quando criamos, somos como artistas: os materiais são a tinta, as ferramentas os pincéis. Criamos coisas belas que podem ajudar os outros. Por isso um verdadeiro Cientista, um verdadeiro Inventor e Construtor cria coisas pelo Bem da Humanidade. Ao Criar algo, deixamos algo de nós nelas, como existe algo de Shakespeare em Hamlet e algo de Wagner em suas obras. Podemos ajudar a humanidade, mas temos também que ajudá-la a ajudar-se.” Acredito nisso como uma Profissão de Fé. Minhas Invenções não são para machucar, mas para proteger e defender. E esse é meu objetivo.
Meus objetivos para o futuro? Bem, no futuro quero (
Profissional) ser um Inventor Famoso e honrado a trabalhar pelo Rei e pela Pátria da Baviera, (Romântico) ter uma boa Esposa e filhos vigorosos e que tomem seus próprios caminhos orgulhosamente e (Social) fazer com que a Ciência seja uma forma de Promoção do Bem e da Justiça. Cabos Telegráficos, Máquinas Diferenciais, Gravador Abercrombies e outras invenções surgiram de mentes às quais Deus deu inspiração para levar Paz, Esperança, Justiça, Igualdade e Fraternidade a todos. E quero participar disso: quero ser alguém a Promover a Paz pela Ciência, usando o poder de pensamento que Deus deu ao Ser Humano.
Inimigos? Talvez Rolf von Metersacher: ele é irresponsável e covarde, alguém que se esconde atrás de outros, Colocaria aí também, seu “segundo em comando” Anton Bieber, que também gosta de fazer invenções, mas sempre para machucar e prejudicar os outros. Por exemplo, ele criou uma placa metálica que causa choques que machucavam as meninas e faziam elas ficarem despenteadas e outras coisas assim. Ele não é uma pessoa confiável, e vi que ele anda saindo e entrando da floresta com o Brüno Nadel. Pelo que fiquei sabendo, eles estão procurando cobras e escorpiões… Isso não me parece nada bom.
Quanto a Aliados: sempre posso contar com os Füllfederhalter e com Ludwiga von Katzwein. Não sinto nenhuma falta de amigos com eles ao meu lado. Ludwiga e Werner são bons de briga e não fogem do que é certo, enquanto Sabine é uma menina adorável e capaz de fazer até mesmo o Conde von Bismarck chorar, incapaz de maldades a qualquer um. E tem muitos outros amigos na nossa turma: a turma que temos na escola é muito unida e não temos medo de proteger-nos uns aos outros.
Quanto a mim, é assim que vivo: lendo revistas de ciências, brincando com sobras do meu pai e mexendo muita coisa para gerar Ciência que ajude e proteja meus amigos.

 

