O “Dragão de Forno” – uma estalagem de Rygar

Rygar, como se sabe, é uma grande cidade, maior até mesmo que alguns reinos. Portanto, em tamanha cidade, variados tipos de pessoas vivem, e portanto existe a necessidade de diversos tipos de tavernas para os paladares desses diversos tipos de pessoas. Desde o badalado restaurante élfico “Gindjael” ao infame “Machado no Crânio“, passando por um sem-número de barracas, tavernas, estalagens, cantinas e afins, o visitante pode encontrar pratos capazes de satisfazer seu paladar, por mais exótico ou grotesco que ele seja (reza a lenda que na  Torre da Perdição do Bairro Vertical pode ser encontrada uma sinistra taverna especializada para canibais e outras criaturas que se saciem de carne humana ou semi-humana). Mas não existe estalagem mais famosa que a “Dragão de Forno”.
O estranho nome às vezes é considerado ofensivo, mas reza a lenda que foi dado por um Dragão de Cobre que estava passando por Rygar em forma humana, chamado Deroxyalyachyus (Dragão, Bom) ao ver o prato principal servido por Tyrondir Mãodemassa (Halfling, Bom), um poderoso guisado temperado com especiarias picantes dentro de um pão em formato de dragão! Sem que Tyrondir  soubesse que estava servindo a um Dragão, ele serviu o guisado ao dragão, que apreciou o saboroso prato e decidiu homenagear Tyrondir revelando a verdade sobre ele. Ao descobrir o fato de Deroxy (como o Dragão preferia ser chamado), Tyrondir se apavorou, pensando que seria ele a virar comida de Dragão. Deroxy então teria soltado uma sonora gargalhada e dito a Tyrondir: “Já comi vários fornos de dragão, mas nunca um Drãgo de Forno!“. Tyrondir, que jamais tinha nomeado sua estalagem e nem seu prato (a estalagem se chamava Pousada do Halfling e o prato Guizado Especial Picante), aceitou de bom grado a homenagem e renomeou tanto o prato quanto a estalagem de “O Dragão de Forno”. Desde então, a fama pelos reinos de bom serviço do Dragão de Forno se espalhou, e a estalagem tornou-se o principal ponto de encontro entre aventureiros viajantes que estejam de passagem por Rygar.
Para os padrões normais, o “Dragão de Forno” é enorme, embora não seja grande como o “Gindjael” ou o “Navio Encarnado“: possui quatro mesas grandes centrais, onde até oitenta pessoas podem se sentar, e mais uma série de mesas menores para seis pessoas, que podem ser algumas por um preço razoável (em torno de 2  PP, sem incluir nenhum serviço). No caso dos dormitórios, existem quatro dormitórios coletivos para até 20 pessoas cada, além de quartos menores e até mesmo quartos individuais. Todos os quartos são limpos e, embora simples, confortáveis, com um preço baixo (5 PP/diária). Tyrondir faz questão de manter o padrão de qualidade na comida com um custo razoável (1 PO/pessoa/refeição), além de fornecer bebidas dentro do padrão normal para uma estalagem típica.
O “Dragão de  Forno” possui uma grande cozinha aberta, onde as pessoas podem ver seus pratos sendo preparados. No fundo da mesma, dois grandes fornos assam continuamente os pães especiais que Tyrondir precisa para seus pratos mais famosos, o “Dragão de Forno” e o “Pão Chato Halfling”, além de um pão especial de viagem produzido por ele, o “Dragão Voador”.

