Aventuras Primordias! parte 2

Olá!
A idéia de Aventuras Primordiais! é escrever uma pequena série de contos interligados entre si passando-se no ambiente dos Primordiais. A idéia é mostrar uma ventura pulp e cliffhanger que dê uma noção do que se esperar em Espírito do Século. De qualquer modo, farei o melhor para que saia o melhor possível.
Bem depois dessa introdução besta, vamos ao que interessa:


Acima de Espoo, Finlândia, 12:00 hora local:

– Está realmente frio! – disse Ingrid, se embrulhando a sua manta verde.
– Deseja meu casaco, Ingrid-kynjah? – disse Radaj, começando a despir-se de seu casaco futurista que trouxe de Gaia 400X, sua “terra natal”, parte de um futuro distante.
– Não, obrigada… – disse Ingrid, em meio ao barulho dos motores de hélice do Lollipop, o hidro-avão de Hannah, que cruzava os céus sobre o Mar Ártico.
– Vocês dois, por favor se sentem! – disse Hannah, olhando os aparelhos. – A meteorologia está indicando rajadas de vento forte e turbulências. É melhor não ficarem em pé ou podem acabar se machucando.
Hannah estava vestida em um belo vestidinho rosa e casaco bem quente de cor verde, mas seu comportamento não era o de uma menininha doce, e sim de um piloto de aviões de verdade. Ingrid respeitava isso em Hannah: sabia que ela tinha perdido o pai muito cedo, durante a Guerra, sendo que ela viu seu pai sendo derrubado por ninguém menos que o lendário Barão Vermelho. Como Primordial, ela não tinha como chorar. Mas Ingrid ouvia às vezes ela chorando em seus pesadelos de uma criança que perdeu os pais…
Os dois adultos se sentaram em duas cadeiras, uma para co-piloto e outra para telegrafista. Hannah não precisava de ninguém ocupando ambas as posições, embora a ajuda fosse bem vinda.
Foi quando…
O avião começou a sacudir sem parar:
– O que está acontecendo, Hannah-kynrian? – Radaj perguntou, temerosos – São…
– Sim, Radaj, estamos em uma área de turbulência! – disse Hannah – Se segurem. Vou baixar nossa altitude e tentar sair dela. Está muito forte, não tenho condição de passar por ela sozinha.
Hannah foi abaixando o avião normalmente, até que…
Um grande estrondo foi ouvido:
– O que está acontecendo? – disse Ingrid, olhando para Hannah. Ela percebeu o olhar de medo na pequena criança.
– Um dos motores explodiu e uma das asas foi com ele! Deve ter sido um raio ou alguma coisa! – disse ela – Vamos ter que pousar… Vai ser duro!
Hannah puxou o manche para trás com toda a (pouca) força que tinha. Ela estava com muito medo: uma queda poderia ser fatal. O avião foi se alinhando aos poucos, mas ainda assim a batida foi forte. O avião se espatifou contra o chão, e o mundo rodou e rodou. O outro motor voou longe com a outra asa no impacto, o corpo do avião despedaçando-se como a casca de um ovo e os três chacoalhando e chacoalhando dentro dos restos da cabine.
Quando tudo parou, Hannah olhou para os lados: Ingrid e Radaj estavam desacordados, aparentemente muito feridos. Uma linha vermelha na testa de Ingrid não era feita pelos seus cabelos naturalmente vermelhos. A própria Hannah se sentia machucada. Pegou a bússola portátil e um rádio comunicador:
Mayday! Mayday! Aeronave Lolipop caída na região da Lapônia! Mayday! Mayday! Aeronave Lolipop caída na região da Lapônia! – Ela foi dizendo, enquanto saía da cabine e via a nevasca intensa.
Sem pensar, ela seguiu andando. Ela teve então a noção dos seus ferimentos: estava andando com dores e o corpo todo parecia que tinha levado uma imensa sova. Ela própria estava muito ferida, mas não podia desistir. Continuou andando a diante e a diante, falando e falando, a bússola enlouquecida conforme chegava perto do Polo Norte magnético. Até que seu corpo não agüentou mais e desabou.
Mayday! Mayday! Aeronave Lolipop caída na região da Lapônia! Mayday! Mayday! Aeronave Lolipop caída … Aeronave Lolipop caída … Aeronave Lolipop  … Aeronave Lolipop LolipopLolipop
Ela foi perdendo as forças, um sono mortal se abatendo sobre ela, suas roupas de frio mal e mal a protegendo da nevasca inclemente. Ela tombou, seus olhos verdes olhando apenas pouco acima da neve.
E ela viu…
Uma pessoa com roupas colantes verdes, e botas de mesma cor. A visão embotada não deixava ela entender o que estava vendo. Ela sussurrou:
– Sal… ve…-os…
E fez-se escuridão.