Alt München, Baviera
Ano de Nosso Senhor de 1870
1° dia do mês de Agosto


Bem, não sou muito adepta de escrever diários, mas a professora von Hasten nos deu uma tarefa especial para esse ano, que é escrever um diário sobre o que fizemos. Já levei um pito dela, então não vou mais dar razão para pitos dela. Então, vamos começar logo de uma vez.
Meu nome é Ludwiga Von Katzwein. Sou a terceira e última filha de Harriet McDonald, uma expatriada inglesa, que teve que fugir após negar os “direitos conjugais” ao Lorde de sua Terra, e do Barão Werner von Katzwein. Parece um nome imponente, mas a verdade é que, à excessão de uma pequena quantia de dinheiro e dos honoríficos, papai nunca teve nada de um Barão: não que ele fosse um beberrão e boa vida, mas se você lia esse título em pensava nele como alguém cheio de não-me-toques, estava redondamente enganado. Ele era um homem forte, risonho e bastante simples. Ele deixa-nos saudade, à mim e minha mãe, pois ele morreu na batalha de Königseig, vítima de uma das bombas de fragmentação das terríveis Fortalezas Móveis dos prussianos. Mamãe chorou por vários dias, mas atualmente voltou a manter uma pequena boutique e salão de beleza.
Eu tenho apenas um irmão vivo, Lukas, que tem 18 anos e atualmente serve como parte do batalhão que fica posicionado no incrível Castelo Falkenstein, construído (diz-se) por magia pelo Lorde Alberon, Rei das Fadas e Aliado de Vossa Excelência o Sereno Rei Luiz, Segundo de Seu Nome, do nosso belo Reino da Baviera. Meu outro irmão mais velho, Thomas, morreu, como meu pai, durante Königseig, metralhado pelos reciprocadores prussianos. Se estivesse vivo, ele teria 23 anos. Foi muito duro para nós.
A nossa casa em si é pequena: embora pareça grande, a casa em Werlangplatz, número 18, é em sua maioria o salão de beleza e boutique de minha mamãe. O andar de cima, que acessamos por uma porta lateral, é um pequeno lar de dois  quartos, sala, cozinha e banheiro. Em um dos quartos, minha mãe dorme sozinha. No outro, durmo eu. Não precisamos de uma governanta, camareira ou arrumadeira: eu mesma arrumo a maior parte da casa sozinha, uma vez que não bagunçamos muito. Nossa casa é simples, com paredes sem papel de parede pintadas de carmesim. Minha mãe tem alguns quadros, que ela mesma pintou, incluindo um belo retrato de meu pai e meu irmão Thomas antes de morrerem em Königseig em nome da pátria. Lembro até hoje as últimas palavras que ele me disse, quando tinha apenas 7 anos e estávamos sendo evacuados: “
Filha, estamos indo para a batalha e talvez não voltamos, mas saiba que estamos indo, eu e Thomas, pois acreditamos no Rei. Ele não voltaria do nada apenas para cometer as sandices que acusam-o de cometer. Ele voltou dos mortos para manter a Baviera um reino de paz. Se não quisermos que aconteça conosco o que aconteceu com a Holsácia, temos que enfrentá-los, não importando se eles possuem armas poderosas ou maiores números. Mas antes de tudo, estamos indo por vocês duas, você e sua mãe: eu sei que ela é capaz de se protejer sozinha e lhe ensinou bem como se cuidar, mas isso é algo que temos que fazer, em nome de algo que vai além de nossa família ou nação: sinto que nosso sacrifício, caso ocorra, não será em vão.
Como eu sou? Bem, não sou bonita. Já cansei de ouvir isso dos meninos e das outras meninas. Na realidade, dizem que chego a ser mais menino que vários dos meninos da nossa classe na Escola (
Aparência [FRA]). Sou alta demais para minha idade de 12 anos (sou nascida em 24 de Dezembro, na Véspera de Natal do Ano de Nosso Senhor de 1857), sardenta, com cabelos ruivos muito grandes que amarro em chiquinhas. Mamãe diz que eu sou muito desengonçada e não tenho o menor traquejo com dança e nem graça social (Trato Social [MED]), o que ela gostaria que eu melhorasse. Mas é difícil quando você é como eu e é provocada direto pelos meninos.
Não sou exatamente estudiosa (
Educação [MED]), mas na realidade não sou má aluna. O meu problema é que eu não aceito desaforo: minha mãe já teve que fugir quando o antigo marido dela na Inglaterra foi morto pelo Lorde da região onde eles viviam porque ele se manteve ao lado dela quando ela negou-se a ceder os “direitos conjugais”, como era a “tradição”. Ela foi acusada de ser a assassina e teve que fugir. Thomas, meu irmão mais velho, na verdade era meio-irmão: eles fugiram por toda a Europa, sempre sendo descobertos por inimigos de mamãe. Foi quando ela conheceu papai em Paris, quando ele estava em missão oficial em nome do Rei. Eles se apaixonaram e casaram: Thomas ganhou um pai, e papai inimigos que o perseguiam. Ele então voltou para a Baviera e pediu dispensas, vivendo de uma pequena livraria, que acabou sendo destruída pouco antes de Königseig por inimigos da mamãe. Ela conseguiu, a muito custo, se livrar do Lorde Guilvere, senhor das terras de Brandwickshire, ao descobrir que ele trabalhava contra a coroa inglesa.
Como disse não sou má aluna, mas não levo desaforo. Por isso, se alguém tenta fazer mal contra mim ou minha mãe, ele pode se preparar para encrenca, pois eu não deixo barato (
Coragem [BOM]). Além disso, sei muito bem como lutar se necessário (Briga [BOM]), o que mamãe acabou me ensinando com o tempo. Ela também me ensinou como usar uma espada (Esgrima [BOM]) e atualmente está me levando aos bosques para me ensinar a atirar (Tiro [MED]). Ela me ensina nos bosques pois não quer colocar outras pessoas em risco. Ela é parte de um clube de tiro, o Schützenverein und Selbstverteidigungstechnikensklub für Damen und Herren, o “Clube de Tiro e Defesa Pessoal para Damas e Cavalheiros” mantido por Herr und Frau Schwartz e eu vou junto nas reuniões do clube aos fins de semana no bosque. Frau Elfriede Schwartz é incrível no tiro, e luta muito bem com o florete, sendo treinada na Esgrima Francesa, além de ser exímia na arte de combate francesa chamada Savate, sendo que ela é uma Luva Dourada, uma das melhores lutadoras de Savate do mundo, e também é uma Professeur. Ela tem me ensinado muitas técnicas do Savate e já me deu minhas Luvas Brancas. No futuro, quero ser como ela e como mamãe, mulheres lindas e que sabem se defender muito bem.
Já Herr Zacharias Schwartz era um soldado do Exército do Rei, até dar baixa depois de Königseig. Foi ele quem nos deu a notícia de que papai e Thomas morreram em Königseig. É um atirador de elite, capaz de acertar uma espingarda um lobo a quase 800 metros de distância, e diz ele que em Königseig conseguiu abater vários soldados prussianos com uma espingarda especial que ele usava no exército com uma mira baseada em jogo de espelhos a quase 2 quilômetros. Ele também atira com arco e flecha, e conhece várias formas de luta, incluindo o Savate ensinado por Frau Elfriede. Ele já não é mais tão forte, e os anos estão lhe cobrando seu preço, mas qualquer rufião que o ver apontando uma pistola contra ele deveria ser aconselhado a NÃO TENTAR NENHUMA GRACINHA ESTÚPIDA!!!
Bem, sobre a escola: realmente gosto de estudar, apenas não tenho tino. Não sou como a irmã de meu amigo Werner Füllfederhalter, Sabine, que é bem obediente e boa aluna. Eu gosto de aprender coisas, não importa se é sobre como dizer “maçã” em latim (que é “pomum”) ou dominar o “
Chassé Italien“, o golpe mais doloroso do Savate, ao menos para os homens. Frau Hedwiga von Hasten não tem do que reclamar do meu comportamento, ao menos em sala. Não sou desobediente, ao menos não mais que a maioria dos demais alunos, e sou bem tranqüila em sala de aula. Normalmente também sou tranqüila fora da sala de aula, quando ando até minha casa e ajudo um pouco mamãe no salão e arrumo a casa, quando não vou para o salão de dança dos Schwartz, onde durante o dia ela oferece aulas de dança,defesa pessoal e, obviamente, Savate.
Mas o Savate é justamente o que uso quando tenho que me proteger dos rufiões que estudam em minha sala e na escola, e eles são muitos, a começar pela turma do filho do Condestável, Rolf von Metersacher. Ele já até mesmo tentou utilizar a influência do pai dele para fechar o Clube de Tiro e impedir as aulas de Savate. Ele acha que porque eu sou uma menina sou obrigada a aceitar a pouca-vergonha que ele deseja fazer comigo! Ele já tentou abusar de uma menina de rua apenas por isso. Eu não deixei barato: ele teve a honra de ser o primeiro a sentir entre as pernas dele a potência do meu “
Chassé Italien” com toda a força que tenho. Ele deveria ter pensado no fato de que já venci o Kaspar Löwe na queda de braço uma vez (Compleição Física [BOM]) antes de sair gritando e chorando como uma menininha. Quem é a menina agora?
Claro que não sou uma bruta que saio espancando todos por aí. Frau Elfriede me ensinou a nunca agredir sem motivo e que Savate deve ser usado para defender e proteger, nunca para atacar. Além disso, sei que assusto pelo tamanho, por ser desengonçada e pelas sardas e pelo cabelo de cor estranha. Por isso, sou gentil sempre que posso, ainda que de uma maneira rústica. Não sou uma daminha como Sabine, mas não sou um monstro.
Meu melhores amigos sem sombra de dúvida são a minha turma: os irmãos Werner e Sabine Füllfederhalter, Bodo Kaspian, Kaspar Löwe, Roland Westendorff, a lista vai longe. Eu não tenho nada para questionar de nenhum deles, desde o pequeno e tímido Bodo até Kaspar Löwe, todos são meus amigos e por eles sou capaz de enfrentar todos os inimigos.
Além dos inimigos “infantis”, por assim dizer, ainda tenho que enfrentar vez por outra caras maus que são mandados pelo Lorde Guilvere contra nós: sempre rufiões, alguns deles orientais estranhos que usam técnicas de combates desconhecidas por mim. Tenho dado conta, sozinha ou com meus amigos, desses caras até agora, mas tenho medo de que eles tentem qualquer gracinha contra minha mãe.
Minha mãe é um capítulo a parte: embora ela atualmente tenha deixado um pouco de lado a parte da luta e se tornado uma “Dama”, existem algumas mulheres de língua ferina que a acusam de todo tipo de baixaria. Talvez algumas das meninas da classe não se aproximem de mim por causa de suas mães, que acham que a minha é uma cortesã que manipulou meu pai para a proteger de um casamento que ela deveria cumprir e não acreditam na história de minha mãe. Talvez por isso elas não queiram que eu visite a casa delas. Mas as famílias Westendorff, Löwe e Füllfederhalter são muito legais conosco, e sempre que estou para baixo posso visitar qualquer um deles. Gosto de medir minha força contra Kaspar e seu pai adotivo, Winter, e gosto de ouvir Sabine tocando piano.
Quanto a igreja: como a maioria de nós bávaro, sou Católica, mas não sou muito de ir à missa. Mamãe não é bem vista na missa, como se ela fosse mais pecadora que a maioria das pessoa… Isso me incomoda muito, muito mesmo, pois ela não é mais pecadora que a maioria. Além disso ela, assim como Madame Luizanne, a governanta dos Füllfederhalter, já fez muito mais pelos demais moradores do nosso bairro algumas das pessoas que apontam o dedo contra elas. Costumo, quando vou à igreja, ir à tarde, junto com os Westendorff. Mamãe já não vai à igreja a muito tempo, pois não consegue lidar bem com a cobrança das carolas. Se bem que nunca vejo elas reclamarem quando estão no salão de beleza da mamãe.
Orgulho-me muito de minha habilidade no Savate. Não me entenda mal: não sou brigona, como já disse. Não sinto prazer em machucar os outros, como o Brüno Nadel. Mas sinto que posso proteger os outros, mesmo sendo uma menina. Não quero machucar ninguém, mas quando tenho que escolher entre uma pessoa querida minha e um estranho que a tente machucar, as pessoas que eu gosto vêm primeiro. Mas isso me leva a me arrepender às vezes por não conseguir ser mais… “menina”… por assim dizer: sinto que as pessoas têm medo de mim, como se eu fosse machucar elas só de encostar nelas. Queria poder ser como Sabine ou como mamãe quando vai aos bailes e compromissos assim… Mas simplesmente não sou assim. Meus defeitos já ficaram meio óbvios pelo que disse: sou muito esquentada e não consigo me controlar quando fazem mal às pessoas de quem eu gosto. Minhas qualidades talvez tenham a ver com isso: tenho senso de justiça, um bom grau de disciplina e sei quando erro.
O que quero para o futuro? Bem, quem sabe (
Profissional) me tornar uma Professeur du Savate como Frau Schwartz e ensinar outras pessoas a terem disciplina e não brigarem e (Romântico) encontrar uma pessoa que possa ser um bom esposo e formar um bom lar. Além disso, gostaria de (Social) ver as pessoas que humilham minha mãe pedindo perdão a ela, pois ela fica muito magoada com todo o mal que eles fazem contra ela.
Bem, não tenho muito mais o que escrever. Pode parecer, mas não sou um monstro ou uma
tomboy, como dizem os americanos que moram no número 14. Sou uma garota comum, ainda que desengonçada e savateuse. Sou como qualquer garota, que vê “O Lago do Cisne” e acha belo, mas infelizmente esse não é o tipo de vida que eu acho que conseguiria viver.