  • Dragão de Forno: o Dragão de Forno é basicamente um guisado feito por uma grande variedade de carnes e legumes diferentes, servido dentro de um pão em forma de dragão, chamado de Pão-Dragão. Pães menores, chamados de Pães-Tigelas, são usados normalmente como pratos. A “etiqueta” na estalagem afirma que o Dragão de Forno deve ser servido pegando-se com a concha o guisado e o colocando no pão-tigela: em seguida, pedaços do Pão-Dragão devem ser misturados ao guisado e então deve-se comer o guisado com a colher. Ao terminar-se, deve-se comer o pão-tigela e o Pão-Dragão. Devido aos condimentos poderosos e aos pães, o Dragão de Forno pode substituir praticamente uma refeição inteira, necessitando apenas de bebidas e algumas verduras. O Dragão de Forno é vendido a 2 PO/pessoa ou em uma versão de tamanho grande para até 6 pessoas a 8 PO;
  • Dragão Voador: o Dragão Voador na verdade nada mais é que um pão-de-viagem feito dos mesmos ingredientes do Dragão de Forno, secos, assados até alcançarem uma crocância normal de um pão de viagem. Os condimentos são levemente reduzidos, mas o sabor picante característico do Dragão de Forno permanece. Os pães substituem rações de viagem, sendo que cada pão dura 2 dias para uma pessoa, ocupando o mesmo espaço e peso de um dia de ração de viagem. O custo é o mesmo de dois dias de ração de viagem;
  • Pão Chato Halfling: um prato pouco conhecido fora de Rygar a não ser nas comunidades de halfling, o Pão Chato Halfling é feito com uma massa normal de pão com pouco fermento, bastante sovada e aberta na forma de um disco, o que oferece uma leveza especial à massa. Em seguida, uma série de molhos e temperos são espalhados sobre a massa e alguns “recheios” são agregados à mesma. Em geral, os recheios são variantes diversas de queijos e presuntos, alguns embutidos e azeitonas ou cebola picada, mas esses ingredientes podem variar conforme o preparador (uma variante élfica pouco conhecida, chamada televai, leva vários tipos de verduras escuras, tomates e o caule da planta élfica tevanon). Embora não sustente como o Dragão de Forno, muitos em Rygar gostam de consumir o Pão Chato quanto querem comemorar alguma coisa ou simplesmente quando estão com pressa, uma vez que o Pão Chato é assado rapidamente. Um Pão Chato para 6 pessoas sai a 3 PO, enquanto uma versão maior para 10 pessoas custa 4 PO;

Devido ao intenso movimento, Tyrondir não é o único a trabalhar aqui. Além dele, dois outros cozinheiros, Elyn Denalonan (Elfo, Leal) e Garth Zienfreid (Humano, Neutro) atuam como cozinheiros, sendo os únicos que conhecem, além de Tyrondir, o segredo sobre a fabricação do Dragão de Forno. Além desses, dois minotauros servem de leão-de-chácara da Estalagem, Rineus e Lienaras. (Minotauros,  Leais). Ambors são ex-escravos que foram comprados e libertos por Tyrondir, para quem trabalham atualmente. Ambos são conhecidos por suas a habilidades de combate não-letal e pelo fato de possuirem anéis mágicos capazes de imobilizar misticamente alvos quase tão grandes quanto eles.
Existe uma grande gama de boatos sobre o “Dragão de Forno”, muitos deles apenas fruto da imaginação bizarra dos moradores de Rygar, outros sussurados como se fossem conspirações malignas. Entre os mais conhecidos, estão:

  • O Dragão Deroxy ainda está observando Tyrondir. Por isso, aqueles que arrumam brigas no “Dragão de Forno” normalmente não são mais vistos;
  • Tyrondir na verdade é um mago proficiente que abandonou uma carreira de aventuras após ver seu grupo ser exterminado por um dragão antes de que ele próprio pudesse acabar com o monstro. Seu talento culinário permitiu que ele continuasse a viver em Rygar e o formato de Dragão ao pão do Dragão de Forno foi uma forma de homenagear seus amigos mortos;
  • Tyrondir tem como amiga Leaf Speedster, uma das mais famosas mensageiras de Rygar. Isso leva muitos a crer que  Tyrondir seja no mínimo um Sábio a serviço de alguma Casa de Informação, provavelmente a Agamir (que tabém é a que Leaf faz parte). Alguns também acreditam que Tyrondir seja na verdade um Senhor de uma Casa menor ligada à Agamir ou, mais ainda, à casa Três Irmãos;
  • Um dos condimentos usados por Tyrondir no Dragão de Forno é um condimento que, usado da maneira errada ou em grandes quantidades, pode matar uma pessoa comum e deixar até mesmo o mais resistênte bárbaro enfermo. Os que acreditam nesse boato sempre procuram descobrir qual dos condimentos é o veneno em potencial, mas Tyrondir faz questão de deixar sua receita secreta. Aparentemente, à exceção de Tyrondir, apenas Deroxy conhece a receita completa do Dragão de Forno;
  • Os dois cozinheiros Elyn e Garth sabem como preparar os condimentos a serem usados no Dragão de Forno, o que já os tornou alvos de muitos que desejam roubar seus segredos. Porém, toda vez que um deles foi seqüestrado, seus sequestradores tiveram seus pedaços espalhados por boa parte de Rygar. Ninguém sabe como isso ocorre, mas dizem que Tyrondir teria aplicado uma mágica neles que, exceto se ele permitir, extermina qualquer pessoa que descubra o segredo dos condimentos do Dragão de Forno;

Essa é mais uma contribuição do +4 para Rygar, o cenario que está sendo criado em conjunto pela Blogosfera RPGística Brasileira. Veja também as contribuições dos Pergaminhos Dourados, do Inominattus e do RPGista.com.br, assim como as outras contribuições do +4.
Espero que seja válido para você que leu
Powered by ScribeFire

Powered by ScribeFire.