Cidade do Natal, Polo Norte 20:00 hora local:
“… ela está bem? Por Ceridwen, diga que ela está bem…”
“… ela vai ficar bem… Deixe ela descansar…”
“… pelos Cristais, se ela morrer, nunca me perdoarei!”
Hannah começou a voltar a si:
– Não se preocupem, ela só está inconsciente. Mas se Benhardt não tivesse a resgatado a tempo… É muita sorte terem caído perto da zona de vigilância. Melchior não ficou muito contente com isso, mas de outra forma, vocês estariam mortos. E o Pai Natal não gostaria nada disso.
Aos poucos, Hannah foi abrindo os olhos:
– O… que… houve…
HANNAH!!!!
Hannah sentiu algo a abraçando: tinha um cheiro gostoso, de eucalipto e menta, jasmim silvestre e rosas, e outras flores. E uma sensação macia na bochecha, mas algo úmido e salgado descia. Ela então terminou de abrir os olhos.
Ingrid Ni Braoahbahain estava chorando, agarrada a ela.
– Hannah, que bom! Você foi muito corajosa! – Hannah viu que a testa de Ingrid estava com bandanas de linho branco, assim como partes do braço. No fundo do quarto, Radaj também estava com curativos: seu braço direito estava em uma tipóia e no rosto uma gaze era segura por uma fita adesiva.
– O que houve?… Onde estamos?…
– Você está bem, Hannah Striker? – disse uma voz.
Ela olhou para o lado e viu uma bela menina, mas…
– Você é uma….
As orelhas levemente pontudas e a roupa entregavam o ser. O vestido era em tons vivos de verde escuro e vermelho carmesim. Era possível, abaixo do vestido, ver-se os meiões branco-e-vermelhos e os sapatos de veludo verde. Um chapéu pontudo vermelho ficava acima dos cabelos fartos e marrom-avermelhados, amarrados às costas em uma trança.
O rosto redondo daquele ser estranho era bonito: grandes e gordas e rosadas bochechas e lábios que pareciam nunca deixar de sorrir, um narizinho redondo e arrebitado e olhos de um verde muito, muito profundo, ao mesmo tempo novo de esperança e velho de sabedoria. As orelhinhas que lhe saiam aos lados eram levemente mais pontudas e maiores que as de uma pessoa normal.
– Sim. Meu nome é Liana. Você é Hannah Striker, não? Era você que pilotava aquele avião?
Hannah não sabia o que pensar: ainda estava confusa com tudo o que estava acontecendo. Apenas meneou a cabeça em resposta à pergunta que lhe foi feita.
– Vejo que está bem, mas deve ficar deitada. Por muito pouco não morreu congelada. Vou trazer algo para você comer.  Acho que uma boa sopa quente deve servir… – disse a duende Liana ao sair do quarto
Depois dessa visão confusa, Hannah reparou aonde estava:
O quarto com porta redonda não era muito alto: Radaj quase batia com a cabeça no teto baixo, com pouco mais de 2 metros de altura. As proporções de todos os objetos e as cores vibrantes lembravam as casas de boneca que tinha quando seu pai ainda vivia. Ingrid e Radaj estavam vestidos em roupas também em cores vibrantes como o quarto: Radaj com calças em azul-marinho e colete amarelo encimando uma camisa verde, Ingrid com um vestido vermelho carmesim com filigranas e cinzidos dourados, uma faixa verde-musgo na altura da cintura.
– Onde estamos? Lembro só da bússola enlouquecida…
– Nem eu sei direito. – disse Radaj – Mas é um local realmente estranho. Vimos vários desses faeryn andando para cima e para baixo. Eles não parecem com nada de minha terra.
– Na verdade, eu sei onde estamos. – disse Ingrid – Estamos em um Reino Exterior.
– Mas como? – questionou Hannah – Pensei que os Reinos Exteriores fossem isolados de tudo na Terra.
– Você viu o portal para Aztlan e viu Atlântida quando salvamos L’Khurn e selamos um acordo de paz com os atlantes. Nenhum desses locais estão fora da Terra, por assim dizer, mas não são fáceis de chegar. É só lembrar que você mesmo disse que sua bússola estava enlouquecida.
– Mas onde estamos? Que reino é esse?
– Só existe um lugar como onde estamos. Vi ele apenas uma vez, durante meu tempo como noviça da Torre Silenciosa, próxima ao Tor de Avalon, de onde víamos Morgana fazer os sagrados rituais com a Taça e com o Prato, com a Espada e com a Lança, diante do Lago Sagrado de águas límpidas.
– E que local é esse onde estamos? – questionou Radaj
Dinas Nadolig, a Cidade do Natal.
– A Cidade… do Papai Noel? – disse Hannah, com o rosto ao mesmo tempo esperançoso e cético.
– Sim… As cores do natal e do Yule estão em toda parte, mesmo nas roupas que nos ofereceram. O vermelho carmesim, do sangue da vida. O verde musgo, da natureza que ressurge. O amarelo dourado, do Sol que volta a distribuir seu calor. O azul marinho, da água que volta a correr. Os símbolos estão em todos os locais: o visgo, o carvalho, o freixo, as torcas. Os símbolos universais do Natal e do ressurgimento da vida.
– Ingrid-kynjah, o que é esse Papai Noel? – disse Radaj – Já viu alguns desse tempo falar sobre esse ser. Quem é ele?
– Papai Noel, O Bom Velhinho, Pai Natal… Todos são expressões da crença das pessoas no ressurgimento da vida. É o momento em que ressurge o Grande Deus, dado à luz pela Grande Deusa. Os cristãos também simbolizam o nascimento de Jesus, em quem colocam suas crenças. Todas elas tem o mesmo funamento, o ressurgimento da vida.
– Mas esse Papai Noel existe?
– Sim… – disse Ingrid
– Meu pai se vestia de Papai Noel todos os anos! – disse Hannah
– Seu pai fazia isso para manter você acreditando em uma verdade que a Ciência e a Mente não explicam. Talvez da maneira errada, mas seu pai procurava lhe fazer entender que nem tudo é o que é. Você deve saber mais do que nunca agora isso.
Hannah acenou com a cabeça.
– Eu encontrei apenas uma vez o Pai Natal. Era época de Yule, e ele tinha que fazer sua tradicional entrega de presentes.Ele resguardava os mais pobres e os mais infelizes. Lembro de um garoto que andava com ele. Era humano mesmo, e não era muito alto. De certa forma, lembrava você, Hannah. Fico imaginando se ele está bem.
– Estou bem sim, Ingrid ni Braoahbahain – disse uma voz gostosa e profunda. – É bom saber que lembra de mim…
– PAPAI NOEL! – gritou Hannah, feliz.
– Sven… Carlsberg? – disse Ingrid, agora incrédula.


Cidade do Natal, Polo Norte, 6 dias depois:
Hannah estava no seu novo quarto. Na verdade um quarto maior, mas ainda assim com as mesmas cores vibrantes e proporções de uma casa de bonecas. Uma grande lareira crepitava chamas fortes ao redor das três camas e do pequeno sofá. Uma mesinha de centro tinha uma bandeja com chá e scones e biscoitos de gengibre e outras coisas boas de se comer. Em um canto, sentada em uma cadeira de espaldar alto, Ingrid lia um antigo livro que carregava consigo. Hannah sabia tratar-se do seu “Diário das Sombras”, um diário secreto que apenas Ingrid deveria ler, com várias coisas que ela precisava saber sobre o seu treinamento como Sacerdotisa do Reino de Avalon. Estava escrito na língua de Avalon, o Avalönenn. E, embora soubesse algumas palavras nesse idioma, Hannah não sabia ler ele.
– O que você está lendo, Ingrid-kynjah? – disse Radaj, depois de ter feito seu treinamento diário com a Espada de Gel Cinético.
– Estou tentando lembrar uma coisa… Não acredito que o Pai Natal soubesse meu nome inteiro. Apenas Sven sabia…
– Mas ele não pode ser Sven?
Bateram na porta.
– Quem é? – disse Hannah
– Sou eu, Liana! – disse a pequena duende que era agora uma espécie de camareira para eles.
Liana entrou: hoje vestia vestido amarelo sobre camisa branca de mangas bufantes e chapéu branco, com meiões amarelo-e-vermelho e sapatos verdes.
– Pois não?
– O Pai Natal pediu para vocês irem até o Salão dele. Disse que vocês devem se aprumar e que podem usar qualquer coisa que esteja nos armários. Ele apenas pediu ao homem de nome estranho – ela disse, fazendo uma reverência a Radaj – que deixe sua arma aqui. Nada será tomado.
– Entendo… Muito bem, diga a ele que iremos.