Resumos:

Sabine Füllfederhalter – Virtuosa:
Educação[BOM], Aparência[BOM], Atuação[BOM], Compleição Física[FRA], Vitalidade [4]

Werner Füllfederhalter – Lider de Turma:
Tiro[BOM], Coragem[BOM], Briga[BOM], Compleição Física[BOM], Feitiçaria[FRA], Vitalidade [7]

Roland Westendorff – Garoto Inteligente
Educação[BOM], Coragem[BOM], Feitiçaria[FRA], Mecânica[BOM], Vitalidade [6]

Ludwiga von Katzwein – Menina Levada
Briga[BOM], Coragem[BOM], Esgrima[BOM], Compleixão Física[BOM], Aparência[FRA], Vitalidade [7]

Madame Suzette Luizzanne – Governanta e Magista da Ordem de São Bonifácio:
Educação[EXC], Feitiçaria[BOM], Coragem[EXT], Trato Social[OTI] Vitalidade [8]

Fräulein Martine von Schnitzel – Musicista e professora de Sabine
Educação[OTI], Atuação[EXC], Trato Social[EXT], Aparência[EXC], Vitalidade [5]

Harriet von Katzwein – Nobre refugiada
Briga [BOM], Esgrima [OTI], Tiro [OTI], Coragem [BOM], Carisma [BOM], Aparência [BOM], Feitiçaria [FRA], Mecânica [FRA], Vitalidade [6]

Frau Elfriede Schwartz – Aventureira e Magista da Ordem dos Cavaleiros Templários
Briga [EXT], Esgrima [OTI], Tiro [BOM], Coragem [EXC], Feitiçaria [BOM], Carisma [BOM], Vitalidade [8]

Herr Zacharias Schwartz – Soldado Intrépido e Magista da Ordem dos Cavaleiros Templários
Tiro [EXT], Esgrima [OTI], Briga [BOM], Coragem [EXC], Feitiçaria [BOM], Carisma [BOM], Vitalidade [8]

Kaspar Löwe – ex-Twist
Compleição Física[BOM], Educação[BOM], Briga[OTI], Coragem[BOM], Vitalidade [7]

Brüno Nadel – Twist e Fanfarrão
Briga[BOM], Esgrima[BOM], Coragem[FRA], Furtividade[OTI], Vitalidade [5]

Anton Bieber – Garoto Inteligente e Fanfarrão
Coragem[FRA], Mecânica[BOM], Educação[BOM], Trato Social[BOM], Vitalidade [4]

Dominic Stahl – Pestinha
Briga[BOM], Compleição Física[BOM]. Trato Social[FRA], Tiro[BOM], Vitalidade [6]

Rolf von Metersacher – Pestinha e Fanfarrão
Coragem[FRA], Carisma[BOM], Briga[BOM], Compleição Física[BOM], Vitalidade [5]

 

Um diário vitoriano para Castelo Falkenstein – Matheus Oritz

Olá!

Esse post recupera um antigo diário de um Dramatis Persona (PC) meu de Castelo Falkenstein. Pode servir de inspiração para quem quiser saber como escreve-se um diário em Castelo Falkenstein. Postado originalmente na comunidade de Castelo Falkenstein do Orkut.