O Bairro Vertical – uma adição a Rygar

Uma das visões mais estranhas quando se aproxima de Rygar é ver que, se as muralhas são altas e as pontes também, as construções ainda assim costumam revelar tetos ou até mesmo toda a construção por sobre as muralhas. Mas o mais incrível de tal visão é ver  grandes torres aparentemente feita de casas empilhadas umas sobre as outras. Esse distrito é um dos mais populosos e movimentados de Rygar, apesar de ser um dos menores em termos de espaço. O seu nome vem de sua principal característica: a esse distrito se dá o nome de Bairro Vertical.

O Surgimento do Bairro Vertical:

Originalmente, o local onde hoje encontra-se o Bairro Vertical era formado por um espaço confusamente ocupado e que se espalhava também pelo espaço onde hoje ficam o Distrito do Mercado e a Praça das Raças. Quando ficou decidida que haveria a Grande Obra, muitos de seus moradores ficaram apavorados com o que viram: uma boa parte do espaço que antes era o seu lar seria tomado pela Guilda dos Comerciantes e transformado (como foi) no Distrito do Mercado e na Praça das Raças. Seguiram-se uma série de protestos, alguns muito violentos, mas como se diz em Rygar “é mais fácil encontrar um Dragão Vermelho de boa índole do que um Burocrata de Rygar que mude de idéia“. Muitas pessoas de bem perderiam suas casas, apesar da alegação dos Comerciantes de que a região era composta por bandidos e salteadores.
Foi então que o anão Ryumar Randarstan teve uma visão mandada pelo Deus dos Anões: ele viu os antigos Salões dos Anões de sua terra natal e como eles eram escavados da terra, e viu Rygar e como torres gigantescas podiam abrigar as pessoas. Quando acordou, descobriu-se dono de uma poderosa técnica de construção, que permitiria o impossível: construir casas umas sobre as outras.
Ao apresentar essa idéia aos Comerciantes e Burocratas, muitos escarneceram dele, achando a idéia no mínimo idiota, mas foi quando Ryumar argumentou: “a milênios meu povo constrói salões com muitos níveis dentro das montanhas. Os elfos controem lares sobre as copas das centenárias árvores de sua terra natal. Deve haver uma técnica para construir-se casas humanas umas sobre as outras, onde uma sustenta os pesos da outra.”
O material para tal obra, Ryumar descobriu, viria de uma pedreira próxima a Rygar: a pedra-leve era uma pedra que podia ser lavrada como qualquer outra e tinha uma resistência enorme, como apenas os melhores blocos de mármore e pedra possuiam. Mas com uma vantagem inestimável para o projeto: seu peso era ínfimo, apesar da capacidade de sustentar muitas vezes mais seu peso sobre si.
Com a combinação de blocos pequenos de pedra-leve, argamassa e técnicas novas de engenharia descobertas por Ryumar, a primeira das Grandes Torres começou a ser construída. Inicialmente o projeto de quatro níveis era modesto, podendo hospedar apenas cem casas, mas o espaço ocupado era equivalente ao de vinte casas normais. Conforme ele foi aumentando o número de níveis, junto com os seus subordinados e aprendizes de todas as raças, que passaram a ser conhecidos como Construtores Verticais, os Comerciantes e Burocratas receberam um justo calaboca e o povo uma nova oportunidade. Quando a primeira das muralhas que isolaria o que na época era chamado de Bairro Baixo foi erguido, a Primeira Grande Torre já se erguia a mais de 100 metros do chão, com vinte e cinco níveis de casas. Muitos anões ficaram maravilhados com essa torre, e ainda mais pela resistência da mesma: vigas de adamantite especialmente construídas formando uma reforçada grade metálica oferecia a sustentação inicial, enquanto vergalhões metálicos se erguiam aos céus. Esses vergalhões ofereciam espaço para conexões em todas as direções, o que permitiu que as Cinco Torres do Bairro Vertical tivessem suas próprias Pontes (algumas ligadas às Pontes principais de Rygar), assim como ginásios, praças e bosques. A pedra-leve permite que haja ventilação e isolamento acústico e térmico na medida certa, enquanto jogos de espelhos simples fazem com que a luz seja disseminada normalmente dentro das Torres.

