O que é o Fudge?

Artigo publicado na Rede RPG

O que é o Fudge?

O Fudge (de Free-Form Universal Do-it-yourself Game Engine, Sistema de Jogo Adaptável, Universal e Faça-Você-Mesmo), não é “apenas” um RPG. Na verdade, ele é uma grade Infraestrutura de Jogos. Através dele, você pode criar RPGs, Wargames, Card-Games e qualquer outro tipo de jogo apenas lendo-o e entendendo sua flexibilidade.
O Fudge baseia-se em regras simples e nas múltiplas variações entre elas. Na verdade, Fudge apenas cria uma espécie de “base estrutural”, a partir da qual o mestre de jogo desenvolve todos os componentes e regras mais específicas para as aventuras que estará mestrando.

Um RPG Dobrável à sua vontade

O Fudge, por presar pela liberdade do mestre e dos jogadores em criarem à vontade, não traz NENHUM atributo, perícia, vantagem, desvantagem, etc…
Na verdade, o Fudge cita alguns atributos ou perícias ao longo de seu texto (Força, Capacidade de Dano, etc…), porém nenhum deles é obrigatório. Além disso, o Mestre pode delinear as características do personagem de várias formas diferentes, e nenhuma rigidez é imposta se uma determinada característica deve ser de um determinado tipo.

Por exemplo: um Mestre pode definir a Coragem de um personagem como um Atributo, variando como os mesmos, ou pode o definir como Benção, pois ele ajuda a pessoa, ou até mesmo definir como Falha, pois Coragem excessiva pode impedir o personagem de tomar atitudes prudentes.

O Fudge utiliza-se de muito poucos valores numéricos. Em geral, todo o sistema é baseado em Palavras como “Ruim”, “Soberbo”, etc… Mas a flexibilidade de Fudge é tão grande que até mesmo esses termos não precisam ser respeitados: se o Mestre achar que o termo “Soberbo” não é suficientemente descritivo para atender suas necessidades, ele pode utilizar, por exemplo, “Maneiro”, “Radical”, “Irado”, “Uma Brasa, mora!”, ou qualquer outro termo que faça sentido para o seu cenário e/ou suas necessidades específicas.

Características do Fudge

O Fudge define basicamente 5 tipos de características:

  • Atributos: Atributos representam habilidades que definem QUALQUER personagem de um cenário. Em geral, são medidos na escala padrão de níveis: Péssimo, Ruim, Medíocre, Mediano, Bom, Ótimo, Soberbo e (para jogos e personagens REALMENTE LENDÁRIOS) Lendários. O padrão para qualquer ser humano em qualquer Atributo que ele não possua é “Mediano”.
  • Perícias: Perícias indicam as habilidades que os personagens possuem: o quão rápido ele corre, pula, luta, lê Japonês ou manipula mágicas. Também podem ser medidas na escala padrão de níveis citada anteriormente. O nível padrão para qualquer ser humano na grande maioria das perícias é “Ruim” (perceba que esse “Ruim” é em relação a uma pessoa TREINADA na perícia. Por exemplo, o motorista de rua cotidiano é Ruim comparado a um motorista profissional treinado.). Algumas perícias podem ter seu valor padrão deslocado para “Medíocre”, para “Péssimo”, ou até mesmo para “Não-Existente” (ou seja, se a pessoa não for treinada na perícia, como no caso de muitas perícias mágicas, neurocirurgia e outros conhecimentos “obscuros” para a maioria das pessoas, ele simplesmente não pode tentar fazer nada disso);
  • Bençãos: São qualidades (sim, jogador de GURPS, SÃO VANTAGENS 😉 ) que não podem ser medidas na Escala Padrão Péssimo – Mediano – Soberbo. As Bençãos podem ter níveis, mas em geral não obedecem a Escala Padrão. Por exemplo, Riqueza pode ter 3, 5, 9 ou até 20 níveis, conforme o Mestre. Se uma Benção não for citada na ficha do jogador, ele não a tem;
  • Falhas: São defeitos que prejudicam a ação do personagem e/ou lhe dão uma reação negativa frente outras pessoas. Elas também não obedecem a Escala Padrão, embora possam ter níveis. Para aqueles acostumados com GURPS, funcionam como as Desvantagens do mesmo. O mesmo que vale para as Bençãos, vale para a Falha: não está escrito na Ficha, não tem;
  • Poderes Sobrenaturais: muitos cenários não precisam de poderes sobrenaturais: aventuras na 2a. Guerra Mundial, luta contra o tráfico de drogas internacional e a ação de hackers de computador na nossa Internet atual podem ser jogadas sem a necessidade de Poderes Sobrenaturais. Porém, quando começam a entrar fatores como Mágica, Psiquismo, Raças Não-Humanas, Superpoderes e Cibernéticos, os Poderes Sobrenaturais são usados. Na realidade, Poderes Sobrenaturais podem ser considerados Bençãos potentes;