Meu Diário – Matheus Ortiz

“São Paulo, Ano de Nosso Senhor de 1870:
Aos 17 dias do mês de Maio, eu, Matheus Cláudio Ortiz, resolvo tomar do papel e da pena para escrever os resultados de minhas andanças por esse belo país que é o Império do Brasil.
Ser alguém como eu, mulato, filho de uma bela mas sofrida mulher e de um pai que, mesmo alforriado enfrentou muitos reconceitos por parte dos ditos “civilizados” é uma coisa que me marca demais, ainda mais quando vejo a casa pequena, mas confortável, que consegui adquirir aqui nessa grande cidade com anos de suor e labuta…
Meu físico é de certa forma mais pendendo ao físico dos europeus, embora em minhas veias corram, com muito orgulho, o sangue africano de meu pai, conhecedor das Ervas e dos místérios das lendas. Meus olhos são escuros, com duas pedras de opala, e meu cabelo, crespo e curto, não nega minhas raízes do povo Nagô.
Meu pai, Tobias Ortiz, ao sair da fazenda aonde foi escravo, encontrou minha mãe, Graça Matias, em uma parada de boiadeiros próxima a Campinas, ponto de parada das tropas que subiam e desciam o Brasil, levando o charque e as preciosas boiadas do Sul para o Norte e vice-versa. Após isso ele, anteriormente boiadeiro, aproximou-se de minha mãe e eles se casaram, tendo dois filhos: eu e a jovem Marta.
Minha mãe morreu pouco depois que eu nasci, vítima da tuberculose, e aos quinze anos, foi a vez de meu pai perecer, ao contrair a terrível Febre do Sertão. Fomos então recebidos pelo antigo dono de meu pai, um homem mui consciente e cristão de nome Amadeu Ortiz. Marta foi para o Rio de Janeiro estudar com outras jovens (diferentemente de mim, que tenho uma pele cor do jambo, ela é alva como o leite), enquanto eu fui enviado para estudar em São Paulo.
Minhas excelente notas (Educação [EXC]), aliadas ao meu bom comportamento social (Trato Social [OTI]), garantiram-me uma vaga em uma Faculdade em Lisboa, financiada por um rico fazendeiro com interesses em montar indústrias no Brasil. Lá, fui sempre muito querido pelos meus colegas de classe, fossem pessoas menos favorecidas como eu, ou mais favorecidas, como vários de meus rivais (Carisma [BOM]). Aos poucos, fui entrando em contato com a Engenharia de Cálculo, que muito me interessou pelas possibilidades que oferece no caso de bom uso da mesma (Mecânica [BOM]). Além disso, tinha uma certa popularidade nas peças teatrais e saraus realizados em Lisboa. (Atuação [BOM]). Por outro lado, nunca fui um adepto da violência como forma de resolver os problemas e, embora tenha empunhado a espada uma vez ou outra, nunca desenvolvi o menor talento para duelos (Briga [FRA], Esgrima [FRA], Tiro [FRA]) o que, em Lisboa, me colocou em desvantagem contra meus rivais, mais tendentes a resolverem suas desavenças através das armas.
Em Lisboa tive meus primeiros contatos com o que viria a ser conhecido como o Segundo Compacto, através de uma palestra de Lord Kelvin, conhecido físico e matemático que muito me fez pensar. De imediato, pesquisei muito sobre várias informações que o mesmo deixou escapar nas entrelinhas, e acabei compreendendo a gravidade da situação. Um de meus rivais, deveras, de nome Alexander Von Dachau, passou a me provocar com mais intensidade, o que me mostrou os perigos de uma sociedade dominada por homens como Von Dachau. De fato, acabei me tornando parte do Compacto, tendo alguns contatos aqui e ali com quem passo a saber mais sobre essa tão importante sociedade (Contatos [BOM]).
Depois de formado em Lisboa, e já de certa forma iniciado na Engenharia de Cálculo e no Segundo Compacto, resolvi que seria deveras mais útil voltar para o Brasil, aonde meu tutor e o industrial que me apoiaram, e ainda me apóiam (ambos muito conscientes e cristãos, donos de espíritos esclarecidos) poderiam me ajudar a fomentar contatos mais amplos, de forma a levar adiante a mensagem do Compacto até o mui esclarecido Imperador Dom Pedro II. Porém, alas, algo aconteceu durante o processo, em que meu tutor perdeu tudo o que tinha: infelizmente, embora muito trabalhador e esclarecido, detinha um vício no jogo que era perigoso. Com dificuldade ele conseguiu reaver o que tinha, mas não sem antes dar sua própria filha, a bela Maria Antonietta, como esposa a um crápula de nome Klaus Von Tandelheim, que acredito ter “interesses escusos” no Brasil. Acredito que ele é que esteja barrando meus recentes esforços de levar as palavras do Compacto ao Imperador: não menos de uma vez ele me declarou indigno de confiança diante de toda a sociedade, tanto paulista quando carioca, pela minha cor. Creio que Tandelheim é um agente prussiano, mas não posso provar.
Se posso me descrever em palavras, creio que minhas principais qualidades e defeitos são exatamente os mesmos: franqueza, caráter e determinação. Não consigo me pensar agindo de outra forma, mesmo levando-me à ruína através dessas ações.
Não sou adepto de roupas caras e de futilidades semelhantes. Quando em serviço (e trabalho bastante, já que são pouquíssimos os Engenheiros de Cálculo do Império, e o Imperador vem usando nossos serviços deveras) visto-me com as roupas mais simples que puder vestir e uso boinas semelhantes às dos recém-chegados italianos, desse modo poupando custos na manutenção das mesmas: ao optar por roupas mais simples que são mais fáceis de lavar e engomar, posso me manter aprumado e ainda assim não gastar muito. Minhas roupas, mesmo fora de serviço, são espaçosas e com muitos bolsos. Porém, mesmo mexendo com todo tipo de óleos e graxas no meu serviço, procuro deveras estar sempre o mais limpo e bem-aprumado que puder. Sou uma pessoa franca e direta: talvez tenha herdado isso das minhas discussões de Marx e Engels. Tenho certa atração por suas filosofias e ideais, mas seus métodos rudes me afastam de outros com tal pensamento.
Gosto muito de ler sobre filosofia – as idéias de Marx, mesmo com sua posição radical, me atraem, devo confessar – e sou uma pessoa que não dispenso uma boa comida caseira – se posso dizer que herdei algo de minha mãe, foi a boa mão na cozinha. Respeito a honra e a franqueza, mesmo em meus inimigos. Abomino, com todas as forças, a dissimulação e o preconceito, essas coisas torpes e vis que tanto prejudicam a humanidade. Outra qualidade e defeito meu é que sou deveras prolixo, ou, no popular, sou um tagarela. Deveras, mesmo na minha infância meu pai falava que eu era igual a uma “matraca de Dia de São João”.
Meu maior bem são meus amigos: sou capaz de me sacrificar por aqueles a quem devoto minha amizade já que são poucos. Meus maiores inimigos são Klaus Von Tandelheim, que várias vezes tentou me tirar do meu trabalho autônomo, procurando me barrar de todas as maneiras, seja com seus contatos – tolhendo-me dos materiais que necessitava para os meus reparos – seja através de rufiões bem pagos para manterem o bico calado – e MUITO bem armados de armamentos estranhos, de uma tecnologia totalmente alienígena para mim -, e Alexander Von Dachau, que creio estar agindo em conjunto ou ser o “patrono misterioso” de Von Tandelheim.
Meus aliados, porém, sempre me ajudaram: conto com a ajuda da divina Chiquinha Gonzaga – mui linda, que balançou já vária vezes o coração desse que escreve e que já teve a honra de muitas vezes lhe fazer a corte – e do sábio Rui Barbosa – de quem, embora discorde em muitos pontos, tenho nutrido grande camaradagem. Além disso, possuo os vários contatos do Segundo Compacto e alguns amigos entre os Anarquistas – gente que não adota a metodologia mais radical dos mais jovens – e principalmente entre os recém-chegados Anarquico-Sindicalistas italianos.
Apesar do que pode parecer, o industrial que tanto me ajuda, Rodolfo Fernando Guimarães, é mui esclarecido e sabe que os Anarquistas apenas querem boas condições e emprego e salário, o que, ele sendo esclarecido, não tem dificuldades de suprir. Talvez meu mais forte amigo e aliado atual, ele é um visionário, um homem à frente de seu tempo, que a nada deve a homens como Proudhon e Owen. Sinto-me honrado em trabalhar ocasionalmente para um homem como ele, de caráter e íntegro…
Infelizmente, embora seja um homem bem cotado na corte, graças à minha cor e à minha dedicação no trabalho, não tenho me envolvido com ninguém amorosamente. Ocasionalmente faço a corte a uma ou outra mulher, mas nada permanente. Tenho uma certa atração por Chiquinha, mas creio que o coração dela pertence a outrém. Desse modo, por mais doloroso que seja, creio que é sábio eu me afastar dela, permanecendo apenas um bom amigo, e não pressionando. Acredito, e a minha vida provou isso, que tudo é uma questão de dar tempo ao tempo.
Minhas metas na vida são (Profissional) ser o melhor Engenheiro de Cálculo do Império do Brasil, (Social) dar a pessoas de semelhante origem que a minha oportunidades de crescerem na vida e (Romântica) ter uma família boa e feliz, sendo um esposo adorável, justo e digno do respeito de minha esposa, como meu pai sempre foi com minha mãe.
Se posso dizer que me arrependo de algo, foi de não ter estado ao lado de meu pai no seu leito de morte: de fato, me culpo até hoje desse fato e ocasionalmente pego-me acordando de madrugada após ver o meu pai, em rigor mortis, me questionando “Porque me abandonou, filho?”.
Mas graças a meu pai ganhei o espírito de luta que fomentou meus estudos e fomenta meu trabalho, e creio que ele, na Casa do Senhor, deve estar orgulhoso de que seu filho, mulato como era, brasileiro, pobre, estudante bolsista, conseguiu notas altas ao ponto de ser escolhido, entre os de sua turma, para ser Orador de sua formatura como Engenheiro Mecânico em Lisboa. Claro que esse espírito de luta é uma das coisas das quais mais me orgulho, e tal evento serviu apenas para que eu tivesse mais orgulho de ser o que sou.
Depois de uma temporada de serviços bem sucedidos em vários locais do Brasil, acabei fixando-me em São Paulo por algum tempo, comprando uma pequena casa próximo à Avenida principal (conhecida como Paulista). Recentemente, porém, recebi uma carta de Rui Barbosa, que demonstrava-se deveras preocuupado com um grupo de Escravocratas de Minas que procura derrubar as leis que protegem pessoas como eu de serem novamente escravizadas. Na mesma missiva ele pedia minha ajuda, pois ele tem visto movimentos estranhos de Von Dachau e Von Terlenheim que, segundo eles, vêm adquirido equipamentos estranhos por meios escusos… Ele acredita ser algum tipo de Dispositivo Infernal semelhante a uma Máquina de Cálculo, mas deveras mais poderosa… E perigosa, em mãos erradas.
E claro, se isso for verdade, não vou deixar pulhas como esses dois utilizar a maravilhosa descoberta de Babbage e Lady Lovelace para provocar o mal e tirar das pessoas a liberdade! Por isso mesmo, já estou empacotando meus pertences para me mudar para o Rio. Minha irmã, agora casada com um comerciante bom de vida, já providenciou uma casa aonde poderei morar e manter meus estudos. Além disso, terei meu próprio telégrafo particular, o que será útil, ainda mais agora que Von Dachau e Von Terlenheim decidiram mexer seus pauzinhos.
E que Deus me ajude nas minhas empreitadas que virão, pois creio que elas serão deveras tortuosas..

 

ATENÇÃO: O sobrenome desse personagem vitoriano (Matheus Ortiz) deve-se ao fato do pai ter recebido o sobrenome de seu antigo dono.