As cinco torres:

O projeto original de Ryumar Randarstan (chamado de Empilhalar pelos añões) projetava todo o espaço como uma construção contínua, mas conforme a Grande Obra foi acontecendo, um projeto ainda mais ambicioso foi feito: criaram-se cinco torres pelas quais as pessoas poderiam passar. Cada torre, medindo cada uma individualmente em torno de 200 x 200 metros, fica em uma direção: Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro, sendo que elas são levemente “rodadas” para o lado de modo a não interferir nas grandes avenidas e pontes de Rygar. A maior delas é a primeira, a Torre Norte. Atualmente ela possui 78 pavimentos com algo em torno de 250 lares dentro da mesma. Alguns desses lares são pocilgas divididas entre algumas dezenas de goblins, enquanto outras ocupam um pavimento ou mais só para si, como o lar de Dohemir Windwalker (Humano, Bom), ex-mensageiro e atual administrador do Bairro Vertical nomeado pelos Altos Burocratas. Alguns lares ocupam de maneira estranha a torre, como o lar da famosa mensageira Leaf Speedster, que ocupa apenas um dos lados da torre, mas por dois pavimentos. Em geral, uma residência típica tem o mesmo tamanho de uma casa tradicional.
A Torre Sul é a segunda maior, com 62 pavimentos. Também é conhecida como “Torre de Perdição”, pela fama infame de ser o local onde ficam alguns dos piores prostíbulos, tavernas e igrejas más de todo o reino. Mas em alguns pavimentos também podem ser encontrados uma série de lojas e oficinas que sobrevivem de seu trabalho sem pestanejar. A Torre Sul é residência do halfling Tyrondir Mãodemassa (Halfling, Leal), dono do “Dragão de Forno”, um dos restaurantes mais conceituados de Rygar. Apesar da infame fama da Torre Sul, ninguém ousa mexer com Tyrondir: além de ter como amiga Leaf Speedster, dizem as lendas que o pequeno cozinheiro já foi um aventureiro competente antes de chegar em Rygar.
A Torre Leste possui 50 pavimentos e tem como ponto mais interessante a loja de livros “A Memória da Esfinge”. Mantida por uma estranha gino-esfinge, Ginedine (Gino-Esfinge, Neutra), é o melhor ponto de encontro para a aquisição de tomos mágicos. Ginedine também pode trocar informações sobre o mundo exterior e sobre magia, e dizem os boatos que ela atua como uma Sábia para a Casa de Informação dos Três Irmãos. Ela pergunta bastante e responde pouco, como toda boa esfinge, mas aqueles que são seus amigos são recebidos com muito mais do que apenas chá de hortelã.
A Torre Oeste possui 46 pavimentos, sendo que os dez primeiros são dominados pelo Templo do Vento Rygariano. Formado por T’sung Han-Chi’e (Humano, Leal) essa academia de monges ensina algumas habilidades de combate desarmado para os que desejarem, mas seus maiores segredos são mantidos para os membros da Ordem. Dizem que T’sung já alcançou um tamanho grau de iluminação que até mesmo alguns raros seres de outros planos o respeitam.
A Torre Central, chamada também de Diamante Central (porque, “vista do alto”, ela tem a forma de um diamante de lados iguais, como as demais torres) é a menor de todas as torres, com “apenas” 20 pavimentos, mas neles existe um verdadeiro complexo de entretenimento, com anfiteatros, arenas e praças arborizadas (!!!) onde os moradores do Bairro Vertical podem passear.
As Torres se interligam entre si em diversos níveis, por meio de passarelas, com apenas uma exceção: os níveis só se ligam no mesmo nível uns dos outros. Portanto, a Torre Central só se liga atualmente com as demais Torres por meio do seu 20° pavimento. As demais Torres se interligam entre si por meio de passarelas nos mais diversos níveis, com a excessão de que nenhuma passarela pode passar por cima da Torre Central. Os Construtores Verticais tem projetos de ampliação das Torre Central até pelo menos o 35° pavimento, com passarelas ligando-a às demais torres. As Torres também se ligam às Pontes e Muralhas de Rygar que passam por elas em determiandos níveis.