Os três entraram no Salão de trabalho do Papai Noel: Hannah decidiu que era momento de se vestir como menina, e não como ocasionalmente se vestia, usando roupas de menino. Vestiu um vestido verde-musgo com cenzidos em dourado e amarrou os cabelos em duas maria-chiquinhas com fitas vermelhas e verdes. Pegou um par de sapatilhas verdes e meias vermelhas por cima de meiões verdes. Ingrid estava vestindo um vestido de veludo vermelho com um capuz também vermelho, usando sapatos verde e meias vermelhas. Radaj usava colete amarelo e camisas brancas com calças de cor branca também.
– Desculpem-me incomodá-los. Sei que ainda estão se curando dos ferimentos daquele acidente terrível. Mas quero aproveitar e saber o que vocês estão sabendo do mundo lá fora. Ainda estamos em outubro, então está muito longe a data de eu correr o mundo na minha viagem de todos os anos… Mas vejo que têm questões a me fazer.
– Sim – disse Ingrid – Você é mesmo Sven Carlsberg? Aquele garoto era mais novo que eu quando visitei Dinas Nadolig anteriormente… Como poderia ter ficado tão velho quanto o próprio Pai Natal?
– Sou eu mesmo, Ingrid. – disse o Pai Natal – Eu concluí a Sucessão, Assinando a Santa Cláusula. Acho que você sabe do que se trata.
– Então era verdade. – disse Ingrid, impressionada – Nunca existiu UM Pai Natal, e sim vários.
– Exato. – disse Sven, dando uma risada gostosa que contagiou o rosto de Hannah – Então ela é Hannah Striker?
– Sim, Papi Noel.
– Seu pai era um bom homem. É triste que bons homens morram em coisas como guerras, mas um homem que foi honrado até mesmo por seus inimigos era um homem digno. Sim, – disse ele, ao ver a cara de espanto de Hannah – sei sobre o Barão Vermelho e sobre como, após ele derrubar o avião de seu pai, ele se levantou do assento do avião dele e o saldou como um valoroso homem. Espero que Primordiais como você um dia acabem com a guerra, mas esse é um sonho que eu não posso realizar.
– Mas o que desejo saber é para onde vocês iam? – perguntou Sven. Ingrid reparou no olhar de Sven, ou melhor, do Pai Natal. Seu olhar era penetrante e profundo, e mesmo com o rosto ainda levemente sorridente, havia uma seriedade de quem se preocupa com os acontecimentos de fora.
– Iámos ver Angelus, o Arcanjo. – disse Ingrid
– O que uma Sacerdotisa de Avalon iria desejar com um Arcanjo? Pensei que Avalon não gostasse muito de cristãos… – disse Sven, sorrindo levemente.
– Você sabe tão bem quanto eu que Avalon se afastou do Mundo Interior apenas porque estávamos sendo perseguidos pela Igreja. Mesmo hoje a travessia pelas Brumas é dificultada pelos monges da Ordem de São Silvestre. Mas não acredito, nem minhas superioras também, que essa seja a vontade de Deus, mas sim de homens que confundiram seus deveres com o direito de dizer aos outros o que é certo ou errado.
– Compreendo… Mas por que procuravam Angelus?
– Por isso. – disse Ingrid, mostrando o Filigrana parcialmente destruído a Sven.
Pela primeira vez Ingrid viu o rosto do Papai Noel, ou melhor, de Sven Carlsberg sério. Havia um ar real de preocupação em seu rosto:
– Liana, quero que traga algo para comermos aqui. E também procure Melchior e Gaspar. Precisarei dos dois. Benhardt se não estiver ocupado deve vir também. Diga-lhes que é urgente. – disse ele em voz baixa a Liana, que fez uma reverência e saiu em silêncio.
– Ingrid, você sabe o que é isso, não? Um Filigrana escrito no idioma maldito do Reino das Profundezas…
– Atlantis? – disse Hannah – Mas a gente não tinha…
– Não, pequenina, L’Khurn não traiu o acordo que foi feito. Isso não é Atlante, mas sim vindo do idioma maldito de R’Lyeh!
O som daquele local fez Hannah soltar um gritinho de criança realmente assustada e se encolher atrás de Ingrid.
– Prometo não mais falar esse nome ignóbil aqui! – disse Sven, sério – Não se preocupe, Hannah, pois não mais mencionaremos tal nome. E aqui é razoavelmente seguro. Vários Papais Noéis colocaram proteções especiais por toda a Cidade do Natal e ninguém pode entrar aqui se não desejamos. As proteções aqui são quase tão poderosas quanto as Brumas que ocultam Avalon.
– Mandou-nos chamar, Papai Noel? – disse um dos duendes que entraram pela porta.
Um deles era gordinho e baixo, usando óculos com armação dourada e vasta costeleta. Um cavanhaque fino e pontudo moldava-se de maneira estranha no queixo redondo como o resto do rosto. Olhos marrons vivos, como duas avelãs, podiam ser vistos por trás das lentes, que se apoiavam na armação apoiada no nariz pontudo e fino. As roupas eram brancas em cima na camisa e verdes nas calças largas com suspensórios da mesma cor, com detalhes em dourado e vermelho. Um colete de veludo carmesim e um chapéu pontudo também vermelho terminavam as roupas. Calçava botas longas.
Outro usava uma camisa amarela e calças marrons. Um gorro vermelho lhe descia por trás da cabeça. O rosto era imberbe e sério, e comparado com os rostos sorridentes que Hannah havia visto até aquele momento era um pouco assustador. Uma pequena espada pendia-lhe à cintura e um arco às costas. Pareciam de brinquedo, mas havia algo que aprentava ser muito real naquilo. Botas altas, quase na altura do joelho e um colete de cor marrom escura lhe terminavam a forma.
O último na verdade parecia muito mais “humano” que os demais. Parecia um garoto da mesma idade de Hannah, com olhos e cabelos escuros, vestido em jaqueta verde escura e camisa verde de tom mais claro, com calças na mesma cor, assim como sapatos e um toucado, todos no verde escuro. Um cachecol vermelho e branco era a única cor diferente nele. Pareceria um garoto, se não fosse as orelhas pontudas e levemente alongadas.
– Esses são meus melhores auxiliares e amigos na Cidade de Natal. – disse Sven – Gaspar, nosso sábio e estudioso, Chefe dos Pesquisadores; – disse Sven, apontando o duende gordinho, que fez uma mesura cumprimentando os convidados – Melchior, o melhor lutador que temos aqui, Chefe dos Guardiões da Cidade do Natal; – apontou agora o duende de rosto sério – e Benhardt, que é responsável pela Cidade quando não estou aqui. – disse, apontando o duende que parecia uma criança comum.
– Por que fomos chamados, Pai Natal? – disse Gaspar.
– Por causa disso… – disse Sven, mostrando o Filigrana.
– O que? – disse Melchior – Foi um deles que…
– Não foi nenhum deles que invocou isso, Melchior. Eles também foram atacados.
– Então não fomos os únicos? – disse Benhardt – Imaginei que não seríamos.
– Vocês também foram atacados? – questionou Ingrid.
– Talvez seja melhor vocês mesmos verem. – disse Sven – Benhardt, pode providenciar transporte?