Inimigos

Alexander Von Dachau

 Engenheiro de Cálculo e Agente Prussiano

Carismático, mas frio como o gelo, não permite que nada e nem ninguém interfira em seus objetivos.

Situação Financeira [EXC], Mecânica [BOM], Coragem [OTI], Esgrima [OTI], Educação [OTI], Tiro [BOM], Briga [BOM], Atuação [BOM], Contatos [BOM], Carisma [BOM], Trato Social [FRA], Feitiçaria [FRA], Furtividade [FRA], Percepção [FRA]

 Klaus von Tendelheim

 Nobre Prussiano, Magista do Templo de Rá

Por fora, um nobre e galante cavalheiro… Por dentro, um homem sem escrúpulos, embora não consiga agir quando a situação aparenta ser ruim para ele.

Aparência [OTI], Coragem [OTI], Trato Social [OTI], Feitiçaria [OTI], Esgrima [BOM], Tiro [BOM], Compleição Física [BOM], Educação [BOM], Situação Financeira [BOM], Coragem [FRA], Mecânica [FRA], Briga [FRA]

Aliados

Rodolfo Fernando Guimarães 

Industrial, Embaixador

Um articulador de forças, um dos poucos homens capazes de unir “os homens de boa vontade” em um momento difícil como esse. Realista e dedicado à sua causa de paz, jamais empunhou uma arma.

Contatos [EXT], Educação [EXT], Trato Social [OTI], Aparência [EXC], Situação Financeira [EXC], Percepção [BOM], Feitiçaria [FRA], Esgrima [FRA], Tiro [FRA], Mecânica [FRA], Medicina [FRA]
Amadeu Ortiz
Fazendeiro Falido, Comerciante, Nobre

Apenas uma sombra do que já foi, mas ainda contando com alguns bons amigos que o ajudam não importa o que aconteça, é um homem vivido, sábio e esclarecido. Sua perdição: o jogo.
Contatos [OTI], Educação [OTI], Trato Social [OTI], Aparência [BOM], Situação Financeira [BOM], Compleição Física [FRA], Coragem [FRA] 
Marta Ortiz
Irmã de Matheus, Nobre

 

Uma das aias da Rainha, Marta é também um dos mais fortes contatos de seu irmão na corte. Delicada e requintada, porém capaz de lançar bravatas tão venenosas quanto as presas de uma cascavel.

Trato Social[EXT], Contatos [EXC], Aparência [EXC], Atuação [OTI], Carisma [EXC], Educação [BOM], Coragem [FRA], Briga [FRA], Compleição Física [FRA], Esgrima [FRA], Tiro [FRA]

Resumão sobre Castelo Falkenstein

Um repost antigo de um site meu, e que foi publicado originalmenta na Spell Brasil.


Bem, vamos então a uma explicação mais-ou-menos sobre Castelo Falkenstein:

O que é?

Castelo Falkenstein é, como ele próprio se define, uma “aventura vitoriana”. Basicamente, CF usa como ambiente aqueles livros de romance vitoriano, coisas como Sherlock Holmes, Agatha Christie e …O Vento Levou. Ele conta com a magia e as criaturas fantásticas em um porte em que eles

interferem no dia-a-dia.

Cenário:

A Época Vitoriana de Castelo Falkenstein é fervilhante em inovações e Ciência (Ciência com C maiúscula: aquela com grandes chaves e manoplas e máquinas de Tesla e tudo mais que você vê naqueles filmes trash de Frankenstein), ao mesmo tempo em que fervilha em agitação social e intriga entre países. Grandes Impérios ainda tem grandes embarcações cruzando os mares.
A Magia é presente no dia a dia: grandes Maçons e Illuminados participam ativamente na sociedade, enquanto a Ordem de São Bonifácio cura os doentes e exorcisa os demônios e os Teosóficos dedicam suas vidas a meditação e a uma vida mais simples. As criaturas fantásticas, como as Fadas, os Knockers e os Daoine Sidhe, participam no dia-a-dia nas mais variados setores: do mais bravo Hussardo até o escavador e mineiro, passando pelos sapateiros e Damas, em todas as camadas da sociedade podem ser encontradas as Fadas e os Magos.
Mas não pense, jovem dandi, que exista apenas o bem: o Mal (com M maiúsculo também) está ao seu redor. Das crianças que roubam para um Fagin até os grandes Gênios do Crime, o mal e a decadência ocupam todos os lugares do mundo!

A Época Vitoriana de CF é bem parecida com a nossa, mas com algumas diferenças:

  • A Magia torna as coisas mais complicadas;
  • As Criaturas Mágicas atuam na sociedade, usando-a para seus interesses;
  • Os Anões usam suas habilidades para construirem Ciência acima do normal;
  • As Mulheres são mais emancipadas do que na nossa sociedades;
  • Personagens fantásticos e reais convivem lado a lado: você pode muito bem encontrar Júlio Verne, Sherlock Holmes, o Príncipe Bertie da Escócia, Van Helsing e o Capitão Nemo em um bar em Berlin e auxiliá-los na luta contra os planos sujos de Bismarck e de Drácula (é insólito, mas é muito COOL!!!)

SISTEMA DE REGRAS:

Duas curiosidades sobre o sistema de regras de CF:

  1. Não são usados dados (apenas a Ralé joga dados, na concepção vitoriana) e sim cartas;
  2. Não é usada ficha de personagem, e sim um diário com a evolução e os feitos do personagem sendo registrados aos poucos (a ficha de personagem fica como um opcional a ser construído pelo Mestre, ou melhor, pelo Anfitrião);
A mecânica do jogo é simples: todos os jogadores mantêm uma Mão da Sorte, quatro cartas que eles podem usar para fazerem seus Feitos Heróicos. E todo personagem possui certas Habilidades, que dizem o quão bom ele é em certas coisas (as Perícias). Quando um personagem precisa fazer um Feito, o Anfitrião deve anunciar a dificuldade.
Depois, ele pode aplicar cartas dessa mão para elevar seu nível na habilidade até acertar o Feito (ou melhorar o nível de sucesso do Feito, ou impedir um desastre total):

Exemplo: Krista Häagen é uma Atriz e Espiã do Reino Bávaro. Recentemente, um de seus contatos lhe informou que o embaixador bávaro em Viena está ameaçado de morte e que ela precisa protegê-lo. Ela desce até Viena e descobre que o plano é matar o Embaixador durante o Baile de Máscaras da Guilda dos Manufatureiros, de forma a culpar os Anarquistas seguidores de Karl Marx pelo fato, sendo que o assassinato será executado na verdade por Fadas da Corte Unseelie ligados a Bismarck. Krista então precisa de ingresso para o Baile para ela e para seu parceiro, o Magista Illuminado Giulliano Manfredini, para poder impedir que algo aconteca ao Embaixador. Ela sabe que custa caro, mas dinheiro não é problema para Giulliano, que tém uma Ótima (Nivel) Situação Financeira (Habilidade), mais do que a Boa (Nível) Situação Financeira que o Anfitrião estipulou como necessário. Porém, a Festa é apenas para Convidados (apenas Convidados poderão comprar os ingressos), então Krista decide “fazer seu caminho” por entre os círculos sociais de Viena para obter o Convite para o baile. O Anfitrião define como um Feito Excepcional de Trato Social fazer tal caminho. Giulliano teria problemas, pois, não tendo Trato Social no seu Diário, ele a tem em nível Médio, mas para Krista não há problema, já que ela tem um nível Ótimo em Trato Social.