Subindo e Descendo as Torres:

Os habitantes do Bairro vertical sobem e descem as Torres por meio de elevadores construídos nas laterais dos mesmos. Além disso, as bordas laterais das Torres possuem “ruas” pelas quais as pessoas podem caminhar. Por segurança, muitas delas são protegidas por placas de um material chamado entre os elfos de tyliandin, uma espécie de placa de metaltal, misticamente tratado para permitir que luz, calor e som trafeguem normalmente, mas para que nenhum objeto possa sair das “ruas”, evitando suicidas, embora seja conhecido que o uso de magias anuladoras de mágica inutilizam esse material. Alguns mensageiros são capazes de, usando  as práticas do displace, subirem com as mãos nuas os prédios, mas alguns preferem não o fazer por ser algo muito arriscado para a grande maioria. Pontes e Escadas devidamente posicionadas também auxiliam no deslocamento dos moradores do Bairro Vertical. Alguns mais ricos podem utilizar-se de métodos de vôo, tanto por meio de animais voadores quanto por meio de objetos. Alguns recorrem a balões, mas esses são arriscados devido às pariedes de tyliandin.


Essa é mais uma contribuição do +4 para Rygar, o cenario que está sendo criado em conjunto pela Blogosfera RPGística Brasileira. Veja também as contribuições dos Pergaminhos Dourados, do Inominattus e do RPGista.com.br, assim como as outras contribuições do +4.
Espero que seja válido para você que leu

Powered by ScribeFire.

1º Encontro Nacional Virtual de RPG

Quem disse que precisa sair de casa para jogar RPG? Nos dias 25 e 26 de abril de 2009, você vai poder se encontrar e jogar online com RPGistas de todo o país, usando qualquer ferramenta – iRPG, Fantasy Grounds, Taulukko, MSN, Skype, TeamSpeak… são inúmeras as opções da internet!

Se você é Mestre, divulgue já suas mesas virtuais no fórum do evento, para os jogadores escolherem o que jogar e preparar seus personagens com antecedência. Não se esqueça de deixar o máximo que puder de informações (sistema, cenário, número de jogadores, se ainda há vagas, se aceita iniciantes…), acompanhar o tópico e dar retorno às inscrições.
Se você é jogador, mais fácil ainda: visite o fórum, inscreva-se e prepare o seu personagem!
O endereço do fórum é:
http://n2.nabble.com/Encontro-Virtual-de-RPG-2009-f2533277.html
Até a data do evento, você poderá encontrar dicas e ferramentas para aproveitar melhor a experiência de jogar online em vários sites de blogs de RPG, assim como no próprio fórum. Você pode jogar também usando as ferramentas do site Taulukko (http://www.taulukko.com.br/blog/?p=225) e RPG Online (http://www.rpgonline.com.br/irpg.asp), que estão apoiando o evento!
Esta é uma iniciativa revolucionária organizada pela lista de Blogs de RPG!
Participe!
O +4 apóia a iniciativa e estaremos com uma aventura de Espírito do Século, “O Cristal da Aquilônia“. Quem se interessar, visite o tópico sobre a mesma no Fórum do Encontro Virtual.

Powered by ScribeFire.