A viagem no carrinho de trem pela Cidade de Natal tinha algo de mágico: era como estar em um cruzamento de presépio, vilarejo alemão e casa de boneca: todas as casas tinham proporções de brinquedo e eram amplas e bonitas e coloridas. Como Ingrid dissera, Hannah pode ver que por todos os lados haviam cores: vermelho, amarelo, verde, em alguns lugares o azul e o branco, além de tons de laranja e rosa em alguns locais. Visgo, azevinho, carvalho: tudo isso podia ser visto. As pessoas, tanto duendes quanto alguns seres humanos que habitavam o local, podiam ser vistos trabalhando em comunidade e ordem, embora risos e música podia ser visto por todos os lugares. Foi quando eles começaram a parar perto do que aparentava ser a saída de um túnel. Parecia escuro e frio e dava muito medo:
– Chegamos! – disse Benhardt. – Foi aqui que fomos atacados.
Olhando de perto, Hannah via melhor: na verdade esse local deveria ser igual ao resto da Cidade do Natal, mas estava queimada e destruída: podia-se ver que as pedras tinham sido derretidas por uma quantidade imensa de calor.
– Pelos Cristais! Que lantajhar aconteceu aqui? – disse Radaj. Ingrid correu para um canto e tocou as pedras, sussurando algo com os olhos fechados. Hannah correu aonde estava os restos de uma casa e pegou um pedaço de tecido queimado e o cheirou:
– Isso aqui é mais fedido que querosene queimado! – disse Hannah, jogado o pedaço de tecido ao chão, enojada.
– Alguma criatura queimou tudo aqui… – disse Ingrid – Mas… Ela não parece ter forma… Parecia uma bola de fogo, como um fogo-fátuo, mas mesmo olhando agora pela psicometria… Posso ver que ela tinha algo nela, como um Mal além do Mal, algo sinistro, além do Diabólico, além do que qualquer coisa que uma pessoa pode pensar…
Ingrid abriu os olhos assustada. Olhou ao vazio e desabou a chorar:
– Deusa! Deusa! Proteja a nós, suas servas! Proteja a nós, ó Ceridwen!
Hannah correu para abraçar Ingrid. Hannah sabia que Ingrid estava sofrendo:
– Ingrid! Acabou… Está tudo bem…
– O Mal que eu vi… – disse Ingrid – Era um Mal além do Mal, além de qualquer coisa que podemos pensar. Um Mal que não se preocupa com submissão, mas apenas com destruição…
– É verdade. – disse Gaspar – Pesquisei nos tomos que temos aqui e não encontramos nada sobre essa criatura de fogo que destruiu essa vila.
– Perdi bons homens aqui. – disse Melchior – Eles morreram bravamente, mas não havia nada que pudéssemos fazer. Precisamos usar muita água e terra para destruir aqueles monstros… Apesar que não sei se os destruímos.
– Duvido. – disse Benhardt – Se tudo o que foi dito é verdade, essa criatura é algo muito maligno e poderoso. De antes da Aurora dos Tempos… Não é, Pai Natal.
– Sim… – disse Sven – Minhas memórias antecessoras dizem isso…
– Memórias antecessoras? – disse Ingrid
– Desde que Assinei a Santa Cláusula e concluí a Sucessão, tenho acesso às memórias de meus antecessores… Alguns deles viram criaturas similares, mas nunca nada como isso… Sempre achamos que a Cidade do Natal era segura… Mas como eles entraram? – disse Sven.
– Esperem! – disse Hannah – Tem algo aqui…
Hannah estava mexendo nos destroços de uma casa que ainda estava inteira…
– Isso aqui é… – disse Hannah, mexendo nos vários sacos.
– Triagem de cartas. – disse Gaspar – Aqui damos uma ajuda ao Pai Natal para separar as cartas das crianças boas e ruins.
– Será que alguém quis se vingar por receber carvão? – disse Hannah.
– Duvido. – falou Melchior – Mas existe um detalhe… Se aqui foi o ponto de onde começou a invasão… Como esse local não está totalmente destruído?
– Espera… – disse Radaj – Existe algo estranho na porta… Alguém deve ter saído normalmente… E então…
– O que? – disse Melchior
Radaj caminhou até os restos de outra casa, totalmente destruída…
– Alguém sabe o que era aqui?
– Uma central dos Pesquisadores! – disse Gaspar, assustado
– Então… – disse Sven.
– Ingrid, você consegue tentar aquele truque de ver o que aconteceu de novo aqui? – disse Hannah
– Não se esforce demais, Ingrid-kynjah! – disse Radaj – Você está fraca demais…
– Não… Estou melhor agora… – disse Ingrid – Se eu ver por pouco tempo não terá problemas….
Ingrid tocou o chão, fechou os olhos e murmurou…
– Alguém trouxe uma carta estranha…. O envelope era escuro… Era uma criança, mesmo para o padrão dos duendes… Ela mostrou para um outro… Ele o abriu e o Filigrana se ergueu e… – Ingrid abriu os olhos.
– Deusa! Grande Mãe! Quem em sã consciência faria isso? – disse Ingrid, revoltada.
– A culpa não foi da criança em questão… – disse Sven
– Não, quem enviaria uma carta como essa? Que tipo de monstro é esse que mandaria uma carta com um Monstro de Fogo dentro dela?
– Alguém que odeia o ser humano… Ou ao menos que odeia outros seres humanos… Mas quantos ataques já aconteceram? E onde mais eles irão atacar? – questionou-se Melchior
– Bem, sabemos o que está acontecendo. – disse Sven – Acho que mais do que nunca vocês devem localizar Angelus. Benhardt, chame Eliazar e outros  mecânicos. Recolham os destroços do avião de Hannah e o reconstruam. Melchior: coloque todos os Guardiões de prontidão. Gaspar, precisaremos de todos os Pesquisadores obtendo informações úteis para eles. Quando a vocês, Ingrid, Hannah e Radaj, é melhor que descansem…
– Lollipop foi modificado por mim! – disse Hannah – Posso ajudar nesse caso.
– Eu sei alguma coisa sobre esses monstros, e não posso ficar parada assistindo isso. – disse Ingrid.
– Pelos Cristais, fui treinado nos Metroplexos. Se uma criatura é hostil, posso enfrentá-las sem pestanejar. – disse Radaj.
– Sou grato pela ajuda. – disse Sven – Não a tempo a perder. Vamos então.


Alguns dias depois, Lollipop estava totalmente reformado, uma pintura amarela e branca no Hidroavião. Ele foi reabastecido de suprimentos e muitas roupas e comida. Todos receberam presentes: Radaj duas belas espadas curtas de prata, Ingrid dois punhais trabalhados em jóias e prata anã e Hannah uma tiara e várias fitas. Presentes simples, mas que simbolizavam a esperança dos habitantes da Cidade do Natal de que fossem resolver o problema dos monstros terríveis que destruíram uma vila dentro da cidade.
– Espero que saibam o caminho. – disse Sven.
– É fácil. – disse Hannah – É seguir a segunda estrela à direita e então direto, até amanhecer.
– Isso é para a Terra do Nunca! – disse Sven, rindo – Não para o Templo do Senhor, onde vive Angelus.
– Eu sei o caminho… – disse Ingrid – Na verdade, nunca existe um caminho fixo, mas sei o caminho adequado.
– Bem, nos despedimos aqui. – disse Sven – Espero que sejam bem sucedidos. Ainda quero ver um certo par de meias amarelas em uma chaminé de Sligo.
– Esperamos que sim. – disse Radaj
Hannah ligou Lollipop.
– OK… Motor ativado. Podem abrir os portões. – disse ela pelo rádio.
Melchior e seu amigo, Balthasar fizeram um sinal de positivo da torre de vigilância. Os portões de uma saída por água da Cidade do Natal foram abertos.
– Beleza… Sem nevasca ou ventos de rajada. A decolagem não deve dar problemas. Vejamos como você ficou, Lollipop. – disse Hannah, usando os manches para aumentar a velocidade.
O hidroavião voi deslizando pela água, até sair para uma baía que dava no mar Ártico.
– OK, V1… Rotação… V2… – disse Hannah, decolando. – Lollipop está magnífico! Erguendo pranchas de aterrizagem na água.
– Então podemos seguir adiante? – perguntou Ingrid.
– Sim. Sente na poltrona do co-piloto e vá dizendo a direção a tomar-se…
E assim, Hannah Striker, Ingrid Ni
Braoahbahain e Radaj, o Guerreiro do Futuro viam a Cidade do Natal desaparecer… E seguiam para o Templo do Senhor, a base de Angelus, o Arconte de Deus.