Agora vem a mecânica do Teste: cada nível está associado a um número de pontos, chamados em CF de Valor Facial (VF), que é usado para determinar a dificuldade dos Feitos e o quanto o personagem tem de chance de executar o Feito, e cada Perícia é associada a um naipe do baralho, como abaixo:

Valor Facial:

  • Fraco – 2
  • Médio – 4
  • Bom – 6
  • Ótimo – 8
  • Excepcional – 10
  • Extraordinário – 12

Naipes:

  • Copas – Atividades Emocionais e Românticas
  • Ouros – Atividades Mentais e Intelectuais
  • Paus – Atividades Físicas
  • Espadas – Atividades Sociais e Relacionadas com o Status.
O personagem, como dito acima, pode usar uma ou mais cartas de sua Mão da Sorte para turbinar seu Feito. Agora, a pegadinha: apenas cartas do mesmo naipe que o da Perícia contam seu valor total – outras cartas somam apenas um ponto ao Feito. Os números valem normalmente, o Q (Rainha) vale 11, o J (Valete) vale 12, o K (Rei) vale 13 e o Ás vale 14 pontos. Os Curingas valem 15 pontos em qualquer Naipe. O Anfitrião também pode colocar cartas de sua Mão da Sorte (ele PODE ter a sua Mão da Sorte), se assim desejar, para dificultar a vida dos Dramatis Personae (como são chamados os Personagens, PCs ou NPCs de CF)

Vejamos no exemplo como é resolvido um teste desse:

A jogadora de Krista, Adriana, têm em sua Mão da Sorte: Rei de Ouros, Ás de Espadas, 10 de Paus e 4 de Paus. Sendo uma Habilidade Social, Trato Social tem como naipe Espadas. O nível de Krista é Ótimo, valendo 8 pontos. Ela precisa de 10 pontos ou mais, já que o nível definido para o Feito era de Excepcional. Ela poderia colocar o 4 e 10 de Paus e somaria pontos suficientes para resolver a parada, mas como Adriana acredita que é mais importante resolver isso agora (senão Krista não conseguirá ir ao baile e o Embaixador será assassinado), ela decide queimar o Ás de Espadas, totalizando 22 pontos em Espadas (14 do Ás + 8 do Valor Facial de sua habilidade). O Anfitrião decide ajudar Krista, e coloca um 9 de Ouros, aumentando o Valor Facial do feito para 11 (10 do Feito + 1 pela carta – lembre-se que é um 9 de OUROS, ou seja, não conta com seu Valor Facial completo!).

A Resolução do teste depois passa pela avaliação do nível de sucesso:

  • Nível do Personagem menor que metade do Nível do Feito: Trapalhada – o equivalente de CF a uma Falha Crítica;
  • Nível do Personagem menor que Nível do Feito: Falha – uma falha simples:
  • Nível do Personagem igual ou maior que o Feito: Sucesso Parcial – um sucesso simples;
  • Nível do Personagem igual ou maior que uma vez e meia o Nível do Feito: Sucesso Completo – uma espécie de “meio Sucesso Decisivo”: é uma circunstância que não é um Sucesso Decisivo real, mas é quase isso;
  • Nível do Personagem igual ou maior que duas vezes o Feito: Sucesso Decisivo – auto-explicativo;

Vejamos agora a avaliação do nível de sucesso do teste de Krista:

O Anfitrião da partida, Claúdio, então avalia o sucesso de Adriana em fazer Krista “fazer seu caminho” na sociedade Vienense: ele estipulou um nível Excepcional (10) e fechou o Feito com um 11. Adriana tinha um Ótimo em Trato Social (8), e somou um Ás de Espadas (14), totalizando 22 pontos. Como 22 é o dobro de 11, Adriana acertou um Sucesso Decisivo para Krista: ela não somente “fez seu caminho”, mas é considerada agora uma espécie de “revelação” na sociedade vienense. Como Krista fez isso fica por conta de Adriana descrever: talvez tenha participado de um Sarau e conseguido chamar a atenção com seu requinte e sofisticação, ou deu uma Soirèe e conseguiu trazer um Lorde Dragão para ela…

Combate:

Existem duas mecânicas de combate:

Combate simples:

É feito através de resoluções de Feitos Opostos (aonde um jogador deve obter mais pontos que o outro) de Tiro, Esgrima ou Briga do atacante (ou outras perícias que ajudem), contra Atletismo do defensor (ou outras perícias que ajudem). Simples assim. Dependendo do nível de sucesso, o dano é calculado e aplicado. Veremos mais para frente uma resolução de combate e dano.

Duelo:

É uma mecânica mais complexa, mais voltada à interpretação do que às regras “per se”. O mecanismo é complexo, mas suficientemente amplo para envolver duelos de espadas, socos, tiros, xadrez, magia…

Saúde e Dano:

O quanto um personagem pode agüentar de dano sem desmaiar é determinado por uma tabela (CF, pág. 188 ) baseado nas Habilidades Coragem e Compleição Física:
Exemplo: Krista e Giuliano encontram dois Papões (Fadas assassinas dos Unseelie) que iriam tentar matar o Embaixador e entram em combate com ele. Krista possui Compleição Física Média (ela não é fraca, mas não é especialmente forte) e Coragem Ótima (ela é capaz de agüentar muitas coisas), ossuindo 7 pontos de Vitalidade. Já Giuliano possui uma Compleição Física Fraca (ele não é de briga), mas em compensação possui um Coragem Ótima (ele já viu coisas que até Deus duvida), possuindo 6 pontos de Vitalidade. Os Papões possuem Compleição Física Ótima (são bombados…), mas sua Coragem é Fraca (eles podem ser intimidados com facilidade), o que lhes dá também 6 pontos de Vitalidade.

O dano é aplicado de 3 formas:

  • Choque: é aquela coisa da pobre donzela desmaiar por causa das palavras rudes do rufião… Um choque deve ser anotado como um C (em qualquer lugar… o cantinho do Diário ou da Ficha servem muito bem para isso), e leva-se um minuto para recuperar-se um C. Apenas Donzelas (personagens femininos de Coragem menor que Boa) podem sofrer Choque;
  • Pancadas: dano por contusão. São marcados com um P e leva-se uma hora para recuperar-se um P;
  • Ferimentos: dano por perfuração/corte. São marcados com F e leva-se uma hora para curar-se um F tratado por magia (não, nada de cura instantânea em CF), um dia para curar-se um F tratado normalmente, ou uma semana para curar-se um F não tratado;

Inconsciencia e Morte:

Quando um personagem recebe um número de “letras de dano” equivalente ao seus pontos de vitalidade , o personagem cai inconsciente. O Anfitrião tem a opção de usar a Regra da Bola Preta: ao cair inconsciente e ao ser atacado cada vez após isso, o jogador deve sacar uma carta do Baralho da Sorte (o Baralho de cartas comum de onde os jogadores compram e recompram cartas para suas Mãos da Sorte). Se tirarem uma carta de Espadas, o personagem foi mandado para o Outro Mundo e o jogador pode criar um novo personagem (o que em CF não é difícil: veremos mais abaixo um exemplo). Senão, o personagem continua vivo.

Matar alguém em CF é a coisa mais fácil de ser feita: depois que você pegou o rufião e lhe deu uma boa sova até que ele caiu inconsciente, pode ensinar à corja dele com que eles estão lidando dizendo penas “Eu mato ele!”. Sem testes… Mas com muitas implicações morais…
Vamos agora ver uma resolução de batalha completa:

PS: Nesse exemplo não estarei considerando dano extra a fadas por armas de ferro ou aço, pois traria confusão no exemplo. Informações sobre isso podem ser encontradas em CF 173 (página 173 de CF).
Krista e Giuliano encontram os Papões (Giuliano percebeu magicamente a aura de Glamour que eles deixaram por onde passaram). Após algumas trocas de palavras rudes com os Papões e um gesto grosseiro com os dedos feito pelos Papões, os quatro partem para a batalha. O Anfitrião pede uma iniciativa, feita por uma regra não-oficial: personagens de Percepção mais alta agem primeiro, seguidos pelos de Percepção mais baixa, com Percepções iguais agindo juntas. Krista possui Percepção Ótima (os arredores não são problemas para ele). Giuliano não é tão bom, possuindo apenas uma Percepção Média (quebra o galho em uma briga ocasional, mas…). A sorte de Guiliano é que os Papões também possuem Percepção Média. Portanto, Krista aje primeiro, seguida pelos Papões e por Giuliano.
Krista decide sacar uma pequena adaga de arremesso e a arremessa no Papão mais próximo dela. Ela tem Arremesso Excepcional (ela é uma atiradora de facas treinada) e soma ao 10 de Paus que teria normalmente um bom 10 de Paus, totalizando 20 pontos. O Papão possui Atletismo Bom mas tem azar na Mão da Sorte de não ter nenhuma carta de Paus, então ele usa toda a sua toda sua Mão da Sorte, somando apenas mais 4 pontos aos 6 que tinha, totalizando 10. Como 20 é o dobro que 10, Krista obtêm um Sucesso Decisivo! Ela então checa na Tabela de Armas de Longo Alcance (CF 185) e vê quem uma adaga arremessada causa 3 Ferimentos em um Sucesso Decisivo. O Anfitrião marca em um local F, F, F para indicar o dano que foi sofrido pelo Papão.
Agora os dois Papões e Giuliano vão agir em conjunto. Giuliano resolve atacar o mesmo papão que Krista atacou, mas primeiro tem que sobreviver ao ataque do papão que está inteiro e que avança na direção dele com uma espécie de sabre retorcido. Para sorte de Giuliano, o Papão é apenas Médio em Esgrima e consegue apenas 5 pontos no ataque, enquanto Giuliano, usando seu Atletismo Médio e um bom 6 de Paus consegue 10 pontos, indicando que o Papão fez uma Trapalhada. Resolvendo a Trapalhada, conforme sugerido em CF 186, o Anfitrião descobre que o Papão feriu a si próprio: um escorregão errado e o sabre retorcido do Papão lhe tira uma boa parte da perna e causa-lhe F, F, F, F. O segundo Papão, o que se feriu anteriormente, parte para cima de Krista aos socos. Com sua Briga Ótima e um 3 de Paus e um 2 de Ouros para apoiar, ele forma 12 pontos para ataque. Krista então usa suas outras três cartas da Mão da Sorte junto com seu Atletismo Ótimo e consegue também 12 pontos. É um Sucesso Parcial. Consultando a Tabela de Armas de Combate Corpo a Corpo e Ataques em CF 186, o Anfitrião descobre que o Papão causou a Krista apenas 1 Pancada (ou P). Krista sentiu apenas um impacto na base da coxa que doeu para valer, mas nada que “depois de casar não sare”.
Guiliano decide aproveitar e terminar o serviço de Krista, atacando com o Sabre oculto em sua Bengala de Estoque o Papão que Krista feriu. Ele possui uma Esgrima Média, mas está com uma sorte extrema: lança um Ás de Paus que estava oculto em sua mão e que ele guardou com carinho para aquele momento, totalizando 18 pontos (14 do Ás + 4 da perícia). O Papão não tem tanta sorte: mesmo tendo um Atletismo Bom, e mesmo usando todas as suas três mãos de sua Mão da Sorte (um Rei de Copas, um Rei de Espadas e um Rei de Ouros), ele soma apenas 9 pontos (lembrem-se: nenhuma das cartas que ele usou é de Paus, então elas contam apenas UM PONTO!). Giuliano obtêm um Sucesso Decisivo! Na tabela de dano, ele consulta e vê que um sabre causa em um Decisivo 6 Ferimentos! O Papão apenas sente uma lâmina afiada e pontuda trespassar seu peito, causando-lhe F, F, F, F, F, F!!! O Anfitrião está adotando a Regra da Bola Preta, então ele saca uma carta do Baralho da Sorte e obtem um 2 de Paus. Tudo bem: não era uma carta de Espadas, então o Papão, apesar de inconsciente e sangrando profusuosamente, está vivo. Giuliano poderia matá-lo simplesmente declarando a intenção ao Anfitrião, mas decide que seria rude, mesmo com uma maldita criatura do Unseelie: é melhor mantê-lo vivo e obter informações dele. Então eles o capturam, enquanto seu amigo aceso corre procurando seus superiores… Krista e Giuliano acreditam que a noite ainda promete MUITA coisa!

Magia:

A Alta Magia de CF não tem ABSOLUTAMENTE NADA A VER com a Feitiçaria tradicional de Fantasia Medieval e não-tão-medieval: enquanto um mago de D&D suficientemente poderoso faz bolas de fogo saltarem de suas mãos, um Magista Escolástico (termo usado em CF para os Usuários da Alta Magia – com M maiúsculo mesmo!!) pode levar o dia inteirinho executando um complexo ritual mágico que, no final, irá riscar A CIDADE DE SEUS INIMIGOS DO MAPA!!!! Traduzindo: magia lenta, mas MUITO PODEROSA quando bem usada.
Em termos de regra funciona assim: cada Magista deve pertencer a uma Ordem de Magia, que lhe dará acesso aos Livros Doutrinários (os Grandes Livros que contam com as Magias) e às Doutrinas (as Magias “base” contidas nos Livros Doutrinários, como se fosse a parcela “Curar Ferimentos” das magias de D&D 3e) que ele poderá usar. Beseado nessas Doutrinas e nas Definições (Que determinam como a Magia será executada – a parcela “Leve” das magias de D&D 3e), ele irá começar a Acumular Energia. Uma pequena parcela dessa Energia já está em sí próprio (é representada pela Habilidade Feitiçaria, que deve ser de nível Bom ou melhor nos Magistas). A partir daí, calcula-se o tanto de pontos de Energia Taúmica que deverão ser acumulados, somando-se a Necessidade Táumica da Doutrina e das Definições e subtraindo-se do Valor Facial da Feitiçaria do Magista. Uma lista completa dos Livros Doutrinários e Doutrinas pode ser encontrada em CF 199-202, enquanto as Definições podem ser encontradas em CF 203.

Exemplo: Krista e Giuliano ainda investigam a conspiração para matar o Embaixador da Baviera na Aústria, e têm sorte: pegam um agente Prussiano que aparentemente está ligado com o caso. Poderiam tentar uma leitura mental, mas Giuliano não possui acesso à Doutrina de “Ouvir os Pensamentos Ocultos” (que é parte do Livro Doutrinário “Reino da Mente Desconhecida“, que normalmente só pode ser encontrado entre os membros da Ordem de São Bonifácio). Mas ele tem uma opção interessante, que é usar a Doutrina de “Comando Mental“, parte da Doutrina incluida no “Manuscriptum Mentallis“, Livro Doutrinário da sua Ordem de Magia, a Irmandade Illuminada da Bavária (Illuminati). Então ele decide que irá utilizar-se dessa Doutrina. Ele leva Krista e o agente Prussiano até a casa de um Illuminado amigo dele que mora em Viena, leva os dois ao subsolo (aonde poderá trabalhar sua Magia com tranqüilidade) e risca um círculo arcano no chão, colocando o agente Prussiano, devidamente amarrado, dentro dele. Coloca Krista em um lugar seguro, veste seu robe cinza com o Grande Olho, símbolo de sua Ordem, e começa a trabalhar. O Anfitrião então calcula a Necessidade Taúmica da Magia que Giuliano que executar. A Doutrina “Comando Mental” possui uma Necessidade Taúmica base de 4. A mágica envolve apenas uma pessoa (+1) e o alvo está ao alcance da vista (+2). Giuliano precisa de mais ou menos 30 minutos para conseguir o que deseja do Agente Prussiano (+2), que é um alvo humano (+1), embora desconhecido de Giuliano (+4). O Agente Prussiano não precisa fazer nada, a não ser contar tudo que sabe sobre a conspiração contra o Embaixador Bávaro na Aústira (+6). A Necesidade Taúmica total que Giuliano precisa é de 20. Como ele é um Magista Ótimo, ele já tem 8 pontos armazenados, e então ele precisa apenas acumular mais 12.