Off-Topic – Blogagem Coletiva – Não ao Projeto de Lei de Censura à Internet

Hoje, dia 15/11, o Brasil comemora mais um Dia da República, um dia a se pensar sobre as liberdades que possuimos, conquistadas no passado com suor e sangue.
E uma dessas liberdades está para nos ser vilipendiada, ao menos na Internet, por meio de um substitutivo do Senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG) que, por trás de uma intenção legítima (proteger a Internet da Pedofilia), ameaça desenvolver o vigilantismo ao mundo cibernetico, com graves conseqüências à liberdade de expressão e ao livre acesso aos bens culturais, direitos fundamentais da Carta Magna brasileira, e sem acrescentar nada de útil para o combate aos cyber-crimes.
Esse projeto de lei, sob o aval de órgãos cuja a luta não está relacionada aos direitos humanos ou ao combate à pedolifia e parceira dos lobbies internacionais da Propriedade Intelectual, em sua mais ampla tentativa de transformar a cultura em negócio e de se apropriar de todo o conhecimento e o tornar propriedade de alguns poucos, institui mecanismos draconianos de monitoração do tráfego do usuário na Internet e pesadas punições a qualquer um que tente “esquivar-se” das restrições impostas pela legislação, mesmo para usos legítimos (como assistir DVDs que você adquire legalmente em um sistema operacional Linux, uma vez que ele utiliza uma biblioteca chamada DVDCSS, que pode também ser usada para ripar DVDs para pirateá-los via Internet).
Como disse anteriormente em meu outro blog, considero essa uma lei não apenas desncessárias, uma vez que, pelos meus conhecimentos e pelas opiniões que tive de especialistas, o nosso país já possui mecanismos legais mais do que suficientes para prover as necessidades para obtenção de provas e tipificação de crimes. E como cito no email enviado aos Deputados Fedaris do Estado de São Paulo, o perigo dessa legislação é justamente cortar um canal de comunicação poderoso que nos pode oferecer belas coisas, como bandas como Cansei de Ser Sexy, O Teatro Mágiico e como a Compositora Malu Magalhães, que conseguiram demonstrar suas qualidades musicais sem precisar do “crivo” (leia-se jabá) das grandes gravadoras e dos grandes meios de comunicação, graças a Intrenet e a divulgação de músicas via MP3, o que está para se tornar um crime graças à legislação do Excelentíssimo Senador.
Analisarei aqui essa lei em algumas questões já analisadas, tentando as extrapolar ao máximo de conseqüências possíveis. Em alguns momentos poderei estar beirando a paranóia, mas prefiro nesse caso pensar no pior caso, uma vez que uma lei tão amplamente especificada, de maneira tão frouxa e potencialmente permissiva a múltiplas interpretações que eu prefiro fazer o máximo de interpretações possíveis.

A Ferro e Fogo:

Um dos problemas que ainda não foi tão citado nesse projeto é que ele cria uma discriminação ,pois ela “abole” a discriminação entre conteúdos legais e ilegais dentro da rede baseadas em determinadas mídias, ou seja, ela “anula” o fato de um conteúdo poder ser legitimamente produzido e distribuído via Internet e baseia a legalidade ou não meramente no formato de arquivo utilizado. Por exemplo, os arquivos MP3 estarão condenados, não interessando se são músicas distribuídas ilegalmente (como CDs “vazados”), legalmente (músicas que o próprio artista distribuiu, como o caso da banda mineira Pato Fu que em seu site distribui músicas que não foram incluídas em seus CDs) ou até mesmo MP3 não relacionados a músicas (como podcasts, palestras e ringtones). Desse modo, segundo os moldes dessa nova lei, existe um perigo sério de que qualquer conteúdo distribuído segundo determinados formatos possam vir a ser “criminalizados”, independente da legalidade ou não do “conteúdo” propriamente dito ser legal ou não.
Não existe nenhuma preocupação por parte do Excelentíssimo Senhor Eduardo Azeredo em entender o funcionamento básico da Internet para saber que não existem ainda mecanismos totalmente eficazes para impedir totalmente o tráfego de conteúdos ilegais e nem a caracterização dos mesmos. Correndo o risco de ser tecnicista, para a Internet, tudo se resume a bits e bytes: uma página, uma música clássica gravada por uma orquestra amadora disponibilizada, por exemplo, no Classic Cat, ou o CD mais novo do funk carioca vazado na net.
Essa tratativa do tipo “ferro e fogo” tem conseqüências terríveis para a Internet: jogara os usuários em uma “zona de incerteza” e irá tratar algo em torno de 60% de todos os usuários de Internet como criminosos em potencial (pela legislação atual, piores que corruptos e quase tão criminosos quanto seqüestradores ou traficantes de drogas, se considerarmos a legislação penal e cívil vigente).


Via Peão Digital

Cortesia com o Chapéu Alheio:

Outra prerrogativa a ser avaliada por tal legislação é que ela cria o conceito do “provedor xerife”: segundo a legislação em questão, o provedor deverá (1) gravar os registros de todos os usos da internet por parte de todos os seus usuários, com um período de “retenção” de 3 anos, (2) devem alertar à autoridades policiais qualquer suspeita de uso da Internet para distirbuir conteúdo ilegal e (3) que a pessoa, ao se cadastrar, deverá informar todos os dados legais, como Nome, Endereço, Telefone, RG, CPF, etc…
Bem, existem algumas questões aqui.

