Aventuras Primordias! parte 2

Olá!
A idéia de Aventuras Primordiais! é escrever uma pequena série de contos interligados entre si passando-se no ambiente dos Primordiais. A idéia é mostrar uma ventura pulp e cliffhanger que dê uma noção do que se esperar em Espírito do Século. De qualquer modo, farei o melhor para que saia o melhor possível.
Bem depois dessa introdução besta, vamos ao que interessa:


Acima de Espoo, Finlândia, 12:00 hora local:

– Está realmente frio! – disse Ingrid, se embrulhando a sua manta verde.
– Deseja meu casaco, Ingrid-kynjah? – disse Radaj, começando a despir-se de seu casaco futurista que trouxe de Gaia 400X, sua “terra natal”, parte de um futuro distante.
– Não, obrigada… – disse Ingrid, em meio ao barulho dos motores de hélice do Lollipop, o hidro-avão de Hannah, que cruzava os céus sobre o Mar Ártico.
– Vocês dois, por favor se sentem! – disse Hannah, olhando os aparelhos. – A meteorologia está indicando rajadas de vento forte e turbulências. É melhor não ficarem em pé ou podem acabar se machucando.
Hannah estava vestida em um belo vestidinho rosa e casaco bem quente de cor verde, mas seu comportamento não era o de uma menininha doce, e sim de um piloto de aviões de verdade. Ingrid respeitava isso em Hannah: sabia que ela tinha perdido o pai muito cedo, durante a Guerra, sendo que ela viu seu pai sendo derrubado por ninguém menos que o lendário Barão Vermelho. Como Primordial, ela não tinha como chorar. Mas Ingrid ouvia às vezes ela chorando em seus pesadelos de uma criança que perdeu os pais…
Os dois adultos se sentaram em duas cadeiras, uma para co-piloto e outra para telegrafista. Hannah não precisava de ninguém ocupando ambas as posições, embora a ajuda fosse bem vinda.
Foi quando…
O avião começou a sacudir sem parar:
– O que está acontecendo, Hannah-kynrian? – Radaj perguntou, temerosos – São…
– Sim, Radaj, estamos em uma área de turbulência! – disse Hannah – Se segurem. Vou baixar nossa altitude e tentar sair dela. Está muito forte, não tenho condição de passar por ela sozinha.
Hannah foi abaixando o avião normalmente, até que…
Um grande estrondo foi ouvido:
– O que está acontecendo? – disse Ingrid, olhando para Hannah. Ela percebeu o olhar de medo na pequena criança.
– Um dos motores explodiu e uma das asas foi com ele! Deve ter sido um raio ou alguma coisa! – disse ela – Vamos ter que pousar… Vai ser duro!
Hannah puxou o manche para trás com toda a (pouca) força que tinha. Ela estava com muito medo: uma queda poderia ser fatal. O avião foi se alinhando aos poucos, mas ainda assim a batida foi forte. O avião se espatifou contra o chão, e o mundo rodou e rodou. O outro motor voou longe com a outra asa no impacto, o corpo do avião despedaçando-se como a casca de um ovo e os três chacoalhando e chacoalhando dentro dos restos da cabine.
Quando tudo parou, Hannah olhou para os lados: Ingrid e Radaj estavam desacordados, aparentemente muito feridos. Uma linha vermelha na testa de Ingrid não era feita pelos seus cabelos naturalmente vermelhos. A própria Hannah se sentia machucada. Pegou a bússola portátil e um rádio comunicador:
Mayday! Mayday! Aeronave Lolipop caída na região da Lapônia! Mayday! Mayday! Aeronave Lolipop caída na região da Lapônia! – Ela foi dizendo, enquanto saía da cabine e via a nevasca intensa.
Sem pensar, ela seguiu andando. Ela teve então a noção dos seus ferimentos: estava andando com dores e o corpo todo parecia que tinha levado uma imensa sova. Ela própria estava muito ferida, mas não podia desistir. Continuou andando a diante e a diante, falando e falando, a bússola enlouquecida conforme chegava perto do Polo Norte magnético. Até que seu corpo não agüentou mais e desabou.
Mayday! Mayday! Aeronave Lolipop caída na região da Lapônia! Mayday! Mayday! Aeronave Lolipop caída … Aeronave Lolipop caída … Aeronave Lolipop  … Aeronave Lolipop LolipopLolipop
Ela foi perdendo as forças, um sono mortal se abatendo sobre ela, suas roupas de frio mal e mal a protegendo da nevasca inclemente. Ela tombou, seus olhos verdes olhando apenas pouco acima da neve.
E ela viu…
Uma pessoa com roupas colantes verdes, e botas de mesma cor. A visão embotada não deixava ela entender o que estava vendo. Ela sussurrou:
– Sal… ve…-os…
E fez-se escuridão.


Cidade do Natal, Polo Norte 20:00 hora local:
“… ela está bem? Por Ceridwen, diga que ela está bem…”
“… ela vai ficar bem… Deixe ela descansar…”
“… pelos Cristais, se ela morrer, nunca me perdoarei!”
Hannah começou a voltar a si:
– Não se preocupem, ela só está inconsciente. Mas se Benhardt não tivesse a resgatado a tempo… É muita sorte terem caído perto da zona de vigilância. Melchior não ficou muito contente com isso, mas de outra forma, vocês estariam mortos. E o Pai Natal não gostaria nada disso.
Aos poucos, Hannah foi abrindo os olhos:
– O… que… houve…
HANNAH!!!!
Hannah sentiu algo a abraçando: tinha um cheiro gostoso, de eucalipto e menta, jasmim silvestre e rosas, e outras flores. E uma sensação macia na bochecha, mas algo úmido e salgado descia. Ela então terminou de abrir os olhos.
Ingrid Ni Braoahbahain estava chorando, agarrada a ela.
– Hannah, que bom! Você foi muito corajosa! – Hannah viu que a testa de Ingrid estava com bandanas de linho branco, assim como partes do braço. No fundo do quarto, Radaj também estava com curativos: seu braço direito estava em uma tipóia e no rosto uma gaze era segura por uma fita adesiva.
– O que houve?… Onde estamos?…
– Você está bem, Hannah Striker? – disse uma voz.
Ela olhou para o lado e viu uma bela menina, mas…
– Você é uma….
As orelhas levemente pontudas e a roupa entregavam o ser. O vestido era em tons vivos de verde escuro e vermelho carmesim. Era possível, abaixo do vestido, ver-se os meiões branco-e-vermelhos e os sapatos de veludo verde. Um chapéu pontudo vermelho ficava acima dos cabelos fartos e marrom-avermelhados, amarrados às costas em uma trança.
O rosto redondo daquele ser estranho era bonito: grandes e gordas e rosadas bochechas e lábios que pareciam nunca deixar de sorrir, um narizinho redondo e arrebitado e olhos de um verde muito, muito profundo, ao mesmo tempo novo de esperança e velho de sabedoria. As orelhinhas que lhe saiam aos lados eram levemente mais pontudas e maiores que as de uma pessoa normal.
– Sim. Meu nome é Liana. Você é Hannah Striker, não? Era você que pilotava aquele avião?
Hannah não sabia o que pensar: ainda estava confusa com tudo o que estava acontecendo. Apenas meneou a cabeça em resposta à pergunta que lhe foi feita.
– Vejo que está bem, mas deve ficar deitada. Por muito pouco não morreu congelada. Vou trazer algo para você comer.  Acho que uma boa sopa quente deve servir… – disse a duende Liana ao sair do quarto
Depois dessa visão confusa, Hannah reparou aonde estava:
O quarto com porta redonda não era muito alto: Radaj quase batia com a cabeça no teto baixo, com pouco mais de 2 metros de altura. As proporções de todos os objetos e as cores vibrantes lembravam as casas de boneca que tinha quando seu pai ainda vivia. Ingrid e Radaj estavam vestidos em roupas também em cores vibrantes como o quarto: Radaj com calças em azul-marinho e colete amarelo encimando uma camisa verde, Ingrid com um vestido vermelho carmesim com filigranas e cinzidos dourados, uma faixa verde-musgo na altura da cintura.
– Onde estamos? Lembro só da bússola enlouquecida…
– Nem eu sei direito. – disse Radaj – Mas é um local realmente estranho. Vimos vários desses faeryn andando para cima e para baixo. Eles não parecem com nada de minha terra.
– Na verdade, eu sei onde estamos. – disse Ingrid – Estamos em um Reino Exterior.
– Mas como? – questionou Hannah – Pensei que os Reinos Exteriores fossem isolados de tudo na Terra.
– Você viu o portal para Aztlan e viu Atlântida quando salvamos L’Khurn e selamos um acordo de paz com os atlantes. Nenhum desses locais estão fora da Terra, por assim dizer, mas não são fáceis de chegar. É só lembrar que você mesmo disse que sua bússola estava enlouquecida.
– Mas onde estamos? Que reino é esse?
– Só existe um lugar como onde estamos. Vi ele apenas uma vez, durante meu tempo como noviça da Torre Silenciosa, próxima ao Tor de Avalon, de onde víamos Morgana fazer os sagrados rituais com a Taça e com o Prato, com a Espada e com a Lança, diante do Lago Sagrado de águas límpidas.
– E que local é esse onde estamos? – questionou Radaj
Dinas Nadolig, a Cidade do Natal.
– A Cidade… do Papai Noel? – disse Hannah, com o rosto ao mesmo tempo esperançoso e cético.
– Sim… As cores do natal e do Yule estão em toda parte, mesmo nas roupas que nos ofereceram. O vermelho carmesim, do sangue da vida. O verde musgo, da natureza que ressurge. O amarelo dourado, do Sol que volta a distribuir seu calor. O azul marinho, da água que volta a correr. Os símbolos estão em todos os locais: o visgo, o carvalho, o freixo, as torcas. Os símbolos universais do Natal e do ressurgimento da vida.
– Ingrid-kynjah, o que é esse Papai Noel? – disse Radaj – Já viu alguns desse tempo falar sobre esse ser. Quem é ele?
– Papai Noel, O Bom Velhinho, Pai Natal… Todos são expressões da crença das pessoas no ressurgimento da vida. É o momento em que ressurge o Grande Deus, dado à luz pela Grande Deusa. Os cristãos também simbolizam o nascimento de Jesus, em quem colocam suas crenças. Todas elas tem o mesmo funamento, o ressurgimento da vida.
– Mas esse Papai Noel existe?
– Sim… – disse Ingrid
– Meu pai se vestia de Papai Noel todos os anos! – disse Hannah
– Seu pai fazia isso para manter você acreditando em uma verdade que a Ciência e a Mente não explicam. Talvez da maneira errada, mas seu pai procurava lhe fazer entender que nem tudo é o que é. Você deve saber mais do que nunca agora isso.
Hannah acenou com a cabeça.
– Eu encontrei apenas uma vez o Pai Natal. Era época de Yule, e ele tinha que fazer sua tradicional entrega de presentes.Ele resguardava os mais pobres e os mais infelizes. Lembro de um garoto que andava com ele. Era humano mesmo, e não era muito alto. De certa forma, lembrava você, Hannah. Fico imaginando se ele está bem.
– Estou bem sim, Ingrid ni Braoahbahain – disse uma voz gostosa e profunda. – É bom saber que lembra de mim…
– PAPAI NOEL! – gritou Hannah, feliz.
– Sven… Carlsberg? – disse Ingrid, agora incrédula.


Cidade do Natal, Polo Norte, 6 dias depois:
Hannah estava no seu novo quarto. Na verdade um quarto maior, mas ainda assim com as mesmas cores vibrantes e proporções de uma casa de bonecas. Uma grande lareira crepitava chamas fortes ao redor das três camas e do pequeno sofá. Uma mesinha de centro tinha uma bandeja com chá e scones e biscoitos de gengibre e outras coisas boas de se comer. Em um canto, sentada em uma cadeira de espaldar alto, Ingrid lia um antigo livro que carregava consigo. Hannah sabia tratar-se do seu “Diário das Sombras”, um diário secreto que apenas Ingrid deveria ler, com várias coisas que ela precisava saber sobre o seu treinamento como Sacerdotisa do Reino de Avalon. Estava escrito na língua de Avalon, o Avalönenn. E, embora soubesse algumas palavras nesse idioma, Hannah não sabia ler ele.
– O que você está lendo, Ingrid-kynjah? – disse Radaj, depois de ter feito seu treinamento diário com a Espada de Gel Cinético.
– Estou tentando lembrar uma coisa… Não acredito que o Pai Natal soubesse meu nome inteiro. Apenas Sven sabia…
– Mas ele não pode ser Sven?
Bateram na porta.
– Quem é? – disse Hannah
– Sou eu, Liana! – disse a pequena duende que era agora uma espécie de camareira para eles.
Liana entrou: hoje vestia vestido amarelo sobre camisa branca de mangas bufantes e chapéu branco, com meiões amarelo-e-vermelho e sapatos verdes.
– Pois não?
– O Pai Natal pediu para vocês irem até o Salão dele. Disse que vocês devem se aprumar e que podem usar qualquer coisa que esteja nos armários. Ele apenas pediu ao homem de nome estranho – ela disse, fazendo uma reverência a Radaj – que deixe sua arma aqui. Nada será tomado.
– Entendo… Muito bem, diga a ele que iremos.


Os três entraram no Salão de trabalho do Papai Noel: Hannah decidiu que era momento de se vestir como menina, e não como ocasionalmente se vestia, usando roupas de menino. Vestiu um vestido verde-musgo com cenzidos em dourado e amarrou os cabelos em duas maria-chiquinhas com fitas vermelhas e verdes. Pegou um par de sapatilhas verdes e meias vermelhas por cima de meiões verdes. Ingrid estava vestindo um vestido de veludo vermelho com um capuz também vermelho, usando sapatos verde e meias vermelhas. Radaj usava colete amarelo e camisas brancas com calças de cor branca também.
– Desculpem-me incomodá-los. Sei que ainda estão se curando dos ferimentos daquele acidente terrível. Mas quero aproveitar e saber o que vocês estão sabendo do mundo lá fora. Ainda estamos em outubro, então está muito longe a data de eu correr o mundo na minha viagem de todos os anos… Mas vejo que têm questões a me fazer.
– Sim – disse Ingrid – Você é mesmo Sven Carlsberg? Aquele garoto era mais novo que eu quando visitei Dinas Nadolig anteriormente… Como poderia ter ficado tão velho quanto o próprio Pai Natal?
– Sou eu mesmo, Ingrid. – disse o Pai Natal – Eu concluí a Sucessão, Assinando a Santa Cláusula. Acho que você sabe do que se trata.
– Então era verdade. – disse Ingrid, impressionada – Nunca existiu UM Pai Natal, e sim vários.
– Exato. – disse Sven, dando uma risada gostosa que contagiou o rosto de Hannah – Então ela é Hannah Striker?
– Sim, Papi Noel.
– Seu pai era um bom homem. É triste que bons homens morram em coisas como guerras, mas um homem que foi honrado até mesmo por seus inimigos era um homem digno. Sim, – disse ele, ao ver a cara de espanto de Hannah – sei sobre o Barão Vermelho e sobre como, após ele derrubar o avião de seu pai, ele se levantou do assento do avião dele e o saldou como um valoroso homem. Espero que Primordiais como você um dia acabem com a guerra, mas esse é um sonho que eu não posso realizar.
– Mas o que desejo saber é para onde vocês iam? – perguntou Sven. Ingrid reparou no olhar de Sven, ou melhor, do Pai Natal. Seu olhar era penetrante e profundo, e mesmo com o rosto ainda levemente sorridente, havia uma seriedade de quem se preocupa com os acontecimentos de fora.
– Iámos ver Angelus, o Arcanjo. – disse Ingrid
– O que uma Sacerdotisa de Avalon iria desejar com um Arcanjo? Pensei que Avalon não gostasse muito de cristãos… – disse Sven, sorrindo levemente.
– Você sabe tão bem quanto eu que Avalon se afastou do Mundo Interior apenas porque estávamos sendo perseguidos pela Igreja. Mesmo hoje a travessia pelas Brumas é dificultada pelos monges da Ordem de São Silvestre. Mas não acredito, nem minhas superioras também, que essa seja a vontade de Deus, mas sim de homens que confundiram seus deveres com o direito de dizer aos outros o que é certo ou errado.
– Compreendo… Mas por que procuravam Angelus?
– Por isso. – disse Ingrid, mostrando o Filigrana parcialmente destruído a Sven.
Pela primeira vez Ingrid viu o rosto do Papai Noel, ou melhor, de Sven Carlsberg sério. Havia um ar real de preocupação em seu rosto:
– Liana, quero que traga algo para comermos aqui. E também procure Melchior e Gaspar. Precisarei dos dois. Benhardt se não estiver ocupado deve vir também. Diga-lhes que é urgente. – disse ele em voz baixa a Liana, que fez uma reverência e saiu em silêncio.
– Ingrid, você sabe o que é isso, não? Um Filigrana escrito no idioma maldito do Reino das Profundezas…
– Atlantis? – disse Hannah – Mas a gente não tinha…
– Não, pequenina, L’Khurn não traiu o acordo que foi feito. Isso não é Atlante, mas sim vindo do idioma maldito de R’Lyeh!
O som daquele local fez Hannah soltar um gritinho de criança realmente assustada e se encolher atrás de Ingrid.
– Prometo não mais falar esse nome ignóbil aqui! – disse Sven, sério – Não se preocupe, Hannah, pois não mais mencionaremos tal nome. E aqui é razoavelmente seguro. Vários Papais Noéis colocaram proteções especiais por toda a Cidade do Natal e ninguém pode entrar aqui se não desejamos. As proteções aqui são quase tão poderosas quanto as Brumas que ocultam Avalon.
– Mandou-nos chamar, Papai Noel? – disse um dos duendes que entraram pela porta.
Um deles era gordinho e baixo, usando óculos com armação dourada e vasta costeleta. Um cavanhaque fino e pontudo moldava-se de maneira estranha no queixo redondo como o resto do rosto. Olhos marrons vivos, como duas avelãs, podiam ser vistos por trás das lentes, que se apoiavam na armação apoiada no nariz pontudo e fino. As roupas eram brancas em cima na camisa e verdes nas calças largas com suspensórios da mesma cor, com detalhes em dourado e vermelho. Um colete de veludo carmesim e um chapéu pontudo também vermelho terminavam as roupas. Calçava botas longas.
Outro usava uma camisa amarela e calças marrons. Um gorro vermelho lhe descia por trás da cabeça. O rosto era imberbe e sério, e comparado com os rostos sorridentes que Hannah havia visto até aquele momento era um pouco assustador. Uma pequena espada pendia-lhe à cintura e um arco às costas. Pareciam de brinquedo, mas havia algo que aprentava ser muito real naquilo. Botas altas, quase na altura do joelho e um colete de cor marrom escura lhe terminavam a forma.
O último na verdade parecia muito mais “humano” que os demais. Parecia um garoto da mesma idade de Hannah, com olhos e cabelos escuros, vestido em jaqueta verde escura e camisa verde de tom mais claro, com calças na mesma cor, assim como sapatos e um toucado, todos no verde escuro. Um cachecol vermelho e branco era a única cor diferente nele. Pareceria um garoto, se não fosse as orelhas pontudas e levemente alongadas.
– Esses são meus melhores auxiliares e amigos na Cidade de Natal. – disse Sven – Gaspar, nosso sábio e estudioso, Chefe dos Pesquisadores; – disse Sven, apontando o duende gordinho, que fez uma mesura cumprimentando os convidados – Melchior, o melhor lutador que temos aqui, Chefe dos Guardiões da Cidade do Natal; – apontou agora o duende de rosto sério – e Benhardt, que é responsável pela Cidade quando não estou aqui. – disse, apontando o duende que parecia uma criança comum.
– Por que fomos chamados, Pai Natal? – disse Gaspar.
– Por causa disso… – disse Sven, mostrando o Filigrana.
– O que? – disse Melchior – Foi um deles que…
– Não foi nenhum deles que invocou isso, Melchior. Eles também foram atacados.
– Então não fomos os únicos? – disse Benhardt – Imaginei que não seríamos.
– Vocês também foram atacados? – questionou Ingrid.
– Talvez seja melhor vocês mesmos verem. – disse Sven – Benhardt, pode providenciar transporte?


A viagem no carrinho de trem pela Cidade de Natal tinha algo de mágico: era como estar em um cruzamento de presépio, vilarejo alemão e casa de boneca: todas as casas tinham proporções de brinquedo e eram amplas e bonitas e coloridas. Como Ingrid dissera, Hannah pode ver que por todos os lados haviam cores: vermelho, amarelo, verde, em alguns lugares o azul e o branco, além de tons de laranja e rosa em alguns locais. Visgo, azevinho, carvalho: tudo isso podia ser visto. As pessoas, tanto duendes quanto alguns seres humanos que habitavam o local, podiam ser vistos trabalhando em comunidade e ordem, embora risos e música podia ser visto por todos os lugares. Foi quando eles começaram a parar perto do que aparentava ser a saída de um túnel. Parecia escuro e frio e dava muito medo:
– Chegamos! – disse Benhardt. – Foi aqui que fomos atacados.
Olhando de perto, Hannah via melhor: na verdade esse local deveria ser igual ao resto da Cidade do Natal, mas estava queimada e destruída: podia-se ver que as pedras tinham sido derretidas por uma quantidade imensa de calor.
– Pelos Cristais! Que lantajhar aconteceu aqui? – disse Radaj. Ingrid correu para um canto e tocou as pedras, sussurando algo com os olhos fechados. Hannah correu aonde estava os restos de uma casa e pegou um pedaço de tecido queimado e o cheirou:
– Isso aqui é mais fedido que querosene queimado! – disse Hannah, jogado o pedaço de tecido ao chão, enojada.
– Alguma criatura queimou tudo aqui… – disse Ingrid – Mas… Ela não parece ter forma… Parecia uma bola de fogo, como um fogo-fátuo, mas mesmo olhando agora pela psicometria… Posso ver que ela tinha algo nela, como um Mal além do Mal, algo sinistro, além do Diabólico, além do que qualquer coisa que uma pessoa pode pensar…
Ingrid abriu os olhos assustada. Olhou ao vazio e desabou a chorar:
– Deusa! Deusa! Proteja a nós, suas servas! Proteja a nós, ó Ceridwen!
Hannah correu para abraçar Ingrid. Hannah sabia que Ingrid estava sofrendo:
– Ingrid! Acabou… Está tudo bem…
– O Mal que eu vi… – disse Ingrid – Era um Mal além do Mal, além de qualquer coisa que podemos pensar. Um Mal que não se preocupa com submissão, mas apenas com destruição…
– É verdade. – disse Gaspar – Pesquisei nos tomos que temos aqui e não encontramos nada sobre essa criatura de fogo que destruiu essa vila.
– Perdi bons homens aqui. – disse Melchior – Eles morreram bravamente, mas não havia nada que pudéssemos fazer. Precisamos usar muita água e terra para destruir aqueles monstros… Apesar que não sei se os destruímos.
– Duvido. – disse Benhardt – Se tudo o que foi dito é verdade, essa criatura é algo muito maligno e poderoso. De antes da Aurora dos Tempos… Não é, Pai Natal.
– Sim… – disse Sven – Minhas memórias antecessoras dizem isso…
– Memórias antecessoras? – disse Ingrid
– Desde que Assinei a Santa Cláusula e concluí a Sucessão, tenho acesso às memórias de meus antecessores… Alguns deles viram criaturas similares, mas nunca nada como isso… Sempre achamos que a Cidade do Natal era segura… Mas como eles entraram? – disse Sven.
– Esperem! – disse Hannah – Tem algo aqui…
Hannah estava mexendo nos destroços de uma casa que ainda estava inteira…
– Isso aqui é… – disse Hannah, mexendo nos vários sacos.
– Triagem de cartas. – disse Gaspar – Aqui damos uma ajuda ao Pai Natal para separar as cartas das crianças boas e ruins.
– Será que alguém quis se vingar por receber carvão? – disse Hannah.
– Duvido. – falou Melchior – Mas existe um detalhe… Se aqui foi o ponto de onde começou a invasão… Como esse local não está totalmente destruído?
– Espera… – disse Radaj – Existe algo estranho na porta… Alguém deve ter saído normalmente… E então…
– O que? – disse Melchior
Radaj caminhou até os restos de outra casa, totalmente destruída…
– Alguém sabe o que era aqui?
– Uma central dos Pesquisadores! – disse Gaspar, assustado
– Então… – disse Sven.
– Ingrid, você consegue tentar aquele truque de ver o que aconteceu de novo aqui? – disse Hannah
– Não se esforce demais, Ingrid-kynjah! – disse Radaj – Você está fraca demais…
– Não… Estou melhor agora… – disse Ingrid – Se eu ver por pouco tempo não terá problemas….
Ingrid tocou o chão, fechou os olhos e murmurou…
– Alguém trouxe uma carta estranha…. O envelope era escuro… Era uma criança, mesmo para o padrão dos duendes… Ela mostrou para um outro… Ele o abriu e o Filigrana se ergueu e… – Ingrid abriu os olhos.
– Deusa! Grande Mãe! Quem em sã consciência faria isso? – disse Ingrid, revoltada.
– A culpa não foi da criança em questão… – disse Sven
– Não, quem enviaria uma carta como essa? Que tipo de monstro é esse que mandaria uma carta com um Monstro de Fogo dentro dela?
– Alguém que odeia o ser humano… Ou ao menos que odeia outros seres humanos… Mas quantos ataques já aconteceram? E onde mais eles irão atacar? – questionou-se Melchior
– Bem, sabemos o que está acontecendo. – disse Sven – Acho que mais do que nunca vocês devem localizar Angelus. Benhardt, chame Eliazar e outros  mecânicos. Recolham os destroços do avião de Hannah e o reconstruam. Melchior: coloque todos os Guardiões de prontidão. Gaspar, precisaremos de todos os Pesquisadores obtendo informações úteis para eles. Quando a vocês, Ingrid, Hannah e Radaj, é melhor que descansem…
– Lollipop foi modificado por mim! – disse Hannah – Posso ajudar nesse caso.
– Eu sei alguma coisa sobre esses monstros, e não posso ficar parada assistindo isso. – disse Ingrid.
– Pelos Cristais, fui treinado nos Metroplexos. Se uma criatura é hostil, posso enfrentá-las sem pestanejar. – disse Radaj.
– Sou grato pela ajuda. – disse Sven – Não a tempo a perder. Vamos então.


Alguns dias depois, Lollipop estava totalmente reformado, uma pintura amarela e branca no Hidroavião. Ele foi reabastecido de suprimentos e muitas roupas e comida. Todos receberam presentes: Radaj duas belas espadas curtas de prata, Ingrid dois punhais trabalhados em jóias e prata anã e Hannah uma tiara e várias fitas. Presentes simples, mas que simbolizavam a esperança dos habitantes da Cidade do Natal de que fossem resolver o problema dos monstros terríveis que destruíram uma vila dentro da cidade.
– Espero que saibam o caminho. – disse Sven.
– É fácil. – disse Hannah – É seguir a segunda estrela à direita e então direto, até amanhecer.
– Isso é para a Terra do Nunca! – disse Sven, rindo – Não para o Templo do Senhor, onde vive Angelus.
– Eu sei o caminho… – disse Ingrid – Na verdade, nunca existe um caminho fixo, mas sei o caminho adequado.
– Bem, nos despedimos aqui. – disse Sven – Espero que sejam bem sucedidos. Ainda quero ver um certo par de meias amarelas em uma chaminé de Sligo.
– Esperamos que sim. – disse Radaj
Hannah ligou Lollipop.
– OK… Motor ativado. Podem abrir os portões. – disse ela pelo rádio.
Melchior e seu amigo, Balthasar fizeram um sinal de positivo da torre de vigilância. Os portões de uma saída por água da Cidade do Natal foram abertos.
– Beleza… Sem nevasca ou ventos de rajada. A decolagem não deve dar problemas. Vejamos como você ficou, Lollipop. – disse Hannah, usando os manches para aumentar a velocidade.
O hidroavião voi deslizando pela água, até sair para uma baía que dava no mar Ártico.
– OK, V1… Rotação… V2… – disse Hannah, decolando. – Lollipop está magnífico! Erguendo pranchas de aterrizagem na água.
– Então podemos seguir adiante? – perguntou Ingrid.
– Sim. Sente na poltrona do co-piloto e vá dizendo a direção a tomar-se…
E assim, Hannah Striker, Ingrid Ni
Braoahbahain e Radaj, o Guerreiro do Futuro viam a Cidade do Natal desaparecer… E seguiam para o Templo do Senhor, a base de Angelus, o Arconte de Deus.

Aventuras Primordias! parte 1

Olá!
A idéia de Aventuras Primordiais! é escrever uma pequena série de contos interligados entre si passando-se no ambiente dos Primordiais. A idéia é mostrar uma ventura pulp e cliffhanger que dê uma noção do que se esperar em Espírito do Século. De qualquer modo, farei o melhor para que saia o melhor possível.
Bem depois dessa introdução besta, vamos ao que interessa:

Cleveland, EUA, 05:00 hora local:
– “In Nomine Patris et Filli et Spiritui Sancto” – disse o jovem alto em roupas de Frade, enquanto sacava suas enormes pistolas. O demônio emitia um chiado rouco e agudo, sua aparência alienígena pouco afetando a mente do mesmo, embora a visão do mesmo fosse capaz de despedaçar a sanidade de uma pessoa normal como uma pedra estilhaçaria uma taça de cristal.
– Vamos acabar com isso de uma vez! – disse a Irmã, ao lado dele, sua Irmã em todos os sentidos. De suas costas, ela fez saltar uma enorme espada com uma cruz ao estilo celta gravada na guarda. A lâmina possuia uma série de pictos em gaélico e letras em fraktur, o antigo alfabeto estilizado usado em Bíblias, brilhando levemente, sem se saber se por causa da luz fina do por do sol que atravessava as janelas do depósito ou se por causa de um encantamento próprio. – Esse demônio já torrou minha paciência, Tobby. Tá na hora de devolver ele para seu senhor.
– Certo. – disse o jovem alto – É o fim da linha para ele, Jen. – A longa caçada ao demônio de formas alienígenas foi cansativa em todos os sentidos. Como uma minhoca gigantesca, ele era estranhamente imaterial, partes de seu corpo aparecendo e desaparecendo. O chiado do demônio, parecendo um apito vindo dos mais fundos abismos do Inferno, era de uma sonoridade apavorante. O cheiro da criatura era algo abissalmente ignóbil, como se o próprio fedor do Rio Styx impregnasse tal criatura.
E ainda assim, diante dos irmãos Tobby e Jenny, da Ordem de Santa Magdala, a criatura não parecia exercer nenhum poder. Pois esse era o dom dos integrantes da Militia, os Exorcistas de 1ª Classe da Ordem: um treinamento e uma preparação que ultrapassava todos os limites e os tornavam pessoas acima do medo normal, capazes de suportar a franca hediondade do verdadeiro Mal, alienígna aos conceitos humanos. E eles eram da Militia.
O monstro chiou, avançando seu corpo hediondo contra os dois. Eles se deslocaram, afastando-se da bocarra grande e fedorenta que se abrira. Jen atacara o corpo do monstro, mas ele tornou-se imaterial em instantes:
– Que droga é essa, Tobby? – disse Jen, tentando golpear novamente.
– Segundo nossos informantes, Pólipos das Profundezas. Uma criatura do panteão cósmico. Associada aos Cthulhunianos. – disse Tobby, atirando com a munição normal oferecida aos exorcistas.
– Que saco! Mais uma vez um cultista maluco libera uma p%#$a de um monstro do c$#%&*o e é a gente quem tem que consertar a bagunça. Quando esse filhos de uma rapariga vão aprender a não mexer com o que tá quieto?
– Eu aconselharia você a maneirar o linguajar, Jen.
– Que se dane! Depois pago penitência! Mas agora tenho coisas mais importantes para me preocupar. – disse Jen, cravando fundo sua Espada contra o Pólipo, que começou a se debater, tornando a parte ferida imaterial e escapando.
– Isso não vai funcionar! – disse Jen – Vamos ter que fazer um golpe rápido como treinamos.
– Procedimento Libera Sanctii? Parece uma boa idéia. Não vejo outra forma de vencermos.
– OK, vamos nessa! – disse Jen, correndo em direção ao monstro – Vamos ter pouco tempo!
Jen correu, o vestido de freira esvoaçante e as calçolas protegendo seu pudor ao mesmo tempo que permitiam o movimento amplo das pernas. Jen cravou a espada em uma longa parte da criatura, o sangue negro e fedorento jorrando. A espada atravessou a criatura, enquanto cravou-se na parede de tijolos do depósito. Ela girou a lâmina para abrir o máximo de carne possível da criatura.
– Agora, Tobby! – gritou Jen – Acaba com essa coisa!
– “Glória Patri et Fílio et Spirítui Sancto. Sicut erat in princípio et nunc et semper et in saecula saeculórum. Amen” – entoou Tobby, armando sua pistola com a munição especial – Sacred!
Os disparos da munição anti-demônios fez o depósito se ilumar com o brilho das cruzes que apareceram nos locais onde os tiros acertaram. O Pólipo chiou ainda mais alto e fechou sua bocarra, desfazendo-se em uma poça de uma gosma marrom e fétida. Dois pequenos pedaços papel dentro do mesmo chamou a atenção de Jen, que rapidamente calçou uma luva e os pegou.
– Filigrana! – disse Jen – Uma invocação travada. Que legal! – disse Jen – Algum espertinho anda vendendo amuletos para invocação de Antigos e depois a coisa todas explode.
– Bate com o que a Central da Ordem nos informou. Bem, não temos mais nada o que fazer aqui. Vamos voltar à Ordem.A turma da faxina já está a caminho.


Sligo, Irlanda, 10:00 hora local:
– “Ó Deusa Mãe, cuja face volta-se para a luz do sol. Receba agora minha oferenda.” – disse Ingrid, dispondo das frutas e flores. Cortou a maçã em quatro e colocou-a sob a pira. Usou a lente feita em Avalon para acender a pira com os raios do sol. O brilho do fogo das oferendas brilhou sobre a água do cálice, ao qual ela sorveu. – “Sagrada Mãe, sou grata por sua força, que me permite trilhar o caminho entre as Estradas da Vida e da Morte.”
Hannah observava Ingrid em seu ritual: desde que se conheceram no Templo de Tar-Amaron, ela vem sendo sua “mãe”. Seu pai o Sargento Will Stryker, foi abatido dos céus por ninguém menos que o Barão Von Richtoffen, o Barão Vermelho. Ao menos, Hannah sabe que o Barão Vermelho honrou seu pai como combatente, saudando o caído em seu avião.
A cerimônia de Ingrid estava encerrada. Ingrid continuava pouco à vontade para atuar em rituais com outros seguidores do Culto Antigo, ou Wicca como os dos Reinos Interiores chamavam. Sabia que muitos dos seguidores do Culto nesse Reino Interior a viam como conselheira, mas ainda assim ficava pouco a vontade, usando a privacidade da pequena casa em Sligo, Irlanda, como refúgio de um mundo que compreende mas pelo qual não é compreendida. Ainda sente alguma falta de Avallöne, a terra de Avalon, a Ilha Sagrada. Mas sabe de sua missão diante da Deusa Mãe.
– Ingrid, tô com fome! – disse Hannah. A pequena sapeca pode não parecer, mas era mais sábia que o normal. Ingrid sabia disso, pois ambas eram da mesma estirpe de pessoas, ainda que separadas por anos e mundos. Eram Primordiais, herdeiras de dons desconhecidos até para elas, que alguns consideram ser a última barreira entre os humanos e a destruição e o Mal absolutos. Mas apesar disso, Ingrid sabia, Hannah ainda era uma criança. E como toda criança, manhosa.
– Já vou preparar alguma coisa. – disse Ingrid, com sua voz harmoniosa. – Mas primeiro…
Foi quando ela percebeu que tinha algo errado.
– Hannah! Esconda-se!
Um papel arremessado ao chão próximo a Hannah se revelou uma criatura apavorante, meio homem-meio peixe. O cheiro revoltante de peixe apodrecido foi a primeira impressão. A visão de ambas imaginou de imediato os Jyaakkkar, os terríveis escravos mutantes dos Atlantes, mas desde que os Primordiais venceram o Senhor da Guerra Atlante Grh’ankarr e devolveram o trono do Reino Sob os Mares ao verdadeiro senhor, L’Khurn, existe uma paz inquieta entre Primordiais e Atlantes. Além disso, a visão é mais revoltante ainda.
Hannah teve pouco tempo, sendo agarrada pelos pés e erguida como uma boneca de pano sob o monstro. Ingrid apelou à sua magia:
“Mãe-Deusa, tu que és Mãe que Tudo Provê, assim como o Destino é tecido pelos Fios das Tecelãs do Tempo, teça ao solo o inimigo e o impeça de desfiar a trama do Destino que protege-nos” – disse Ingrid. Vinhas de grama se ergueram do chão e prenderam o monstro, o suficiente para que os chutes de Hannah surtissem efeito e permitissem a ela escapar.
Mas não mais que isso: a pele do monstro possuia alguma substância pegajosa e fedorenta que a impregnava e permitiu que ele soltasse-se da armadilha mística de Ingrid. Ele avançava na direção da mesma, que tinha apenas sua faca cerimonial em suas mãos. Ela a arremessou, mas o monstro se esquivou por pouco, e a substância pegajosa corroeu a lâmina da faca, que fumegou e dissolveu.
Foi quando uma lâmina levemente azulada trespassou o peito da criatura:
– Você está bem, Hannah-kynjah? – disse o homem que segurava a lâmina atrás do demônio, que gritava. A substância não era metálica, mais parecendo com algum tipo de gelatina endurecida, mas era perceptível, pelos urros de agonia do demônio, que era uma lâmina muito afiada.
O homem, que tinha cabelos tão verdes quanto os olhos, virou a lâmina da espada para cima e, com um repuxão, trespassou o corpo, rachando o monstro em dois da altura do estômago monstruoso até a cabeça repulsiva meio-homem meio-peixe. A velocidade com que a lâmina saiu deu a impressão de que a lâmina foi impulsionada por uma pessoa dez vezes mais forte que o jovem em questão. Mas com extrema precisão ele a parou no ar no exato momento em que as vísceras nojentas do monstro desabavam próximo a Ingrid.
– Obrigada, Radaj. – disse Ingrid.
A pequena Hannah, ainda um pouco chorosa, perguntou:
– O que diabos é isso?
– Não é um xenomorfo, isso posso garantir. – disse Radaj – Embora seja de uma aparência tão hedionda quanto um.
– Acho que sei. – disse Ingrid – É um Demônio Submerso, uma criatura de Antes da Aurora do Homem!
– Como assim, Ingrid? – disse Hannah, enquanto percebiam que uma gosma nojenta começava a se formar enquanto o corpo do monstro derretia. Pedaços de papel podiam ser vistos, e Ingrid pegou-os com uma pinça.
– Filigrana. Tem alguma magia residual. – disse Ingrid. – Hannah, o Lollipop está preparado?
– Sim. – disse Hannah, ao ouvir o nome do hidroavião que era sua posse mais adorada – Só vou precisar por um macacão. Tem pressa?
– Não. Eu e Radaj precisamos preparar algumas coisas ainda. – disse Ingrid.
– Onde vamos – disse Hannah
– Ao Templo de Angelus. Acho que ele saberá nos dizer o que está acontecendo! – disse Ingrid, mencionando o Arcanjo do Senhor que ajuda os Primordiais.

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O “Dragão de Forno” – uma estalagem de Rygar

Rygar, como se sabe, é uma grande cidade, maior até mesmo que alguns reinos. Portanto, em tamanha cidade, variados tipos de pessoas vivem, e portanto existe a necessidade de diversos tipos de tavernas para os paladares desses diversos tipos de pessoas. Desde o badalado restaurante élfico “Gindjael” ao infame “Machado no Crânio“, passando por um sem-número de barracas, tavernas, estalagens, cantinas e afins, o visitante pode encontrar pratos capazes de satisfazer seu paladar, por mais exótico ou grotesco que ele seja (reza a lenda que na  Torre da Perdição do Bairro Vertical pode ser encontrada uma sinistra taverna especializada para canibais e outras criaturas que se saciem de carne humana ou semi-humana). Mas não existe estalagem mais famosa que a “Dragão de Forno”.
O estranho nome às vezes é considerado ofensivo, mas reza a lenda que foi dado por um Dragão de Cobre que estava passando por Rygar em forma humana, chamado Deroxyalyachyus (Dragão, Bom) ao ver o prato principal servido por Tyrondir Mãodemassa (Halfling, Bom), um poderoso guisado temperado com especiarias picantes dentro de um pão em formato de dragão! Sem que Tyrondir  soubesse que estava servindo a um Dragão, ele serviu o guisado ao dragão, que apreciou o saboroso prato e decidiu homenagear Tyrondir revelando a verdade sobre ele. Ao descobrir o fato de Deroxy (como o Dragão preferia ser chamado), Tyrondir se apavorou, pensando que seria ele a virar comida de Dragão. Deroxy então teria soltado uma sonora gargalhada e dito a Tyrondir: “Já comi vários fornos de dragão, mas nunca um Drãgo de Forno!“. Tyrondir, que jamais tinha nomeado sua estalagem e nem seu prato (a estalagem se chamava Pousada do Halfling e o prato Guizado Especial Picante), aceitou de bom grado a homenagem e renomeou tanto o prato quanto a estalagem de “O Dragão de Forno”. Desde então, a fama pelos reinos de bom serviço do Dragão de Forno se espalhou, e a estalagem tornou-se o principal ponto de encontro entre aventureiros viajantes que estejam de passagem por Rygar.
Para os padrões normais, o “Dragão de Forno” é enorme, embora não seja grande como o “Gindjael” ou o “Navio Encarnado“: possui quatro mesas grandes centrais, onde até oitenta pessoas podem se sentar, e mais uma série de mesas menores para seis pessoas, que podem ser algumas por um preço razoável (em torno de 2  PP, sem incluir nenhum serviço). No caso dos dormitórios, existem quatro dormitórios coletivos para até 20 pessoas cada, além de quartos menores e até mesmo quartos individuais. Todos os quartos são limpos e, embora simples, confortáveis, com um preço baixo (5 PP/diária). Tyrondir faz questão de manter o padrão de qualidade na comida com um custo razoável (1 PO/pessoa/refeição), além de fornecer bebidas dentro do padrão normal para uma estalagem típica.
O “Dragão de  Forno” possui uma grande cozinha aberta, onde as pessoas podem ver seus pratos sendo preparados. No fundo da mesma, dois grandes fornos assam continuamente os pães especiais que Tyrondir precisa para seus pratos mais famosos, o “Dragão de Forno” e o “Pão Chato Halfling”, além de um pão especial de viagem produzido por ele, o “Dragão Voador”.

  • Dragão de Forno: o Dragão de Forno é basicamente um guisado feito por uma grande variedade de carnes e legumes diferentes, servido dentro de um pão em forma de dragão, chamado de Pão-Dragão. Pães menores, chamados de Pães-Tigelas, são usados normalmente como pratos. A “etiqueta” na estalagem afirma que o Dragão de Forno deve ser servido pegando-se com a concha o guisado e o colocando no pão-tigela: em seguida, pedaços do Pão-Dragão devem ser misturados ao guisado e então deve-se comer o guisado com a colher. Ao terminar-se, deve-se comer o pão-tigela e o Pão-Dragão. Devido aos condimentos poderosos e aos pães, o Dragão de Forno pode substituir praticamente uma refeição inteira, necessitando apenas de bebidas e algumas verduras. O Dragão de Forno é vendido a 2 PO/pessoa ou em uma versão de tamanho grande para até 6 pessoas a 8 PO;
  • Dragão Voador: o Dragão Voador na verdade nada mais é que um pão-de-viagem feito dos mesmos ingredientes do Dragão de Forno, secos, assados até alcançarem uma crocância normal de um pão de viagem. Os condimentos são levemente reduzidos, mas o sabor picante característico do Dragão de Forno permanece. Os pães substituem rações de viagem, sendo que cada pão dura 2 dias para uma pessoa, ocupando o mesmo espaço e peso de um dia de ração de viagem. O custo é o mesmo de dois dias de ração de viagem;
  • Pão Chato Halfling: um prato pouco conhecido fora de Rygar a não ser nas comunidades de halfling, o Pão Chato Halfling é feito com uma massa normal de pão com pouco fermento, bastante sovada e aberta na forma de um disco, o que oferece uma leveza especial à massa. Em seguida, uma série de molhos e temperos são espalhados sobre a massa e alguns “recheios” são agregados à mesma. Em geral, os recheios são variantes diversas de queijos e presuntos, alguns embutidos e azeitonas ou cebola picada, mas esses ingredientes podem variar conforme o preparador (uma variante élfica pouco conhecida, chamada televai, leva vários tipos de verduras escuras, tomates e o caule da planta élfica tevanon). Embora não sustente como o Dragão de Forno, muitos em Rygar gostam de consumir o Pão Chato quanto querem comemorar alguma coisa ou simplesmente quando estão com pressa, uma vez que o Pão Chato é assado rapidamente. Um Pão Chato para 6 pessoas sai a 3 PO, enquanto uma versão maior para 10 pessoas custa 4 PO;

Devido ao intenso movimento, Tyrondir não é o único a trabalhar aqui. Além dele, dois outros cozinheiros, Elyn Denalonan (Elfo, Leal) e Garth Zienfreid (Humano, Neutro) atuam como cozinheiros, sendo os únicos que conhecem, além de Tyrondir, o segredo sobre a fabricação do Dragão de Forno. Além desses, dois minotauros servem de leão-de-chácara da Estalagem, Rineus e Lienaras. (Minotauros,  Leais). Ambors são ex-escravos que foram comprados e libertos por Tyrondir, para quem trabalham atualmente. Ambos são conhecidos por suas a habilidades de combate não-letal e pelo fato de possuirem anéis mágicos capazes de imobilizar misticamente alvos quase tão grandes quanto eles.
Existe uma grande gama de boatos sobre o “Dragão de Forno”, muitos deles apenas fruto da imaginação bizarra dos moradores de Rygar, outros sussurados como se fossem conspirações malignas. Entre os mais conhecidos, estão:

  • O Dragão Deroxy ainda está observando Tyrondir. Por isso, aqueles que arrumam brigas no “Dragão de Forno” normalmente não são mais vistos;
  • Tyrondir na verdade é um mago proficiente que abandonou uma carreira de aventuras após ver seu grupo ser exterminado por um dragão antes de que ele próprio pudesse acabar com o monstro. Seu talento culinário permitiu que ele continuasse a viver em Rygar e o formato de Dragão ao pão do Dragão de Forno foi uma forma de homenagear seus amigos mortos;
  • Tyrondir tem como amiga Leaf Speedster, uma das mais famosas mensageiras de Rygar. Isso leva muitos a crer que  Tyrondir seja no mínimo um Sábio a serviço de alguma Casa de Informação, provavelmente a Agamir (que tabém é a que Leaf faz parte). Alguns também acreditam que Tyrondir seja na verdade um Senhor de uma Casa menor ligada à Agamir ou, mais ainda, à casa Três Irmãos;
  • Um dos condimentos usados por Tyrondir no Dragão de Forno é um condimento que, usado da maneira errada ou em grandes quantidades, pode matar uma pessoa comum e deixar até mesmo o mais resistênte bárbaro enfermo. Os que acreditam nesse boato sempre procuram descobrir qual dos condimentos é o veneno em potencial, mas Tyrondir faz questão de deixar sua receita secreta. Aparentemente, à exceção de Tyrondir, apenas Deroxy conhece a receita completa do Dragão de Forno;
  • Os dois cozinheiros Elyn e Garth sabem como preparar os condimentos a serem usados no Dragão de Forno, o que já os tornou alvos de muitos que desejam roubar seus segredos. Porém, toda vez que um deles foi seqüestrado, seus sequestradores tiveram seus pedaços espalhados por boa parte de Rygar. Ninguém sabe como isso ocorre, mas dizem que Tyrondir teria aplicado uma mágica neles que, exceto se ele permitir, extermina qualquer pessoa que descubra o segredo dos condimentos do Dragão de Forno;

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O Bairro Vertical – uma adição a Rygar

Uma das visões mais estranhas quando se aproxima de Rygar é ver que, se as muralhas são altas e as pontes também, as construções ainda assim costumam revelar tetos ou até mesmo toda a construção por sobre as muralhas. Mas o mais incrível de tal visão é ver  grandes torres aparentemente feita de casas empilhadas umas sobre as outras. Esse distrito é um dos mais populosos e movimentados de Rygar, apesar de ser um dos menores em termos de espaço. O seu nome vem de sua principal característica: a esse distrito se dá o nome de Bairro Vertical.

O Surgimento do Bairro Vertical:

Originalmente, o local onde hoje encontra-se o Bairro Vertical era formado por um espaço confusamente ocupado e que se espalhava também pelo espaço onde hoje ficam o Distrito do Mercado e a Praça das Raças. Quando ficou decidida que haveria a Grande Obra, muitos de seus moradores ficaram apavorados com o que viram: uma boa parte do espaço que antes era o seu lar seria tomado pela Guilda dos Comerciantes e transformado (como foi) no Distrito do Mercado e na Praça das Raças. Seguiram-se uma série de protestos, alguns muito violentos, mas como se diz em Rygar “é mais fácil encontrar um Dragão Vermelho de boa índole do que um Burocrata de Rygar que mude de idéia“. Muitas pessoas de bem perderiam suas casas, apesar da alegação dos Comerciantes de que a região era composta por bandidos e salteadores.
Foi então que o anão Ryumar Randarstan teve uma visão mandada pelo Deus dos Anões: ele viu os antigos Salões dos Anões de sua terra natal e como eles eram escavados da terra, e viu Rygar e como torres gigantescas podiam abrigar as pessoas. Quando acordou, descobriu-se dono de uma poderosa técnica de construção, que permitiria o impossível: construir casas umas sobre as outras.
Ao apresentar essa idéia aos Comerciantes e Burocratas, muitos escarneceram dele, achando a idéia no mínimo idiota, mas foi quando Ryumar argumentou: “a milênios meu povo constrói salões com muitos níveis dentro das montanhas. Os elfos controem lares sobre as copas das centenárias árvores de sua terra natal. Deve haver uma técnica para construir-se casas humanas umas sobre as outras, onde uma sustenta os pesos da outra.”
O material para tal obra, Ryumar descobriu, viria de uma pedreira próxima a Rygar: a pedra-leve era uma pedra que podia ser lavrada como qualquer outra e tinha uma resistência enorme, como apenas os melhores blocos de mármore e pedra possuiam. Mas com uma vantagem inestimável para o projeto: seu peso era ínfimo, apesar da capacidade de sustentar muitas vezes mais seu peso sobre si.
Com a combinação de blocos pequenos de pedra-leve, argamassa e técnicas novas de engenharia descobertas por Ryumar, a primeira das Grandes Torres começou a ser construída. Inicialmente o projeto de quatro níveis era modesto, podendo hospedar apenas cem casas, mas o espaço ocupado era equivalente ao de vinte casas normais. Conforme ele foi aumentando o número de níveis, junto com os seus subordinados e aprendizes de todas as raças, que passaram a ser conhecidos como Construtores Verticais, os Comerciantes e Burocratas receberam um justo calaboca e o povo uma nova oportunidade. Quando a primeira das muralhas que isolaria o que na época era chamado de Bairro Baixo foi erguido, a Primeira Grande Torre já se erguia a mais de 100 metros do chão, com vinte e cinco níveis de casas. Muitos anões ficaram maravilhados com essa torre, e ainda mais pela resistência da mesma: vigas de adamantite especialmente construídas formando uma reforçada grade metálica oferecia a sustentação inicial, enquanto vergalhões metálicos se erguiam aos céus. Esses vergalhões ofereciam espaço para conexões em todas as direções, o que permitiu que as Cinco Torres do Bairro Vertical tivessem suas próprias Pontes (algumas ligadas às Pontes principais de Rygar), assim como ginásios, praças e bosques. A pedra-leve permite que haja ventilação e isolamento acústico e térmico na medida certa, enquanto jogos de espelhos simples fazem com que a luz seja disseminada normalmente dentro das Torres.

As cinco torres:

O projeto original de Ryumar Randarstan (chamado de Empilhalar pelos añões) projetava todo o espaço como uma construção contínua, mas conforme a Grande Obra foi acontecendo, um projeto ainda mais ambicioso foi feito: criaram-se cinco torres pelas quais as pessoas poderiam passar. Cada torre, medindo cada uma individualmente em torno de 200 x 200 metros, fica em uma direção: Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro, sendo que elas são levemente “rodadas” para o lado de modo a não interferir nas grandes avenidas e pontes de Rygar. A maior delas é a primeira, a Torre Norte. Atualmente ela possui 78 pavimentos com algo em torno de 250 lares dentro da mesma. Alguns desses lares são pocilgas divididas entre algumas dezenas de goblins, enquanto outras ocupam um pavimento ou mais só para si, como o lar de Dohemir Windwalker (Humano, Bom), ex-mensageiro e atual administrador do Bairro Vertical nomeado pelos Altos Burocratas. Alguns lares ocupam de maneira estranha a torre, como o lar da famosa mensageira Leaf Speedster, que ocupa apenas um dos lados da torre, mas por dois pavimentos. Em geral, uma residência típica tem o mesmo tamanho de uma casa tradicional.
A Torre Sul é a segunda maior, com 62 pavimentos. Também é conhecida como “Torre de Perdição”, pela fama infame de ser o local onde ficam alguns dos piores prostíbulos, tavernas e igrejas más de todo o reino. Mas em alguns pavimentos também podem ser encontrados uma série de lojas e oficinas que sobrevivem de seu trabalho sem pestanejar. A Torre Sul é residência do halfling Tyrondir Mãodemassa (Halfling, Leal), dono do “Dragão de Forno”, um dos restaurantes mais conceituados de Rygar. Apesar da infame fama da Torre Sul, ninguém ousa mexer com Tyrondir: além de ter como amiga Leaf Speedster, dizem as lendas que o pequeno cozinheiro já foi um aventureiro competente antes de chegar em Rygar.
A Torre Leste possui 50 pavimentos e tem como ponto mais interessante a loja de livros “A Memória da Esfinge”. Mantida por uma estranha gino-esfinge, Ginedine (Gino-Esfinge, Neutra), é o melhor ponto de encontro para a aquisição de tomos mágicos. Ginedine também pode trocar informações sobre o mundo exterior e sobre magia, e dizem os boatos que ela atua como uma Sábia para a Casa de Informação dos Três Irmãos. Ela pergunta bastante e responde pouco, como toda boa esfinge, mas aqueles que são seus amigos são recebidos com muito mais do que apenas chá de hortelã.
A Torre Oeste possui 46 pavimentos, sendo que os dez primeiros são dominados pelo Templo do Vento Rygariano. Formado por T’sung Han-Chi’e (Humano, Leal) essa academia de monges ensina algumas habilidades de combate desarmado para os que desejarem, mas seus maiores segredos são mantidos para os membros da Ordem. Dizem que T’sung já alcançou um tamanho grau de iluminação que até mesmo alguns raros seres de outros planos o respeitam.
A Torre Central, chamada também de Diamante Central (porque, “vista do alto”, ela tem a forma de um diamante de lados iguais, como as demais torres) é a menor de todas as torres, com “apenas” 20 pavimentos, mas neles existe um verdadeiro complexo de entretenimento, com anfiteatros, arenas e praças arborizadas (!!!) onde os moradores do Bairro Vertical podem passear.
As Torres se interligam entre si em diversos níveis, por meio de passarelas, com apenas uma exceção: os níveis só se ligam no mesmo nível uns dos outros. Portanto, a Torre Central só se liga atualmente com as demais Torres por meio do seu 20° pavimento. As demais Torres se interligam entre si por meio de passarelas nos mais diversos níveis, com a excessão de que nenhuma passarela pode passar por cima da Torre Central. Os Construtores Verticais tem projetos de ampliação das Torre Central até pelo menos o 35° pavimento, com passarelas ligando-a às demais torres. As Torres também se ligam às Pontes e Muralhas de Rygar que passam por elas em determiandos níveis.

Subindo e Descendo as Torres:

Os habitantes do Bairro vertical sobem e descem as Torres por meio de elevadores construídos nas laterais dos mesmos. Além disso, as bordas laterais das Torres possuem “ruas” pelas quais as pessoas podem caminhar. Por segurança, muitas delas são protegidas por placas de um material chamado entre os elfos de tyliandin, uma espécie de placa de metaltal, misticamente tratado para permitir que luz, calor e som trafeguem normalmente, mas para que nenhum objeto possa sair das “ruas”, evitando suicidas, embora seja conhecido que o uso de magias anuladoras de mágica inutilizam esse material. Alguns mensageiros são capazes de, usando  as práticas do displace, subirem com as mãos nuas os prédios, mas alguns preferem não o fazer por ser algo muito arriscado para a grande maioria. Pontes e Escadas devidamente posicionadas também auxiliam no deslocamento dos moradores do Bairro Vertical. Alguns mais ricos podem utilizar-se de métodos de vôo, tanto por meio de animais voadores quanto por meio de objetos. Alguns recorrem a balões, mas esses são arriscados devido às pariedes de tyliandin.


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A Praça das Raças – uma adição a Rygar

Como todos sabem, Rygar não consta apenas com humanos em sua população. Anões, Elfos, Halflings, Gnomos e outros seres de constituição igual à do ser humano vivem em nossa cidade. Realmente existem pragas como a do ocasional batedor de carteiras goblin ou mercenário minotauro que sai da linha, mas a grande maioriavem para Rygar apenas cuidar de seus afazeres, sem interferir ou causar problemas à sociedade. Portanto, é o mínimo de cortesia que podemos ter em oferecer a esses visitantes um espaço que, ao mesmo tempo que permita um encontro com os seus, ofereça um ponto de concórdia para os negócios de todas as partes. Desse modo, é imprescindível instituir um local como esse no meio de nossa amada cidade, para que os filhos dos outros Deuses possam encontrar seu próprio espaço e possam comungar entre os seus e entre os que lhes são queridos.
Audrax Mayrethral Meister da Guilda dos Comerciantes, conforme registrado por Domenique Hyarek, membro oficialmente denominado pela Altíssima Ordem dos Burocratas de Rygar, durante a reunião do Conselho da Cidade de Rygar na qual a Praça das Raças foi institucionalizada como parte da Grande Obra.

O mundo onde fica Rygar é enorme e possui várias raças que vivem nela. Dos belos Elfos aos Anões mal-humorados, passando pelos divertidos Gnomos, atrevidos Halflings e raças ainda mais exóticas, todos procuram viver, e isso não poderia ser diferente em Rygar.
Mas existem rixas antigas entre as raças: Elfos achando os Anões rudes, Anõs vendo os Gnomos como bagunceiros, Gnomos vendo Halflings como mal-educados… E outros adjetivos bem piores, que não poderiam ser ditos na frente de pessoas sensatas. Conflitos que pudessem explodir seriam terríveis, ainda mais em uma cidade enorme e superpopulosa como Rygar, onde humanos e semi-humanos são contados aos milhares de milhares, sendo garantido o fato de que vão cedo ou tarde encontrar problemas.
Foi então que, no ano 480 após a fundação de Rygar, um dos antigos Meister (Mestres) da Guilda dos Comerciantes, visando facilitar o fluxo de mercadorias e pessoas de outras raças que não a humana em Rygar, sugeriu (e foi atendido) que fosse construída um local que pudesse ser um Ponto Neutro entre as raças. A Praça das Raças, como passou a ser conhecida, é um dos poucos pontos da cidade onde nem a Guarda da Cidade e nem os Burocratas se envolvem em demasia. Para manter a segurança do local existe uma força chamada de Os Companheiros, formada por um representante de cada uma das raças mais importantes dentro de Rygar (na verdade, qualquer um pode se aplicar a se tornar um Companheiro, desde que não aja outro representante da mesma raça dentro dos mesmos). Um conjunto de normas de cortesia, conhecida como o Códice de Audrax, é usada em conjunto com as leis de Rygar: basicamente, o Códice de Audrax diz que todos são iguais, que a violência não deve ser tolerada na Praça e redondezas, que ninguém pode ser vítima de preconceito e que todos tem direito de permanecer em paz. Os semi-humanos que conhecem o Códice e os Companheiros sabem também que não é uma idéia nada feliz (ou saudável) violá-lo. O atual “líder” dos Companheiros é Illya Kresta (Humana), que prefere manter os Companheiros unidos pelo exemplo, não favorecendo e nem aceitando favorecimentos para nenhuma raça.
A Praça tem como grande vantagem o fato de que todo membro de qualquer raça que venha até a Praça não ser vítima de violência. É claro que os criminosos, independente da raça, são presos uma vez que a culpa seja determinada, mas o Códice prevê que aquele que vier até a Praça e se entregar voluntariamente não poderá ser vítima de violência. Essa norma é aceita na maioria dos casos até pelos Guardas que venham de outros distritos de Rygar.
O Centro do Distrito da Praça das Raças é conhecido como Sinédrio. Nele, os mais antigos e respeitados membros de cada raça ou seus indicados se reúnem para confabular e debater as questões sobre cada raça. Em geral, aos membros do Sinédrio também se unem um ou mais Burocratas e alguns outros membros das diversas raças que atuam como delegados, auxiliares, escreventes ou secretários dos membros dos Sinédrios, os chamado Sinaidrae. Esse é o ponto onde a segurança e os pactos de não-agressão firmados no Códice de Audrax são mais levados a sério: qualquer tentativa de assassinato é rapidamente divulgada e, em geral, não demora muito para o assassino ser visto aprisionado pela Guarda de Rygar. Para garantir isso, o Sinédrio atua em conjunto com as Casas de Informação da Guilda dos Informantes, divulgando as persona non grata que cometem os mais terríveis crimes contra o Sinédrio ou motivados pelo ódio racial. Não dá para se negar que exista muita disputa política, travada na retaguarda, por meio de palavras doces e bravatas afiadas, entre as várias raças, mas o Sinédrio tem sido, nos últimos 1000 anos, uma forma razoavelmente eficiente de manter as coisas no lugar.
Além do Sinédrio, existe a conhecida Feira das Raças, onde todo tipo de mercadoria tradicional entre as raças (exceto aquelas de maior renome) podem ser compradas ou vendidas. O vinho élfico, a joalheria anã, os brinquedos gnomos, a exótica culinária halfling, tudo isso pode ser encontrado na Feira das Raças, assim como, dizem os boatos, a Gruosssh, a cerveja goblin; a alabarda-sabre minotaura e outros itens raros e/ou malignos. Obviamente os vendedores que venderem tais itens são repreendidos pelos Companheiros, mas existem boatos que dizem que determinados itens nunca rareiam. Também são repreendidos pelos Companheiros os que vendem mercadorias falsas e os que negociam contra a vontade alheia.
Restaurantes exóticos são uma das especialidades do distrito: uma pessoa pode comer carneiro com fumo halfling e beber lanadinerel, o licor doce élfico em uma mesma noite, tendo tido como aperitivo o nojento mais saboroso picadinho goblin de cabrito no molho de sangue. Comida para qualquer paladar, do mais rude ao mais refinado, pode ser encontrado na Praça das Raças.
Os moradores da Praça insistem em afirmar que prezam pelos relacionamentos. Claro que o artesão élfico pode ter suas rixas contra o ferreiro anão ou o musicista halfling, mas eles irão sempre se ajudar se alguém, mesmo que seja um elfo, anão ou halfling atrapalhar a paz da Praça. Tentar provocar problemas na Praça pode ser uma ótima forma de ir para as masmorras de Rygar (ou ter outros destinos não tão bons).
Existe boatos de que o submundo da Praça é um dos locais mais perigosos que existem em Rygar: todo tipo de escória de todas as raças vivem aqui e todos capazes de vender a mãe por um pedaço de carne… e não a entregar. Também dizem que se é necessário um serviço perigoso a baixo custo, é esse o local onde procurar. Mas também é arriscado o fazer: estranhos em geral não são bem vindos.
Mas para o habitante típico da Praça, ela é a realização do sonho de Audrax: um ponto de encontro e comunhão entre as mais diversas raças que habitam Rygar.


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A Guilda dos Informantes de Rygar

Em uma cidade do tamanho de Rygar, nem sempre encontrar coisas, pessoas ou informações é algo fácil. Embora a Burocracia e a Guilda dos Guias atuem da melhor maneira que podem dentro de certos parâmetros, sempre existem aqueles que preferem pagar por uma informação de primeira mão, ou algo que normalmente não poderia ser obtido pelos “meios normais”, como contratar determinados tipos de profissionais ou obter determinados itens, além de enviar informações de maneira a fugir dos “canais oficiais”. Em um cenário como esse, a profissão de Mensageiro, assim como suas associações, as Casas de Informação, são um serviço extremamente válido, visto como necessário até mesmo pelos mestres da Alta Burocracia.

As Casas de Informação:

Existem diversos tipos de Casas de Informação, desde pontos abertos para troca de informações rápidas até mesmo pequenas cabalas que se reunem em locais secretos nas tavernas de Rygar para obter segredos malignos. A única coisa que elas possuem em comum é o fato de seguirem o Dogma, uma doutrina que rege todas as Casas ligadas à Guilda dos Informante. Não seguir o Dogma é o suficiente para ser ostracizado, e informação velha não costuma vender (sem falar nos riscos aos integrandes de uma Casa clandestina).
Embora possa parecer um negócio ilegal (e algumas vezes o ser), na maior parte do tempo as Casas atuam de maneira bastante ordeira: muitas possuem negócios lícitos de trocas de informação sobre determinados assuntos, e o fato de coletarem e catalogarem tais informações em fluxo constante de maneira rápida e eficiente é um serviço que qualquer um reconhece como válido. Mesmos escribas e burocratas recorrem ocasionalmente às Casas, trocando, comprando e vendendo informação útil conforme o preço.
As Casas são compostas por um Líder, que representa a Casa diante do Conselho-Maior e da Alta Burocracia quando necessário. Os Líderes podem escolher um ou mais Sábios, Catalogadores ou Doutores, que são os responsáveis pela catalogação e “processamento” dessa informação. São inteligentes e sabem como ligar os fatos e dar ideias válidas sobre a informação obtida (claro que pelo preço adequado). Além disso, cada Líder possui um ou mais Mensageiros (ou Investigadores) que atuam como “entregadores” de informação, buscando ou levando informação a clientes que estejam “fora de alcance”. Os mais estranhos integrantes de uma Casa, são treinados em técnicas antigas de corrida e evasão de obstáculos naturais e artificiais, podendo pular muros, usar paredes como calçadas, cair de alturas consideráveis sem nenhum arranhão e outras façanhas capazes de deixar os maiores ladinos impressionados.
Existem muitas “Casas”, tantas quanto são os bairros e tavernas de Rygar, mas as verdadeiras Casas de Informação são mais raras, e entre elas as mais importantes são:

  • Meroch: Adar Meroch já foi um grande mercador, mas atualmente descobriu na informação uma forma de ganhos rápidos e até certo ponto legais melhor que a seda ou o vinho. Com seus contatos espalhados por metade de Rygar e seus mensageiros, ele é um poder oculto em si. Mais de um burocrata se viu em maus lençois por causa de Meroch e seu nome não é muito querido em certos círculos. Porém, Meroch faz tudo dentro da legalidade, procurando manter seus Mensageiros atentos a qualquer informação quente que possa ser útil.
  • Agamir: Ataoush Agamir veio de terras distantes e viveu aventuras em diversos reinos fora de Rygar, aprendendo coisas para mais de “uma vida e meia”, em suas próprias palavras. Um dos poucos que vê o mundo fora de Rygar com importância, Agamir é a principal fonte de informação vinda “de fora”. Mensageiros vão e voltam todos os dias de reinos distantes, e Investigadores bem postados nas principais tavernas conseguem coletar rapidamente qualquer novidade. Isso o torna um ponto de partida para aventureiros que se interessem por sair de Rygar por algum motivo, pois ele pode fornecer informações sobre como e quando sair, legalmente ou não;
  • Cinco Irmãos: Especialistas em Magia, os Cinco Irmãos são homens que moram em suntuosas residências, pagas com os lucros das informações sobre ingredientes e documentos de magia raros disponíveis em Rygar. Como a Casa Meroch, os Cinco Irmãos preferem atuar de uma maneira legal, mas Mensageiros bem posicionados são valiosos nesse jogo;
  • A Teia: ninguém sabe exatamente se a Teia é uma Casa ou uma agremiação de Casas agindo por baixo de apenas uma, mas o que se sabe é que quando se precisa contratar algo ilegal ou que possa complicar uma pessoa em Rygar, A Teia é a principal fonte de informação. Comandada por um homem conhecido apenas como “Minos”, a Teia possui uma das maiores redes de informação de Rygar, e é capaz de obter qualquer tipo de informação no submundo em qualquer local de Rygar em poucos minutos. Seus Mensageiros conhecem tudo sobre o deslocamento acima ou abaixo do chão, pulando dos altos de torres e entrando nos esgotos, para sair no local onde o Cliente espera. Informações caras, mas normalmente efetivas.

Os Mensageiros:

A visão mais comum relacionada à Guilda são os Mensageiros. Vestidos de forma exótica e leve e correndo por todos os lados de Rygar (inclusiva acima e abaixo do chão), a única forma de identificá-los são os dois brasões que são obrigados a usar: o da Guilda e o da Casa de Informações. Em geral não são combatentes, mas sua velocidade de corrida e as capacidades de esquiva e deslocamento estranhas que possuem, são capazes de subir paredes que mesmo os melhores ladinos seriam incapazes de subir, pular de prédios e resistir quedas que monges não são capazes, os Mensageiros são os os mestres do deslocamento dentro de Rygar, sendo capazes de ir e vir de qualquer lugar em poucos minutos.
O treinamento de um Mensageiro começa muito cedo, com missões simples e dedicação a técnicas atléticas que permitem a ele se deslocar rapidamente. Subir e descer paredes, “andar” por elas, usá-las como propulsão para saltos, caminhar em parapeitos e fios… Essas técnicas são estudadas à exaustão, até que o Mensageiro está preparado a atuar em conjunto com um Mentor, que irá o educar tanto nas habilidades da profissão quanto no Dogma da Guilda. Com o tempo, o Mentor passa missões de teste como levar um pergaminho a um alto burocrata que mora em uma grande muralha com guardas a cercando, entre outras. Quando o Mentor se dá por satisfeito com o sucesso do treinando às missões passadas, o Mentor o apresenta diretamente ao Líder da Casa e o treinando é reconhecido como um autêntico Mensageiro. A partir de então, ele pode atuar das seguintes formas:

  • Coletando informação e levando ao Líder de sua Casa;
  • Agindo como contato entre os interessados e a Casa de Informação;
  • Levando informação que o Líder deseje levar entre um ponto e outro (pode ser, por exemplo, entre duas Casas, ou entre a casa e um cliente/fornecedor);

A informação é levada em diversos modos: em geral, pergaminhos (algumas vezes tratados para pegarem fogo após serem abertos pelo cliente) são usados para as informações mais “classificadas”, enquanto informações comuns são simplesmente levadas pelo Mensageiro.
Mas um segredo pouco conhecido é o fato de que em alguns casos os Mensageiros têm a mensagem gravada misticamente diretamente em suas essências. Esse tipo de “tráfico” depende de uma série de fatores, e em geral o Mensageiro pode morrer se alguém tentar obter tal informação sem ser o cliente.
Mensageiros são pagos em um soldo mensal mais um adicional baseado na “periculosidade” da missão e na eficiência do Mensageiro. Em geral os Mensageiros trabalham unicamente para uma Casa, mas alguns podem trabalhar com diversas Casas, conforme o caso. Existem também mensageiros clandestinos, tanto atuando para Casas de Informação fora da Guilda quanto “independentes”, mas esses não costumam durar muito.
A Guarda de Rygar faz vista grossa às “invasões” dos Mensageiros, enquanto eles não se envolvem em nada mais “criminoso”, como arrombamento ou roubo. Em geral, a própria Guilda lida com aqueles que cometem crimes, de maneira bem rápida e cruel.

O Dogma:

O Dogma é o código que determina como as Casas de Informação devem trabalhar. Basicamente, ele tem as seguintes determinações:

  • Apenas fornecemos a informação, e não o que fazer com ela;
  • Respeito entre os irmãos das diversas Casas;
  • Mensageiros podem atuar para quem desejar, desde que dentro da Guilda;
  • A lei deve ser respeitada, mas interferências no trabalho da Guilda devem ser evitadas;
  • Nunca enfrentar os Guardas ou as demais Guildas de Rygar, a não ser em extrema necessidade;
  • Uma vez comprada uma informação, pagar o combinado. Uma vez vendida uma informação, entregar como combinado;
  • Dinheiro e Informação são formas válidas de pagamento;
  • O que o cliente deseja fazer com a informação não nos diz respeito. Em muitos casos, o próprio conteúdo não nos diz respeito.

Essa é a contribuição do +4 para Rygar, o cenario que está sendo criado em conjunto pela Blogosfera RPGística Brasileira. Veja também as contribuições dos Pergaminhos Dourados, do Inominattus e do RPGista.com.br.
Espero que seja válido para você que leu!

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Cenário: FUDGE Harry Potter

Se você ainda não sabe do que se trata a série Harry Potter (onde você esteve todo esse tempo?), ela fala de um garoto órfão (o que dá nome à série), que até os 11 anos de idade desconhece seu maior segredo, o fato de que ele, assim como seus pais, é um bruxo, ou seja, alguém capaz de utilizar Poderes Mágicos. Ao descobrir isso, quando faz 11 anos, é mandado para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, dirigida por Alvo Dumbledore, um bruxo poderoso, amigo e professor de seus falecidos pais. Lá, encontra inimigos, forma amizades, e descobre mais sobre seu passado e sobre a situação na qual os seus pais foram mortos.
Muitas crianças em todo o mundo passaram a se interessar pelas histórias desse jovem bruxinho, tanto que acabou chamando a atenção até mesmo do cinema. Muitos adultos, também, passaram a se interessar pelo mesmo. Além da série de livros (sendo o último publicado em português na época em que este módulo foi escrito “Harry Potter e a Ordem da Fênix”), foram publicados livros derivados, card games e outros itens de merchandise.
Muitos RPGistas imaginam-se qual a vantagem de utilizar-se um ambiente como esse em RPG. Utilizando-se da comparação que Lalo fez na matéria da Dragão Brasil que inspirou esse módulo (e à qual esse adapta para o Sistema Fudge), Harry Potter trabalha com uma temática muito usada no RPG, a de um mundo que, em segredo, compartilha do nosso, aonde uma sociedade com poderes especiais têm suas próprias intrigas e ordem social. E é sobre essa sociedade que iremos falar.
E essa é uma sociedade que precisa de aventureiros, ainda mais após o retorno do mais poderoso bruxo das Trevas do século, Lord Voldemort. Hogwarts e o mundo da magia correm um sério risco na mão de Voldemort e de seus capangas impiedosos, os Comensais da Morte.
Mas os personagens não estarão sozinhos: existem aliados, como a força esparsa da Ordem da Fênix, e os alunos de Hogwarts que acreditaram nas
palavras de Dumbledore e se uniram no Exército de Dumbledore, capitaneado por Harry Potter e seus amigos, e tendo sua inspiração no bruxo que deu seu nome como símbolo do exército, o único a quem Voldemort teme.
E nesse mundo, os personagens deverão agir, contando com a magia como sua aliada.
Sistemas de combate entre personagens e evolução de personagens não foram colocados pois prefiro deixar essa questão a critério de cada Mestre. No módulo básico do Fudge (que você pode copiar na seção Materiais e Links), você encontrará sugestões de como conduzir combates e evoluir personagens conforme sua campanha. No caso, foram incluídos um sistema de criação de personagem e um sistema de magia englobando as principais idéias de Harry Potter, além de descrições sobre o mundo do jovem bruxinho.
OBS.: Esse RPG contêm spoilers de todos os livros de Harry Potter até Ordem da Fênix. Se não leu tais livros e não deseja ter sua diversão estragada, não leia esse documento. Você foi avisado!!!