A pegadinha na magia é: continuam valendo os naipes! No caso, as mudanças são as seguintes:
  • Copas – Magias Emocionais e Mental
  • Ouros – Magias Físicas
  • Paus – Magias Elementais
  • Espadas – Magias Espirituais.
E continua valendo a regra: cartas retiradas do Baralho da Magia (um outro baralho comum, que representa a energia mágica regional, em geral de fundo diferente do usado no Baralho da Sorte) que sejam do mesmo naipe do tipo de magia (a Energia Alinhada, como é chamada em CF) contam inteiras, e as outros Naipes (a Energia não-Alinhada) contam apenas 1 ponto. Todos os pontos vão sendo acumulados. Tão logo Energia Mágica suficiente tenha sido Acumulada (ou seja, o personagem tenha obtido os pontos necessários), a mágica é feita automaticamente (na verdade, ela não pode ser “segurada”)
A Energia não-Alinhada não precisa ser obrigatoriamente Acumulada: se o personagem desejar, ele pode liberar essa energia (isso tá parecendo Pokémon TCG… heheheheh 8-))) ), devolvendo a carta para o final do Baralho da Magia. Isso pode ser importante, por causa das Harmônicas:As Harmônicas são efeitos indesejados que ocorrem quando seu usa Energia Não-Alinhada junto com Energia Alinhada. Após toda energia ter sido Acumulada, o Anfitrião vê a maior carta de Energia Não-Alinhada usada: essa carta representa as Harmônicas geradas, e determina o tipo de efeito que irá ocorre conforme o Naipe (ou Aspecto, como chama-se quando se fala de Magia de CF) da mesma e de seu Valor Facial (que determina o quão grande é a Harmônica).

Exemplo: Giuliano sabe que não tem muito tempo (os Prussianos podem dar falta do seu agente muito rapidamente), então ele decide Acumular toda Energia que puder o mais rápido possível. Uma a uma, o jogador de Giuliano vai puxando as seguintes cartas do Baralho da Magia (lembrando-se que essa é uma magia de Aspecto Mental, que tem como Naipe Copas): 4 de Copas, 5 de Paus, 10 de Espadas e 6 de Copas. O 6 e o 4 são Energia Alinhada, entrando na totalidade e sem Harmônicas. O 5 de Paus e o 10 de Espadas, como Energia Não-Alinhada, geram Harmônicas. No caso, a Harmônica é validada pelo 10 de Espadas, o que gera uma Harmônica Espiritual. De uma hora para outra, Krista vê seu amigo Giuliano conclamar a força da vontade de Hiram de Tiro, o Arquiteto do Templo de Salomão, tornando-se mais duro e mais “real”, por assim dizer, enquanto a mente do Agente Prussiano é dominada e ele conta todo o plano, nos mínimos detalhes, para Giuliano.

Outro fator Perigoso é a Magia Incontrolável: toda vez que um personagem Magista tira um Coringa do Baralho da Magia, o efeito é liberado causado é MUITÍSSIMO maior que o desejado (exemplo: Se Giuliano, na Magia acima, tivesse retirado um Coringa, provavelmente teria a cidade de Viena a seus pés, ou o Agente Prussiano como um escravo permanente dele!!!!). O problema é desfazer essa Magia depois. E aproveitando o assunto…

Desfazendo Magias:

Uma magia é desfeita segundo dois métodos:

O Magista que executou a magia quer a desfazer:

Simplesmente ele repete a invocação e… Abracadabra! Magia desfeita.

Um outro Magista quer desfazer a Magia:

Aqui temos um Feito Conflitante (ou seja, um Feito Oposto) entre os dois Magistas, usando seus níveis de habilidade em Feitiçaria para conseguir acabar com o Feitiço…

Existem muitas outras regras sobre Magia em CF, mas não vou me prolongar mais no assunto.

Criando um personagem:

Muito simples. Depois de definir o conceito do personagem e tudo o mais:

  • Escolha 1 Habilidade na qual o personagem será Ótimo ([OTI]);
  • Escolha 4 Habilidade nas quais o personagem será Bom ([BOM]);
  • Escolha 1 Habilidade na qual o personagem será Fraco ([FRA]);

E fim! Anote os pertences e algumas dicas de interpretação sobre ele no Diário (ou Ficha, ou o que seja…) e pronto! Agora, imaginemos que você queira um personagem que seja Excepcional
ou Extraordinário em alguma coisa. Para isso basta:

  • Para nível Ótimo extra: Escolher mais uma Habilidade Fraca;
  • Para nível Excepcional ([EXC]): Escolher mais duas Habilidades Fracas por Excepcional;
  • Para nível Extraordinário extra ([EXT]): Escolher mais três Habilidade Fraca;

Em todas as que sobrarem, o personagem será Médio ([MED]).

Exemplo: Carlos está entrando agora em uma crônica de CF como Pierre LeClaire, hussardo do 3o. Regimento de Cavaleiros de Vossa Majestade, Napoleão III da França, e espião ocasional para Vossa Majestade. Ele decide então escolher, após pensar muito na história de Pierre, as seguintes Habilidades: Esgrima [OTI], Tiro [BOM], Compleição Física [BOM], Coragem [BOM], Briga [BOM] e Feitiçaria [FRA]. Ele quer também ter Boa Aparência e Trato Social. Então ele escolhe colocar Aparência [OTI] e Trato Social [OTI], a custo de Mecânica [FRA] e Medicina [FRA]. Carlos termina anotando algumas posse de Pierre em um rascunho e está pronto para defender o Rei, a Honra e a Pátria, lutando pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade na Nova Europa de Castelo Falkenstein!

Opiniões Pessoais e comentários finais:

Essa pequena (?!) descrição de CF deve ter mostrado para vocês que eu sou fascinado em Falkenstein. E há um bom motivo: ele é talvez um dos melhores RPGs (se não o melhor) que já vi. Possui uma mecânica simples de criação de personagem e de testes, mas ao mesmo tempo vibrante e empolgante, como toda boa história capa e espada. Um sistema que favorece muito o role-playing e que obriga os jogadores a entrarem na linha (claro que existem os métodos para o overpower… Qual sistema não tem, por Deus!).
Mas o melhor mesmo é quando você vê o manual:

Capa dura, metade colorido, metade preto-e-branco (sinto falta na versão nacional do papel sépia da versão original), com desenhos aquarelados,fotos e desenhos antigos. O começo do livro, até a página 129 dele, é simplesmente delicioso: todo esse espaço é gasto para, através da história de Thomas Olan, jogar o futuro Anfitrião em uma aventura capa-e-espada fantástica, deliciosamente insólita e heróica! Mesmo o livro dizendo que não é necessário ler essa parte, é simplesmente NECESSÁRIO lê-la: ela consegue explicar o estilo de Falkenstein sem problemas e de forma concisa e gostosa (é como ler um daqueles romances de Mosqueteiros).

A parte das regras (pags. 130+), apesar de um pouco confusa para Anfitriões novos, é bem concisa, mas muito explicativa. Entre as coisas que não mencionei aqui, traz as estatísticas de várias Fadas, ensina como criar uma Aventura Vitoriana, dá dicas de estilo, conselhos sobre Diários, regras de combate para Duelos, criação de Dispositivos Diabólicos (as Grandes Armas que os Grandes Vilões usam para causarem Grandes Danos à Humanidade) e outras Engenhocas deliciosamente deslocadas temporalmente (Querem um exemplo? Que tal um Eva de Evangelion no século XIX? Antes de considerarem uma aberração, saibam que CF permite coisas como o Nautilus de “20000 Léguas Submarinas” e até mesmo Máquinas do Tempo!!!).
O final de Falkenstein é tomado por uma aventura (Como um Relógio), bem bobinha, mas deliciosa para introduzir os personagens no ambiente de CF, e várias dicas de aventuras incluídas.
Para aqueles que procuram aquele “algo mais”, altamente recomendável (e bem mais barato que um D&D 3e!).

Fábio Emilio Costa

Jogador de RPG e Hussardo para Vossa Majestade, Dom Pedro II.

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