  1. Quem pagará a conta da infraestrutura de log?
  2. Como essa informação será trabalhada?
  3. Como essa informação será “disposta” (destruída) após o período de 3 anos?
  4. O que caracteriza uma “suspeita de uso da Internet para distirbuir conteúdo ilegal”?
  5. Quais são os mecanismos legais a serem criados para impedir o abuso desses mecanismos com o fim de prejudicar outras pessoas?
  6. Como fica o direito constitucional de uma pessoa “não gerar provas contra si mesma”?

Bem, acho que aqui podemos quebrar um pouco as coisas e responder essas questões uma a uma:

  • Quem pagará a conta da infraestrutura de log?

Pela lei será o provedor de acesso à Internet, sendo que a não existência de tais logs provocará sanções de ordem penal ao provedor.
Bem, isso a lei deixa claro.
Mas pela letra da lei a coisa fica ainda mais complicada: pela lei da oferta e da procura, norma capitalista, obviamente que tal custo (que deveria pertencer ao Estado) será repassado ao consumidor. Só que a coisa fica ainda pior pois não existe nenhuma parte dessa lei que defina qual provedor de acesso é que deve manter essas logs. Portanto, existe a possibilidade por essa lei de que provedores de backbone, como Telefonica e Embratel tenham que elas próprias manterem eses logs, o que gerará custos que serão repassados aos provedores que (obviamente) repassarão por sua vez ao consumidor. Ou seja, o “estado policialesco” criado por essa lei será pago por mim e por você que lê e o ônus da geração da prova crime sairá das mãos do interessado (como grandes bancos e ISPs).

  • Como essa informação será trabalhada?

Bem, esse é um dos caráter que na letra do papel parece extremamente simples, mas que algum conhecimento da informática comprova que é algo sem pé nem cabeça.
A geração de um log é algo extremamente simples: em muitos casos, um banco de dados com uma estrutura simples e de leitura razoavelmente rápida (normalmente apenas um arquivo texto puro) é povoado (termo técnico para preenchido) por registros que caracterizam uma conexão. Normalmente não são informações excessivas (cada registro provavelmente não teria mais que algumas dezenas, talvez centenas, de bytes). A análise desse log envolveria apenas a análise simples dos dados procurando informações específicas que comprovassem qualquer uso ilegal.
Antes que pensem que isso é impossível, na verdade esse tipo de análise de logs é prática comum em empresas para análises de uso voltadas à performance e capacidade de ambiente.
O problema é que toda a coleta será feita para cada acesso IP. Cada conexão IP será registrada, sendo que um mero acesso ao Google pode gerar uma quantidade significativa de acessos por segundo. Existem pessoas que questionam a validade dessa preocupação:
Ainda o PL 84/99 | the brain is a machine

Ainda acho essa choradeira por causa de log de provedor uma coisa infundada. Não é como se provedores e telecentros fossem quebrar da noite para o dia por guardar logs. Por exemplo, arquivo de texto (log) de 1G compacta para 100M usando bzip2. Em um DVD então cabem uns 40 dias de log, coloca que se gasta um DVD por mês para guardar log, 3 anos são 30 dvds… E olha que 1G de texto é coisa pra caramba. Chuta que você vai logar hora, origem, destino e GMT, isso daria uma linha de 30-40 caracteres, então 1G de texto guarda uns 25 milhões de acesso. Não é pouca coisa não. Levando em conta que essas contas eu fiz em cima do log do proxy do meu trabalho, que é um lugar com umas 1500 máquinas acessando a internet 24/7.

Bem, de qualquer modo, mesmo que seja fácil fazer a operação exigida para o registro e manutenção dos logs, como se dará o processamento? Como será processado, por exemplo, esses 30 DVDs de logs compactados com 46G de logs (descomprimidos) cada? Existe aqui um caráter que pouca gente pensa: aqui a questão passa a não ser mais apenas o armazenamento de tal volume de informação, mas também sua utilização. Basta pensar-se no processamento do IRPF: cada arquivo do Imposto de Renda tem algo em torno de 30Kbytes (basta olhar os arquivos de backup de sua Declaração para ter uma idéia). Se pensarmos que 30 Milhões de pessoas mandam algo em torno disso, e que leva-se tanto tempo para receber-se as restituições, perceberemos que existe uma questão de processamento que não foi considerada.

  • Como essa informação será “disposta” (destruída) após o período de 3 anos?