Novamente, é importante notar que todos esses fatores podem ser alterados à vontade pelo Mestre, até que fiquem a seu gosto pessoal. Por exemplo: um Mestre gosta de perícias bem amplas (por exemplo: Briga). jÁ outro prefere detalhar bem seus personagens nas perícias (usando, por exemplo: Judô, Karatê, Kung-Fu, Tae-Kwon Do, Ninjutsu, etc…). Já um considera Artes Marciais como uma Benção (por exemplo: Técnica Especial: Karatê). E por aí afora.

Ações e Sua Resolução em Fudge

As ações em Fudge são resolvidas basicamente com testes de Perícias. Apenas em casos expecionais são feitos testes de Atributo. Quando não há um Atributo ou Perícia que possa resolver a situação (como, por exemplo, quando é necessário saber se um PC forasteiro é aceito por uma comunidade NPC), usam-se Testes Situacionais (que veremos mais adiante).
Em Fudge são usados vários sistemas de rolamentos de dados. No Brasil, é aconselhável usar 4dF ou 4d6.
Um dF (dado Fudge) é um d6 especialmente preparado aonde duas faces são brancas, duas vermelhas e duas verdes (ou brancas, com um sinal + e um sinal – desenhados). As faces brancas representam o valor 0, as faces vermelhas (ou os sinais de -) representam -1 e as faces verdes (ou os sinais de +) representam +1 (Nota: o RPGista veterano e com bom conhecimento da mecânica de dados já deve ter adivinhado que um df é igual a 1d3-2, considerando-se valores negativos). Dessa forma, ao lançar-se 4dF temos valores que vão de -4 a +4.
Esse método não é muito usado no Brasil pois é muito difícil preparar dados Fudge pintando-os e importar dados Fudge ainda é muito caro. Portanto, o método com 4d6 é o melhor para nós Brasileiros:
Nesse método, utilize quatro d6s, sendo divididos em dois pares exatamente da mesma cor (ou tamanho, ou textura). Escolha um dos pares como representando dados negativos, e o outro como dados positivos. Depois role os quatro dados.
Agora a pegadinha: NÃO SOME OS DADOS. Muito pelo contrário: retire todos os dados, exceto aqueles que tem o menor valor. Esses dados representam o valor do rolamento. Caso dados positivos e negativos tenham o mesmo valor menor, o resultado do rolamento é +0. Nesse caso, é possível ir de -5 a +5, embora seja EXTREMAMENTE RARO obter-se +5:

Por exemplo: um jogador usa 4dF é obtêm +,0,+,-. Nesse caso, o rolamento resultou em +1. Um outro jogador e o Mestre dele rolam 4d6s e obtêm (lembrando que p significa positivo e n negativo), p6,p4,n4,n5p3,p4,n1,n1. Retirando-se os dados, para o jogador sobra p4 e n4 (ou seja, um 4 positivo e um 4 negativo), o que dá +0 (pois ambos os dados são iguais e são um positivo e um negativo). No caso do Mestre sobrou n1 e n1 (ou seja, dois dados 1 negativos). No caso, o valor é de -1 (perceba que, mesmo em caso de repetição, considera-se o valor dos dados, não sua soma).

Esses +2, -3, e por aí afora indicam o deslocamento que o personagem deve fazer da sua perícia para obter o resultada ação dentro da Escala Padrão, que pode ser representada numericamente assim:

  • Melhor que Soberbo: Lendários (+4 em diante)
  • Soberbo (+3)
  • Ótimo (+2)
  • Bom (+1)
  • Mediano (+0)
  • Medíocre (-1)
  • Ruim (-2)
  • Péssimo (-3)
  • Pior que Péssimo: Terríveis (-4 para Baixo)

Por exemplo: Carlos está jogando uma aventura de polícia contra o crime. Seu policial, Marcos, está coletando provas na cena de um assassinato brutal. Ele é um Ótimo Investigador (ou seja, tem a perícia Investigação em nível Ótimo+2), mas a investigação está ferrenha: nenhuma pista parece levar a lugar algum. O Mestre, em segredo, estipulou que apenas um Investigador Soberbo (ou seja, alguém com a perícia Investigação Soberba+3) conseguiria achar qualquer pista útil para a investigação. Ou seja, a dificuldade do teste é Soberba. Carlos rola o 4d6 é obtêm p5,n5,n4 e p2, totalizando +2. Sua perícia para este teste sobe portanto de Ótimo (+2) para Lendário – 1° (+4), estourando a dificuldade Soberba (+3) proposta . Ele não apenas encontra pistas, mas encontra evidências concretas de quem foi o mandante do crime.

Testes opostos (aí incluindo-se combate) são ainda mais simples: ambos os lados rolam 4dF (ou qualquer outro método sugerido) e somam suas perícias. O lado vencedor é aquele que obtiver o melhor resultado. O Mestre pode definir níveis mínimos de sucesso que o personagem deve ter para alcançar seus objetivos, independente do que acontecer.

Por exemplo: Renato e Amanda estão jogando uma aventura na época do Velho Oeste, e os personagens ambos são jogadores profissionais de Poker, Hank e Mina. Hank entrou nessa vida recentemente, e ainda é apenas um jogador Mediano (Poker Mediano). Já Mina é uma trapaceira muito vivida e esperta e uma jogadora experiente de Poker (Poker Ótimo, Trapaça Boa) apesar de um tanto desatenta (Percepção Medíocre). Porém, Hank pode ser bobo no jogo, mas no gatilho ele possui olhos de águia, reflexos de lince e precisão de falcão (Percepção Soberba, Tiro Ótimo, Sacar Rápido Soberbo).
Mina e Hank se apresentam e, uma vez apresentados, começam o jogo. Renato rola +3, subindo seu PokerSoberbo. Já Mina tem uma infeliz situação e rola um -1, reduzindo seu Poker para Bom, o que garantiria o sucesso de Hank no Poker…
E nessa hora, Mina decide trapacear. Amanda declara secretamente ao Mestre sua decisão. O Mestre estipula que Mina precisa fazer uma Trapaça apenas Medíocre (-1) para ser bem-sucedida em fazê-la. Porém, Mina terá que contar que os olhos de águia de Hank estejam fechados (ou seja, que Renato consiga um valor de Percepção abaixo do nível de sua Trapaça). Mina rola um +1, conseguindo uma Trapaça Ótima.
OK… Mas Mina não sabe que Hank já sabe de sua fama de trapaceira, e se mantem atento nos seus movimentos. Renato rola um +0, mantendo sua Percepção Soberba, mais do que suficiente para notar os cinco ases que ela tentou impor a ele. Então ele decide mostrar que um Peacemaker vale mais que uma quina de ases. O Mestre estipula que, devido ao pequeno espaço de movimento, Hank teria que ser um Ótimo Sacador Rápido para conseguir tirar sua grande Colt PeaceMaker .40 de dentro do coldre e encostar na barriga da vagabunda sem ninguém notar e sem fazer Barulho. Um Sacador Rápido Mediano conseguiria sacar o revólver, mas faria um escarcéu do diabo, que chamaria atenção desnecessária para a mesa. Menos que isso não permitiria o Saque Rápido.
Muito bem, Renato rola o Saque Rápido e tem uma decepção: obtêm -2, totalizando um Saque Rápido Bom. Quando Hank coloca a PeaceMaker na barriga de Mina, as bebidas sobre a mesa caem no chão, chamanda a atenção do bar inteiro… Hank tem que torcer agora que Mina não tenha amigos ocultos no bar, senão ele REALMENTE estará com problemas…

Os Pontos de Embuste

“Fudge” em inglês quer dizer embuste, trapaça, e os Pontos de Embuste de certa forma representam isso. Como tudo em Fudge, o Mestre pode autorizar (ou não) se seu jogo utilizará Pontos de Embuste, quantos, como poderão ser usados e como serão recuperados. Em geral, um personagem ganha uma quantidade X de pontos ao ser criado e mais uma quantidade Y (igual ou não ao número de pontos que recebeu quando foi criado) a cada aventura na qual ele participar. Todos os pontos que ele não usar de uma aventura para a outra são mantidos com o personagem.
Como dito anteriormente, os Pontos de Embuste podem ser usados para trapacear no jogo. Basicamente, o uso deles pode, conforme o Mestre determinar, aumentar a chance de sucesso ou reduzir a de fracasso, inclusive concedendo sucessos automáticos, garantir “coincidências favoráveis” ao personagem do jogador, reduzir a chance do personagem se ferir e a gravidade dos ferimentos caso isso venha a acontecer, etc…

Por exemplo: em uma campanha na Ditadura Brasileira, os personagens são agentes do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Julho), que estão agora tentando evadir-se do país para não serem presos pelo DOI-CODI (orgão de repressão de “atividades subversivas” do Exército), após uma ação frustrada. Claro que as barreiras são agora muito mais rígidas, pois um “grupo terrorista comunista subversivo” (leia-se: os PCs) causaram uma ação terrível para perturbar a “ordem e a paz social”. Por isso, eles tentam criar uma “coincidência favorável”: um dos soldados seria amigo e um ex-agente do MR-8, que bandeou para o lado dos militares mas ainda assim não trairia seus amigos verdadeiros. O Mestre acha que, por uma coincidência tão séria, cada personagem deveria pagar 2 Pontos de Embuste. Mas apena Maria, que representa o Camarada Isaías, possui Pontos de Embuste, e ainda assim apenas um. Por tão pouco, o Mestre aceita, mas com uma modificação: o que facilita a travessia deles são os caminhões do Circo di Napolli, do qual o “Camarada Isaías” fazia parte como palhaço. Os donos do circo aceitam ajudar na fuga dos agentes do MR-8, mas eles deverão pagar sua estadia com trabalho… É, ninguém disse que fugir da Ditadura Militar seria moleza…

Um RPG para quem tem imaginação

O Fudge é um RPG EXTREMAMENTE flexível. Na verdade, ele é TÃO EXTREMAMENTE flexível que normalmente apenas Mestres veteranos podem aproveitá-lo em sua totalidade. Porém, conforme ele for se popularizando (minha pretensão 😉 ), Mestres menos experientes poderão contar cada vez mais com novos cenários e dicas para mestrar Fudge.
O Fudge exige muita participação e envolvimento por parte do Mestre, que deve descrever quase todo o tipo de base que normalmente um RPG deve ter: Atributos, Perícias, Bençãos, Falhas, Poderes Sobrenaturais, danos de armas, resistências de armaduras, modificadores de dificuldade para testes rotineiros, como a Magia/Psiquismo/Superpoderes/Cibernéticos/o que seja funciona, etc… É um desafio IMENSO para a maioria dos Mestres, mesmo considerando-se que o Módulo Básico do Fudge (disponível gratuitamente nesse blog) traz uma ampla gama de opções e possibilidades, além de muitos exemplos.
Porém, para aqueles dispostos a “encarar o touro com chifre e tudo”, as recompensas são, para dizer o mínimo, estimulantes. Suas aventuras passam a ter REALMENTE a sua cara, já que o Fudge, à exceção de uma pequena quantidade de regras básicas, é totalmente customizável, ganhando carinhosamente o apelido de “Linux do RPG” (Nota: Linux é um sistema operacional para computadores que, por ter seu código aberto, pode ser customizado à vontade por qualquer um com um mínimo de conhecimento e/ou interesse). Você pode adaptar facilmente cenários e sistemas de regras. Com experiência, você poderá realizar o seu grande sonho de somar o sistema de Artes Marciais do “GURPS Artes Marciais”, o sistema de Magia de “Mago: A Ascensão”, o sistema de cibernéticos e humanidade de “Cyberpunk 2.0.2.0.” e o sistema de sanidade do “Call of Cthulhu” original (ou qualquer outra combinação absurda que você quiser).
Logo, você também pensará mais rapidamente nos personagens. Ao invés de definir que, por exemplo, Harry Potter tem uma Agilidade 16, você vai pensar que ele é “muito rápido” (como J.K.Rowling definiu).
Isso é Fudge, uma grande máquina de embuste, para você trapacear com todos aqueles RPGs monótonos e que supervalorizam alguma outra coisa que não a diversão de Mestres e Jogadores… Aí você terá uma diversão realmente Lendária de 3o. Nível (+6 em Fudge… ;-))) ) e não mais aquela diversãozinha -1 (Medíocre).
Sobre o Autor: Fábio Emilio Costa é o tradutor de Fudge para o Português Brasileiro, tem 25 anos, e passou recentemente no vestibular para Desenvolvimento de Software nas Faculdades ASMEC (Ouro Fino/MG).

8 comentários em “O que é o Fudge?

  1. Lucas Ribeiro disse:

    Fantástico este sistema!!!

    Sempre será um dos meus preferidos… e que eu mais desenvolvo suplementos. Só queria que alguma editora brasileira lançasse a versão do décimo aniversário que contém mais de 300 páginas!!!

    xD

  2. Lucas Ribeiro disse:

    Fábio, gostaria que você acessasse a redeRPG, eu divulguei o Fate e seu blog!

    Sobre publicar, estou escrevendo o material aos poucos e mandando pra Rede.

    Depois, ele poderá ser revisado (preferência vc, xD)
    Ajustado, e diagramado conforme a necessidade.

    Adaptei raças não-humanas e mandei hj para a RedeRPG, espero ve-las publicadas logo.

    Depois serão Magias, Monstros,Poderes Sobrenaturais, Gerador de Itens Mágicos e planejo desenvolver um jogo (Fudge Dungeon Fantasy) aos estilo D&D usando as fantásticas mecânicas de Fudge.

    Abraços

  3. Curisiodade: procurando pela versão brasileira do FUDGE trombei com este site http://www.angelfire.com/rpg2/fudgebrasilmg/

    Pelo que entendi é a antiga versão deste no qual estou escrevendo. Não seria o caso de tirá-lo do ar?
    O maisquatro.wordpress.com aparece só na segunda página da busca se procurar por FUDGE Brasil.

  4. Cara ótimo trabalho de divulgação!
    Atualmente o Fudge e seu filhote, o FATE, são meus sistemas preferidos para inventar jogos. É muito legal ter eles em português para poder convencer a galera de ler!
    Só tem uma coisa na tradução que eu acho que poderia ser melhorada: a escolha das palavras para a escala qualitativa. OK, a coisa é personalizável, mas o “padrão” é o que acaba sendo usado por quase todo mundo, e quanto mais sentido fizer pro público geral, melhor. Meu maior grilo é com “Soberbo”. É uma tradução literal do original “Superb”, só que o contexto em que é usado em inglês é bem diferente do uso do correlato em Português. Aqui em terras tupiniquins, se seu chefe chegar para você e disser que seu trabalho é “soberbo”, tem grandes chances de você achar que o cara é um pretensioso metido a besta, ou se bobear você vai até achar que ele tá te zoando! Acho que é o mesmo caso das traduções literais de “fair” e “terrible”: não funcionam da mesma forma em nossa língua, e é preciso encontrar um substituto.
    Recentemente completei um sistema de magia para FUDGE (http://www.garagemrpg.com.br/jptrrs), e achei que a combinação de adjetivos que melhor representava a idéia da escala era essa:

    +4 lendário
    +3 excepcional
    +2 ótimo
    +1 bom
    0 médio
    -1 fraco
    -2 ruim
    -3 péssimo

    Para o “fair” (0), pensei como você: se esse é o valor padrão para atributos, quer dizer que é mediano. Para a escala, preferi simplesmente “médio”, que é a descrição mais provável de sair da boca de um brasileiro.
    Para o “good” (+1) e o “great” (+2), não há dúvida, é “bom” e “ótimo” mesmo. O “superb”, como expliquei, é mais difícil, mas se for pra ser melhor que ótimo, achei que o natural seria “excepcional”. “Legendary”(+4), é claro, não fica bem como “legendário”, então o melhor é mesmo “lendário”.
    Pior que médio, temos o “mediocre” (-1), o “poor” (-2) e o “terrible” (-3). Achei que “ruim” e “péssimo” são uma escala natural, mas é difícil achar alguma coisa pior do que “péssimo” que seja natural, e “terrível” não é normalmente usado em português com essa conotação. Além disso, em inglês, “mediocre” não é exatamente “ruim”, é mais alguma coisa insuficiente, de qualidade inferior, daí pensei em “fraco”.
    Fica então, minha sugestão para uma possível revisão. Sei que isso ainda não resolve a escala aumentada do FATE (aliás, gostei do “adequado”), mas nas mesas que introduzi o FUDGE pareceu funcionar bem.
    Mas fora essa picuinha, acho que esse trabalho de tradução tá excelente. A diagramação do FATE tá melhor que o original!
    Parabéns!

    • Bem…

      Acredito que sempre terá polêmica em traduções, mas considero que Soberbo sirva bem no momento. Concordo com o que você disse quanto ao significado, mas o termo já ficou bastante arraigado, então acho que não é hora de mexer. Porém, uma das grandes vantagens do FUDGE é permtir que você utilize até mesmo a terminologia que desejar dentro de sua mesa ou de seu ambiente. Acho que nesse caso você pode colocar o termo que achar melhor para o seu grupo ou afins. Portanto, se você acha que “Extraordinário” é melhor para “Superb”, fique a vontade para usar em suas aventuras, pois isso é uma grande vantagem do FUDGE 😉

  5. Cezar disse:

    Cara,

    Parabéns pelo site e pelo material publicado.
    Você conhece o sistema F#, baseado no FATE?
    Trombei com ele anteontem e achei de uma simplicidade genial.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s