Aventuras Primordias! parte 1

Olá!
A idéia de Aventuras Primordiais! é escrever uma pequena série de contos interligados entre si passando-se no ambiente dos Primordiais. A idéia é mostrar uma ventura pulp e cliffhanger que dê uma noção do que se esperar em Espírito do Século. De qualquer modo, farei o melhor para que saia o melhor possível.
Bem depois dessa introdução besta, vamos ao que interessa:

Cleveland, EUA, 05:00 hora local:
– “In Nomine Patris et Filli et Spiritui Sancto” – disse o jovem alto em roupas de Frade, enquanto sacava suas enormes pistolas. O demônio emitia um chiado rouco e agudo, sua aparência alienígena pouco afetando a mente do mesmo, embora a visão do mesmo fosse capaz de despedaçar a sanidade de uma pessoa normal como uma pedra estilhaçaria uma taça de cristal.
– Vamos acabar com isso de uma vez! – disse a Irmã, ao lado dele, sua Irmã em todos os sentidos. De suas costas, ela fez saltar uma enorme espada com uma cruz ao estilo celta gravada na guarda. A lâmina possuia uma série de pictos em gaélico e letras em fraktur, o antigo alfabeto estilizado usado em Bíblias, brilhando levemente, sem se saber se por causa da luz fina do por do sol que atravessava as janelas do depósito ou se por causa de um encantamento próprio. – Esse demônio já torrou minha paciência, Tobby. Tá na hora de devolver ele para seu senhor.
– Certo. – disse o jovem alto – É o fim da linha para ele, Jen. – A longa caçada ao demônio de formas alienígenas foi cansativa em todos os sentidos. Como uma minhoca gigantesca, ele era estranhamente imaterial, partes de seu corpo aparecendo e desaparecendo. O chiado do demônio, parecendo um apito vindo dos mais fundos abismos do Inferno, era de uma sonoridade apavorante. O cheiro da criatura era algo abissalmente ignóbil, como se o próprio fedor do Rio Styx impregnasse tal criatura.
E ainda assim, diante dos irmãos Tobby e Jenny, da Ordem de Santa Magdala, a criatura não parecia exercer nenhum poder. Pois esse era o dom dos integrantes da Militia, os Exorcistas de 1ª Classe da Ordem: um treinamento e uma preparação que ultrapassava todos os limites e os tornavam pessoas acima do medo normal, capazes de suportar a franca hediondade do verdadeiro Mal, alienígna aos conceitos humanos. E eles eram da Militia.
O monstro chiou, avançando seu corpo hediondo contra os dois. Eles se deslocaram, afastando-se da bocarra grande e fedorenta que se abrira. Jen atacara o corpo do monstro, mas ele tornou-se imaterial em instantes:
– Que droga é essa, Tobby? – disse Jen, tentando golpear novamente.
– Segundo nossos informantes, Pólipos das Profundezas. Uma criatura do panteão cósmico. Associada aos Cthulhunianos. – disse Tobby, atirando com a munição normal oferecida aos exorcistas.
– Que saco! Mais uma vez um cultista maluco libera uma p%#$a de um monstro do c$#%&*o e é a gente quem tem que consertar a bagunça. Quando esse filhos de uma rapariga vão aprender a não mexer com o que tá quieto?
– Eu aconselharia você a maneirar o linguajar, Jen.
– Que se dane! Depois pago penitência! Mas agora tenho coisas mais importantes para me preocupar. – disse Jen, cravando fundo sua Espada contra o Pólipo, que começou a se debater, tornando a parte ferida imaterial e escapando.
– Isso não vai funcionar! – disse Jen – Vamos ter que fazer um golpe rápido como treinamos.
– Procedimento Libera Sanctii? Parece uma boa idéia. Não vejo outra forma de vencermos.
– OK, vamos nessa! – disse Jen, correndo em direção ao monstro – Vamos ter pouco tempo!
Jen correu, o vestido de freira esvoaçante e as calçolas protegendo seu pudor ao mesmo tempo que permitiam o movimento amplo das pernas. Jen cravou a espada em uma longa parte da criatura, o sangue negro e fedorento jorrando. A espada atravessou a criatura, enquanto cravou-se na parede de tijolos do depósito. Ela girou a lâmina para abrir o máximo de carne possível da criatura.
– Agora, Tobby! – gritou Jen – Acaba com essa coisa!
– “Glória Patri et Fílio et Spirítui Sancto. Sicut erat in princípio et nunc et semper et in saecula saeculórum. Amen” – entoou Tobby, armando sua pistola com a munição especial – Sacred!
Os disparos da munição anti-demônios fez o depósito se ilumar com o brilho das cruzes que apareceram nos locais onde os tiros acertaram. O Pólipo chiou ainda mais alto e fechou sua bocarra, desfazendo-se em uma poça de uma gosma marrom e fétida. Dois pequenos pedaços papel dentro do mesmo chamou a atenção de Jen, que rapidamente calçou uma luva e os pegou.
– Filigrana! – disse Jen – Uma invocação travada. Que legal! – disse Jen – Algum espertinho anda vendendo amuletos para invocação de Antigos e depois a coisa todas explode.
– Bate com o que a Central da Ordem nos informou. Bem, não temos mais nada o que fazer aqui. Vamos voltar à Ordem.A turma da faxina já está a caminho.


Sligo, Irlanda, 10:00 hora local:
– “Ó Deusa Mãe, cuja face volta-se para a luz do sol. Receba agora minha oferenda.” – disse Ingrid, dispondo das frutas e flores. Cortou a maçã em quatro e colocou-a sob a pira. Usou a lente feita em Avalon para acender a pira com os raios do sol. O brilho do fogo das oferendas brilhou sobre a água do cálice, ao qual ela sorveu. – “Sagrada Mãe, sou grata por sua força, que me permite trilhar o caminho entre as Estradas da Vida e da Morte.”
Hannah observava Ingrid em seu ritual: desde que se conheceram no Templo de Tar-Amaron, ela vem sendo sua “mãe”. Seu pai o Sargento Will Stryker, foi abatido dos céus por ninguém menos que o Barão Von Richtoffen, o Barão Vermelho. Ao menos, Hannah sabe que o Barão Vermelho honrou seu pai como combatente, saudando o caído em seu avião.
A cerimônia de Ingrid estava encerrada. Ingrid continuava pouco à vontade para atuar em rituais com outros seguidores do Culto Antigo, ou Wicca como os dos Reinos Interiores chamavam. Sabia que muitos dos seguidores do Culto nesse Reino Interior a viam como conselheira, mas ainda assim ficava pouco a vontade, usando a privacidade da pequena casa em Sligo, Irlanda, como refúgio de um mundo que compreende mas pelo qual não é compreendida. Ainda sente alguma falta de Avallöne, a terra de Avalon, a Ilha Sagrada. Mas sabe de sua missão diante da Deusa Mãe.
– Ingrid, tô com fome! – disse Hannah. A pequena sapeca pode não parecer, mas era mais sábia que o normal. Ingrid sabia disso, pois ambas eram da mesma estirpe de pessoas, ainda que separadas por anos e mundos. Eram Primordiais, herdeiras de dons desconhecidos até para elas, que alguns consideram ser a última barreira entre os humanos e a destruição e o Mal absolutos. Mas apesar disso, Ingrid sabia, Hannah ainda era uma criança. E como toda criança, manhosa.
– Já vou preparar alguma coisa. – disse Ingrid, com sua voz harmoniosa. – Mas primeiro…
Foi quando ela percebeu que tinha algo errado.
– Hannah! Esconda-se!
Um papel arremessado ao chão próximo a Hannah se revelou uma criatura apavorante, meio homem-meio peixe. O cheiro revoltante de peixe apodrecido foi a primeira impressão. A visão de ambas imaginou de imediato os Jyaakkkar, os terríveis escravos mutantes dos Atlantes, mas desde que os Primordiais venceram o Senhor da Guerra Atlante Grh’ankarr e devolveram o trono do Reino Sob os Mares ao verdadeiro senhor, L’Khurn, existe uma paz inquieta entre Primordiais e Atlantes. Além disso, a visão é mais revoltante ainda.
Hannah teve pouco tempo, sendo agarrada pelos pés e erguida como uma boneca de pano sob o monstro. Ingrid apelou à sua magia:
“Mãe-Deusa, tu que és Mãe que Tudo Provê, assim como o Destino é tecido pelos Fios das Tecelãs do Tempo, teça ao solo o inimigo e o impeça de desfiar a trama do Destino que protege-nos” – disse Ingrid. Vinhas de grama se ergueram do chão e prenderam o monstro, o suficiente para que os chutes de Hannah surtissem efeito e permitissem a ela escapar.
Mas não mais que isso: a pele do monstro possuia alguma substância pegajosa e fedorenta que a impregnava e permitiu que ele soltasse-se da armadilha mística de Ingrid. Ele avançava na direção da mesma, que tinha apenas sua faca cerimonial em suas mãos. Ela a arremessou, mas o monstro se esquivou por pouco, e a substância pegajosa corroeu a lâmina da faca, que fumegou e dissolveu.
Foi quando uma lâmina levemente azulada trespassou o peito da criatura:
– Você está bem, Hannah-kynjah? – disse o homem que segurava a lâmina atrás do demônio, que gritava. A substância não era metálica, mais parecendo com algum tipo de gelatina endurecida, mas era perceptível, pelos urros de agonia do demônio, que era uma lâmina muito afiada.
O homem, que tinha cabelos tão verdes quanto os olhos, virou a lâmina da espada para cima e, com um repuxão, trespassou o corpo, rachando o monstro em dois da altura do estômago monstruoso até a cabeça repulsiva meio-homem meio-peixe. A velocidade com que a lâmina saiu deu a impressão de que a lâmina foi impulsionada por uma pessoa dez vezes mais forte que o jovem em questão. Mas com extrema precisão ele a parou no ar no exato momento em que as vísceras nojentas do monstro desabavam próximo a Ingrid.
– Obrigada, Radaj. – disse Ingrid.
A pequena Hannah, ainda um pouco chorosa, perguntou:
– O que diabos é isso?
– Não é um xenomorfo, isso posso garantir. – disse Radaj – Embora seja de uma aparência tão hedionda quanto um.
– Acho que sei. – disse Ingrid – É um Demônio Submerso, uma criatura de Antes da Aurora do Homem!
– Como assim, Ingrid? – disse Hannah, enquanto percebiam que uma gosma nojenta começava a se formar enquanto o corpo do monstro derretia. Pedaços de papel podiam ser vistos, e Ingrid pegou-os com uma pinça.
– Filigrana. Tem alguma magia residual. – disse Ingrid. – Hannah, o Lollipop está preparado?
– Sim. – disse Hannah, ao ouvir o nome do hidroavião que era sua posse mais adorada – Só vou precisar por um macacão. Tem pressa?
– Não. Eu e Radaj precisamos preparar algumas coisas ainda. – disse Ingrid.
– Onde vamos – disse Hannah
– Ao Templo de Angelus. Acho que ele saberá nos dizer o que está acontecendo! – disse Ingrid, mencionando o Arcanjo do Senhor que ajuda os Primordiais.

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Aventura de Terrorismo Médico: Montanhas da CULPA

Faz algum tempo que não posto nada sobre FATE/AFIM propriamente dito, então vamos lá!
Pois bem, no último Encontro Internacional de RPG eu mestrei uma aventura de FATE – Terrorismo Médico para algumas pessoas, incluindo ai o Phil do Dados Limpos, e as opiniões foram bastante interessantes. Pois bem, estou publicando a aventura em questão, chamada “A Montanha da CULPA”.
Link para download: https://maisquatro.files.wordpress.com/2008/10/aventura-trauma-center.pdf

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Mini-cenário para FUDGE/FATE: Terrorismo Médico

(Baseado no jogo de Nintendo DS: Trauma Center – Under The Knife)

Ano de 2018. O mundo é o mesmo de sempre. As pessoas adoecem e podem morrer. Porém, com a evolução da tecnologia e da medicina, doenças anteriormente consideradas incuráveis, como diversas variantes de Câncer, AIDS, EBOLA e outros tornaram-se doenças que, embora ainda possam matar, com o cuidado adequado podem ser curadas rapidamente.
Mas, como sempre, existem aqueles que desejam o mal para as outras pessoas: uma organização terrorista conhecida como DELPHI tem atuado contra as pessoas, criando poderosos vírus e bactérias geneticamente modificados conhecidos como GUILT (Gangliated Utrophin Immuno Latency Toxin, ou Toxina Imunolatente Atrofiante Ganglial, em uma tradução livre) que, causando intensa dor e sofrimento às suas vítimas vêm fazendo não apenas vítimas, mas fazendo-as desejar a morte. Comandada por seu misterioso líder Adão, essa organização acredita que as pessoas devem ser “abençoadas” com as doenças e com a morte, e que não cabe a médicos “decidirem quem vive e quem morre”.
Para enfrentar a DELPHI, a ONU mantêm uma organização ligada a si chamada CADUCEUS. Dividida em três ramificações principais (América, Europa e Japão), a CADUCEUS possui os melhores médicos, biotecnólogos, engenheiros químicos, enfermeiros e outros especialistas em diversas áreas médicas e ligadas a elas para combater as doenças. Mas não apenas a DELPHI é seu inimigo: grandes corporações da área médica também não gostam de seu trabalho, uma vez que as pesquisas da CADUCEUS invariavelmente são disseminadas pelo mundo de maneira abnegada, o que acaba resultando em perdas às mesmas. Ao mesmo tempo, a CADUCEUS mantêm parcerias com empresas, órgãos e entidades interessadas em ajudar a humanidade a sobreviver às terríveis pandêmias de doenças graves.
É nesse cenário que a batalha ocorre: o inimigo não apenas é forte, mas lida com uma forma mais terrível de terrorismo que o biológico ou químico (dos quais deriva), o “terrorismo médico”, jogando as pessoas contra os médicos.
É nesse cenário que os jogadores atuam.

Regras

FUDGE:

  • Atributos (5 livres):
    • Físicos: Força, Saúde, Percepção, Destreza
    • Mentais: Intelecto, Raciocínio, Espírito
    • Sociais: Ética, Carisma, Caráter
  • Perícias: À critério do Mestre. Medicina deve ser dividida entre diversas especialidades, sendo que Cirurgia também deve ser dividida em especialidades (Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Ortopédica, etc…). Biotecnologia e Patologia também contam como perícias. Sugere-se ainda que qualquer perícia Médica (à exceção de Primeiros Socorros) sejam Não-Existente.
  • Bençãos: À critério do Mestre, mais as seguintes.
    • CADUCEUS – Pertencer à CADUCEUS conta como três bençãos, devido ao acesso à tecnologia médica e biotecnológica de ponta. O Mestre pode exigir pelo menos uma Perícia Médica Soberba para que o personagem possa pertencer à CADUCEUS.
    • DELPHI – Integrar a DELPHI conta como apenas uma benção, devido ao acesso à biotecnologia de ponta. Automaticamente o personagem recebe um Segredo Grave (revelar ser integranteda DELPHI é o equivalente a admitir ser terrorista, o que pode acarretar em prisão).
    • Toque de Cura – Algumas pessoas (como Derek Stiles e Robert Hoffman) são parte de uma linhagem de pessoas que, acredita-se, teria sido escolhido pelo antigo Deus Grego Asclépio (patrono da medicina) para possuirem a habilidade conhecida como “Toque de Cura” (Healing Touch no Jogo Original). Esse poder pode ser invocado pela pessoa para “paralisar o tempo” por alguns instantes mediante extrema concentração (testes situacionais ou de Espírito poderão ser exigidos). Durante esse período (imaginando que o médico tenha sido bem sucedido em invocar o Toque de Cura) o médico pode executar uma ação adicional por turno (mais ações adicionais por Grau Rolado). É possível, sob situações realmente EXTREMAS, que o médico invoque um SEGUNDO Toque de Cura (pelo menos 1 Ponto de Embuste + teste), onde o “tempo pára totalmente” por instantes. Nesse caso, o personagem dispara TODAS as suas ações imediatamente, além de somar ações adicionais nessa segunda invocação. Porém é extremamente arriscado o uso (considere que o sucesso obtido causa um dano que deverá ser resistido normalmente, apesar de o dano ser considerado como Ferido para efeito de cura). Cinco Bençãos.
  • Falhas – As que o Mestre desejar
  • Poderes Sobrenaturais – Nenhum, exceto se o Mestre quiser dar algum tom diferente à campanha. Terrorismo Médico parte do pressuposto da ausência de Magia ou Poderes Sobrenaturais, à exceção de “Toque de Cura”. Porém, se o Mestre desejar, NPCs poderão ter poderes sobrenaturais, principalmente se desejar criar “efeitos colaterais” dos GUILT

FATE/AFIM:

Em FATE/AFIM, como não existem atributos, bençãos e falhas, a maior parte das características viram Aspectos, que podem exigir determinadas perícias ou Aspectos para poderem ser acessadas:

  • Médico – Você é mais do que um mero conhecedor de medicina. Você tem autoridade e licença legal para atuar como médico, podendo trabalhar como um médico de qualquer tipo (desde que tenha as perícias necessárias).
    • O Jogador pode invoca o Aspecto para:
      • demandar autoridade ao realizar tratamentos;
      • conseguir soluções “milagrosas” para doenças ou enfermidades;
      • descobrir novos tratamentos médico;
    • O Mestre pode invocar o Aspecto para:
      • provocar complicações durante um tratamento médico;
      • alinhar as ações do personagem ao juramento de Hipócrates;
  • Enfermeiro – Você possui conhecimento, autoridade e licença legal para atuar como enfermeiro, de modo a poder aplicar medicações e atuar em conjunto com um médico.
    • O Jogador pode invoca o Aspecto para:
      • ter “insights” sobre a situação de um paciente;
      • auxiliar de maneira precisa e correta um médico em tratamentos;
      • descobrir e aperfeiçoar metodologias ao realizar procedimentos de enfermagem;
    • O Mestre pode invocar o Aspecto para:
    • provocar complicações durante um tratamento médico;
    • alinhar as ações do personagem ao juramento de Hipócrates;
  • CADUCEUS – Você é parte da organização CADUCEUS, combatendo graves enfermidades e enfrentando muitas vezes aqueles que criam doenças como a DELPHI. Você acredita que a pessoa deve ter direito à vida e à saúde.
  • Pré-requisito: Aspecto Médico, Enfermeiro ou relacionado
    • O Jogador pode invocar o Aspecto para:
      • os mesmos motivos de Médico;
      • ter acesso à biotecnologia da CADUCEUS;
      • obter informações confidenciais de outros órgãos médicos;
      • recorrer à autoridade da CADUCEUS para fazer alguma ação;
    • O Mestre pode invocar o Aspecto para:
      • fazer inimigos da CADUCEUS aparecerem na aventura;
      • alinhar as ações do personagem aos objetivos da CADUCEUS;
  • DELPHI – Você é parte da DELPHI, uma organização que deseja “abençoar a humanidade” com a doença e com a morte. Seus objetivos são simples: destruir todos os médicos e impedir que curas se tornem possíveis de outras maneiras senão a “natural”.
    • O Jogador pode invocar o Aspecto para:
      • Ter acesso à biotecnologia da DELPHI;
      • provocar epidemias de maneira insuspeita;
    • O Mestre pode invocar o Aspecto para:
      • fazer inimigos da DELPHI aparecerem na aventura;
      • alinhar as ações do personagem aos objetivos da DELPHI;
  • Toque de Cura – Essa é a habilidade de “paralisar o tempo” por alguns instantes mediante extrema concentração, desse modopodendo acelerar a cura de um paciente ou aumentar a chance de sucesso de um procedimento cirúrgico. Porém, o uso dessa habilidade é exaustiva, podendo até mesmo colocar em risco a saúde do médico.
    • O Jogador pode invocar esse Aspecto para:
      • Utilizar o Toque da Cura (mesmo mecanismo como descrito anteriormente, nas regras para FUDGE, substituindo-se Pontos de Embuste por Pontos de Destino). Cada uso exige uma marcação do Aspecto;
    • O Mestre pode invocar esse Aspecto para:
      • Causar ou aumentar os danos ao médico após o uso de Toque da Cura;

Organizações:

CADUCEUS:

Dividida em três ramificações principas (América, Europa e Japão), a CADUCEUS é uma organização transnacional ligada à OMS (Organização Mundial da Saúde) e à ONU. Seu principal objetivo é auxiliar na investigação, tratamento e cura de pandemias de ordem global. Com o surgimento dos GUILT e da DELPHI, sua função foi ampliada para combater o “Terrorismo Médico”. Originalmente apenas visando pesquisa e cura de doenças, recentemente foi adicionada à CADUCEUS um pequeno braço militar com objetivo de proteger seus integrantes em missões fora de suas bases de operação (respectivamente EUA, Suiça e Japão), principalmente quando as ações envolvem o “Terrorismo Médico”.
Embora a maioria de seus integrantes trabalhe nas sedes de cada uma das ramificações (que são independentes entre si, embora atuem de maneira conjungada e cooperativa por meio de seus presidentes e da OMS), existem muitos integrantes da CADUCEUS fora das sedes, atuando em pesquisa de campo e em zonas de epidemia. Apesar do recente acréscimo do braço militar, normalmente os integrants da CADUCEUS agem segundo o Juramento de Hipócrates, não sendo combativos e curando a todos, mesmo a inimigos como integrantes da DELPHI.
A CADUCEUS não age fazendo pressão sobre ninguém, nem mesmo sobre seus inimigos. Porém, sua reputação e a Influência que a mesma detêm sobre a OMS e a ONU permite que a maior parte de suas ações sejam bem
sucedidas, contando, muitas vezes, com o apoio (ainda que nem sempre incondicional) de governos e empresas para agir. Além disso, seus conhecimentos em Medicina e recursos financeiros são uma boa moeda de troca quando favores são necessários.
Os Integrantes da CADUCEUS estão entre os melhores na área de Medicina e correlatas (Biotecnologia, Patologia, Enfermagem, etc…) Também contam com uma infraestrutura de comunicações bastante forte. Apesar de suas ações serem um grupos pequenos (normalmente pares médico/enfermeiro, com 1 a 4 pares por time), suas ações são bêm coordenadas, ainda que deixando espaço para “improvisos”. Essa característica “frouxa” da CADUCEUS é que permite a ela que, ainda que sendo grande, atuar de maneira pontual e efetiva em focos de pandemia.
A CADUCEUS é uma organização de 30 fases:

  • Aspectos:
    • [][][] Recursos (Medicina) Ótimo
    • [][][] Recursos (Financeiro) Ótimo
    • [][][] Reputação Ótimo
    • [][][] Conhecimento (Medicina) Ótimo
    • [][][] Unidade Ótimo
    • [][] Influência (OMS) Bom
    • [][] Administração Bom
    • [][] Comunicações Bom
    • [] Influência (ONU) Adequado
    • [] Forças (Tropas) Adequado
  • Bases:
    • [][] Grande, Fortificada (EUA)
    • [][] Grande, Fortificada (Europa)
    • [][] Grande, Fortificada (Japão)

DELPHI:

Criada pelo misteriosos Adão, a DELPHI é uma organização criminosa e banida na maioria dos países, que deseja apenas “abençoar a humanidade” com a doença e a morte. Seus integrantes acreditam que cuidar das doenças é impedir a evolução do ser humano e que os médicos não tem o direito de dizer quem pode ou não viver. Por meio do “Terrorismo Médico”, ameaçando médicos e pesquisadores, criando vírus, bactérias e organismos patológicos por meio de engenharia genética, a DELPHI é a epitome da biotecnologia desviada para o Mal.
Não se sabe exatamente onde fica a base principal da DELPHI. Recentemente uma base em um navio no meio do Oceano Pacífico foi desmantelada pela CADUCEUS, com o apoio de seu braço militar e de tropas da ONU. Porém, tudo leva a crer que esse revés seja apenas temporário, com a DELPHI apenas tendo paralisado temporariamente suas ações.
Os agentes da DELPHI em geral são dedicados à criação e/ou disseminação dos organismos patológicos criados pela organização, e agem de maneira solitária, sem comunicação entre si na maior parte do tempo (o que garante seu segredo). Muitas vezes, podem atuar até mesmo dentro de pesquisas médicas e hospitais, sabotanto seus esforços e causando problemas.
A DELPHI organização de 24 fases:

  • Aspectos:
    • [][][] Recursos (Medicina) Ótimo
    • [][][] Recursos (Financeiro) Ótimo
    • [][][] Segredo Ótimo
    • [][][] Administração Ótimo
    • [][][] Comunicações Ótimo
    • [][] Conhecimento (Medicina) Bom
    • [] Unidade Adequado
    • [] Forças (Fanáticos) Adequado
  • Base:
    • [][][][] Grande, Fortificada, Oculta, Isolada

Alguns persoagens (Apenas FATE/AFIM, Apenas Aspectos):

Derek Stiles:

Novo, ainda “verde” na pesquisa e exercício da Medicina, Derek Stiles foi escolhido para ser parte da CADUCEUS por seu Toque de Cura. Obstinado e ocasionalmente disperso, Derek descobriu seu toque de cura em meio a uma cirurgia extremamente complexa de emergência, onde o paciente tinha uma série de destroços de um acidente em seu coração, uma cirurgia que, de outra forma, seria fatal. Depois de perder seu pai graças a um cancer, decidiu tornar-se médico, sem saber que era um dos “Descendentes de Asclépio” com o Toque de Cura. Após entrar sem saber em contato com um dos GUILT, Derek foi convidado aentrar para a CADUCEUS, onde foi importante para desmantelar a base da DELPHI no Pacífico.

  • [][] Médico (Cirurgia Geral)
  • [][] Toque de Cura
  • [] CADUCEUS
  • [] Disperso
  • [] “Vontade de salvar vidas”

Angie Thompson:

A Teuto-Americana Angie Thompson é muito nova, mas tirou o certificado internacional em enfermagem. Atuando em vários hospitais, foi alocada para trabalhar junto com Derek Stiles no Hospital Hope, após a antiga
enfermeira mudar de hospital. Dedicada e mandona, ela não botava fé em Derek, até ver ele atuar no caso do acidente onde revelou-se o Toque de Cura de Derek. Presente na cirurgia onde acidentalmente Derek entrou em contato pela primeira vez com um GUILT, Angie também entrou para a CADUCEUS, pois algo estava errado e ela precisava saber o que era.

  • [][] Enfermeira
  • [][] Educação
  • [][] Recursos
  • [] Mandona
  • [] Passado Negro (o pai é parte da DELPHI)

Greg Kasal:

Diretor do Corpo Clínico do Hospital Hope, é quem auxilia Derek em seu início de carreira e o orienta. Tranqüilo e amigo, Greg sempre mantem a cabeça em um único objetivo: salvar vidas.

  • [][][] Médico (Cirurgia Geral)
  • [][] Boa-praça
  • [] Autoridade (Chefe do Corpo Clínico)

Robert Hoffman:

Afastado das cirurgias por vontade própria, após “o acidente”, Hoffman também é dotado de Toque de Cura. Bastante compreensivo, ele ajuda Derek na decisão de ir ou não à CADUCEUS. Depois ele próprio assume o posto de Diretor Geral da CADUCEUS América.

  • [][][][] CADUCEUS
  • [][][][] Autoridade (Diretor Geral da CADUCEUS)
  • [][][] Médico (Cirurgia Geral)
  • [] Toque de Cura

Sidney Kasal:

Cirurgião e diretor da CADUCEUS América, Sidney é bem diferente de seu irmão Greg. Ele é frio e dedicado à função que escolheu, que é a de pesquisar medicina.

  • [][][][] Médico (Cirurgia Geral)
  • [][][] CADUCEUS
  • [][][] Autoridade (Chefe da CADUECEUS)
  • [][] Devoção (Medicina)

Stephen Clarks:

Principal cirurgião da CADUCEUS América, é também um dos principais pesquisadores da CADUCEUS. É simpático e camarada, e seu temperamento bom ajuda muitas pessoas a se curar.

  • [][][][] Médico (Cirurgia Geral)
  • [][][] CADUCEUS
  • [][] “Palavras de Carinho”

Cybil Myers:

Anestesista principal da CADUCEUS América, é ex-policial. Possui um temperamento frio e às vezes ríspido, por isso é apelidada de “Dama de Ferro”. Devido ao seu treinamento como policial, ela possui grande força de vontade e um caráter honesto, ainda que duro.

  • [][][] Médico (Anestesista)
  • [][][] CADUCEUS
  • [][][] “Dama de Ferro”
  • [][] Ex-policial

Victor Niguel:

Narcisista, egocêntrico e convencido, é o que se pode dizer de Victor Niguel. Chefe do Setor de Pesquisa e Desenvolvimento da CADUCEUS América, ele é um especialista em biotecnologia. Extremamente focado, detesta “idiotas” próximo a ele quando trabalhando (subententendo-se idiota qualquer um com QI menor que o dele). Tem a mania de xingar enquanto acompanha operações.

  • [][][] Pesquisador (Biotecnologia)
  • [][][] CADUCEUS
  • [][] Autoridade (Chefe de P&D da CADUECEUS)
  • [][] Egocêntrico
  • [][] Inteligente

Tyler Chase:

Formado junto com Derek, entrou para a CADUCEUS procurando uma cura para sua irmã, Amy, contaminada com uma variante do GUILT. Porém, cada vez mais amargo com a falta de progresso e após ver um professor morrer em meio a sofrimento, acabou aconselhando várias pessoas na prática de eutanásia, o que levou-o a ser conhecido fora da CADUCEUS como “Doutor Morte”. Tyler para com essa faceta após Derek auxiliar na cura de sua irmã e com isso, passa a lutar junto com os demais contra as pandemias, em especial contra as GUILT e contra a organização DELPHI, sua criadora.

  • [][] Médico (Cirurgião Geral)
  • [][] CADUCEUS
  • [][] “Doutor Morte”
  • [] Irmã Doente (Amy, 8 anos)

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