Aqui existe um perigo: o período de retenção mínima por lei é de 3 anos, mas não existe nada na lei em questão que indique como essa informação deverá ser “disposta” após esse prazo mínimo.
Aqui surgem riscos sérios da tentação de provedores se utilizarem dessa informação para obterem informações sobre os “hábitos de navegação” dos usuários, o que seria possível, ainda que complexo, alimentando-se esses dados em ferramentas conhecidas de data mining e afins. Com tais “perfis”, os provedores teriam informações altamente “apetitosas” a empresas de marketing (legítimas e não tão legítimas), seguradoras e outras empresas que possam fazer uso dessa informação. Sei que isso é paranóico, mas como não existem mecanismos legais, não existe como impedir, ao menos em teoria, que tais informações sejam “usadas contra você”.

  • O que caracteriza uma “suspeita de uso da Internet para distirbuir conteúdo ilegal”?

Essa é uma coisa importante: como se define suspeita? Teremos cyber-vigilantes (obviamente, pagos por nossa mensalidade de internet) contratados para nos vigiar? Os provedores se tornarão no Ministério da Verdade de 1984 por força da lei? Nós denunciaremos uns aos outros? Como diferenciar as suspeitas realmente válidas daqueles casos do “menino que gritava lobo” ou dos que são feitos intencionalmente com o objetivo de prejudicar às pessoas?

  • Quais são os mecanismos legais a serem criados para impedir o abuso desses mecanismos com o fim de prejudicar outras pessoas?

Reflexo das duas questões anteriores, quais serão os mecanismos para responsabilização do mal uso ou abuso dos mecanismos da lei em questão para atividades não-previstas na lei? Poderei processar meu provedor por invasão de privacidade se ele, tentado, utilizar os logs para produzir um “dossiê” sobre mim para uma seguradora ou empresa de marketing? E mais: como fazer isso se a legislação já pressupõe de certo modo que sou um criminoso?

  • Como fica o direito constitucional de uma pessoa “não gerar provas contra si mesma”?

Um dos princípios legais mais importantes segundo o Direito atual é que ninguém é obrigado a gerar prova contra si próprio, o famoso “você tem o direito de permanecer em silêncio”. Porém, uma das obrigatoriedades da lei é manter um registro das suas informações de acesso, que por sua vez implica no fato de que você estará aceitando as normas da lei em questão, inclusive o registro do log, o que obviamenbte quererá dizer aceitar “gerar prova contra si mesmo”! Ou seja, esse direito constitucional está sendo enviado para o ralo.

Quis Custodiet ipsos custodes?

Como podemos ver é que uma das grandes perguntas é quem guardará os guardiões? A lei não possui nenhum mecanismo, por mais rudimentar que seja, prevendo penalidades para os abusos do uso dessas. Ou seja, estamos correndo o risco de sermos vítimas de abusos de poder por parte de interesses comerciais (ou não) que possam restringir nosso acesso à cultura.
Bem acho que já me prolonguei, ainda mais se somar-se o que já disse anteriormente nesse blog. Desse modo, termino aqui esse blog, mas não sem antes deixar uma série (enorme) de links contra e a favor dessa lei (pois acredito que cada pessoa deve pensar por si própria) e uma última reflexão que li em um dos outros posts participando da blogagem coletiva:
O TERROR DO NORDESTE: XÔ CENSURA!

Na verdade, segundo o proprio Castells, os governos querem controlar o que fazemos, o que pensamos, querem controlar nossos cerebros. A midia de massa paulatinamente vem perdendo este papel, ela já não consegue regurgitar as verdades que habitarão nossas mentes, estamos ficando mais críticos, estamos ouvindo uma diversidade de opiniões e tirando nossas proprias conclusões, mas isto sim de fato é um grande perigo para qualquer regime totalitário.
Por estas e por outras que você deve mostrar que tem opinião propria, e mesmo que não seja igual a nossa, mas deve publicar no dia 15 de novembro um post contra o vigilantismo, contra o totalitarismo e a favor da liberdade e privacidade, a favor da neutralidade da internet e da união dos povos.

Por fim, lembro que existe uma petição Online com mais de 120 mil assinaturas repudiando esse Projeto de Lei, e que você pode mandar mensagem direta aos deputados do seu estado pedindo repúdio a essa PL (e se tiver sem idéias do que escrever, pode copiar o meu, apenas mudando para seu nome e informações).

Links: